quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O corpo no jornal

O corpo desfigurado

Balas de fuzil por todos os lados

Assim vai a guerra no oriente médio

Assim vai nas favelas da minha cidade



Mataram o lider na Libia

Muitos já morreram nesta cidade

Famozos chefes de quadrilhas

Drogas diarias da TV



Sigamos então nosso caminho

É a vida que pulsa no peito

O sinal que abriu

E volto pra casa feliz

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O muro acrilico da linha amarela

O muro acrilico da linha amarela
Tampa aquilo que deve ser visto
Gravuras translucidas
Escodem o decaso histórico

Esse meu rio de janeiro
Que a desigualdade está nas vias espressas
Nos morros e nas armas da opressão
Um dia ainda vou embora

E vou chorar
Lembrando de minha infancia suburbana
Anne Frank aprendeu viver
Mas o acaso não permitiu

Quantos vidas presas atraz do muro
Muro moderno menos trite e mais profundo
O muro de brincadeira
Dedo de criança que pinta

Gravuras que escondem os outros
Aqueles poucos da novela de Manoel
Muitos da navela da vida
Uma dor de cabeça profunda

O muro limpo
Separa a vista do visto
O justo da justiça

Não há mais sistemas e dicotomias
A separar como na guerra fria
É uma guerra suspensa no ar
Presa nas transmissões telefonicas

Muro algum há de separar esta guerra
Vitimas de um muro moderno
Decorado na escola do filho
Nos dedos dos grandes economistas

Pagamos e criamos um muro
Que esconde nossa casa
Nossa vida de morron e tijolos
O descaso que esconde de mim mesmo

O que sou na novela da vida
Papel que sobrou
Dinheiro pouco que não sustenta

O onibus me chegou
Vou pro trabalho
O muro fica para tras

Ainda não fecharam as portas
Mais um dia no centro da cidade
Menos um dia de vida

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Atos de capital selvagen

Em um mundo onde literalmente tudo pode ser convertido em dinheiro

O sol bate
E fico assim pasmo
De quanta vida ainda há lá fora
Um passarinho que pula no asfalto

Enquanto o oleo da morte
Jorra pelos campos de aguas profundas
Um passarinho preto sisca inocente na calsada
O que fizemos?

Porque somos assim tão egoista?
Quem parará esta maquina edionda
Que destroi a si mesmo
Com requinte de crueldade?

Qual suicida mais nobre
Nos ensinará o caminho da morte ante o inevitavel
O ultimo ato
Antes do espetaculo final

Qual neoritico narcizista
Gritará em alto tom científico?
"Morram seus selvagens!"
E nos matará pateticamente limpo de si mesmo

O pior selvagem
É aquele que se intula civilizado na plateia
Tem ideais repleto de destrição oculta
Papel impresso e bits de satifação

O pior selvagem
Assiste indeferente a morte alheia
Em sua poltrona
Vê a morte nos olhos de Alice

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Herói na minha cidade

Herói na minha cidade
não salva vidas de velhinhas
nem é herói a medida grega

herói no Rio de Janeiro
não é corrupto e faz o seu trabalho
e raramente aparece na TV

sábado, 12 de novembro de 2011

O malandro do café

Um café!
Coruja!
Porque não fazer uma fé
35 no duro
e 44 32!

ei tá faltando 15 centavos
ah! deixa que a banca paga

Assim foi o malandro
a fé no bolso
e sem um centavo a mais

sábado, 5 de novembro de 2011

O louco poeta das ruas

A folha em branco
não há segunda chance
as palavras vão fluindo

e vou com elas a ser um eu
fluido e perdido
um eu que jamais fui e jamais serei
um eu perplexo preso neste instante

neste nada
revestido de todas as verdades
vou meio que no meio
vivendo vidas de um inteiro

eis que o verbo poder
assalta-me a mente
possibilidades que não foram
de um lado oposto e mesmo

a vida que pulsa e empurra meus braços
minhas pernas que vão andando
e vou me perdendo nas quinas dos muros
limpando a limpeza de prédios altos

sou o que teve só qualidades
o que não deu sorte na vida
escrevo para quem?
Se não para praguejar todo este esquema

um esquema a muito já sabido
praticado com os fracos
cheios de força e pulmão
tolerados no limite do silêncio

camuflados de sujeira e pó
cobertores por todos os cantos
vou cantando a vida
e louvando a grandeza deste universo

faço minha reza enfrente ao bar
esquinas da minha solidão
eis que um policial se aproxima
fujo como se não tivesse ali

ainda posso sentir
o gosto da cachaça na boca
paro em outra esquina
e agora vou louvar o sol que já vai

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Na minha terra passa um trem

Batidas ritmadas
musica matinal

toc toc te téc
toc toc te téc

pessoas vão e vem
no embalo do trêm

toc toc te téc
toc toc te téc

um pastor lê a biblia
e nada mais faz sentido

toc toc te téc
toc toc te téc

A tristeza aparente
esconde um sorriso embutido

toc toc te téc
toc toc te téc

trabalhadores levantam antes do sol
e trabalham num só ritmo

toc toc te téc
toc toc te téc

É barulho que regula a vida
no consumo que não é findo

toc toc te téc
toc toc te téc

e a noite o som vai embora
na espera de mais um dia

ficou o som na cabeça
que este passageiro sentia

hoje, ando de ônibus
sonhando que sabe um dia
voltar para a terra minha
do toc toc e agonia

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O rio pacificado

Uma Juiza morreu assasinada
Um Deputado pede anistia internacional
O rio tá uma maravilha
O flamengo não ganhou ontem?!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Naquela manhã

O sol nasce levando a noite
Eis que estou sempre a assistir
este teatro de luz e sombra
Mas nem toda manhã é como esta
regada a sangue, oleo e asfalto

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Foi um mal entendido

Sim palavras e suas forças
Fui traido por minhas proprias palavras
Meu proprio sangue
Traido pela visão

Pela força daquillo
Que não se vê
Perdão a tudo
E a todos
errei tentando acertar

Acertos de contas
Que nunca
Eu sei
Não há cura pra curar
Apenas uma cicatriz profunda

Não há contas a pagar
O erro gera o mal entendido
Mal sabia que errava
E errava por principio
Nas escolhas das palavras

Alguns dizem que nunca é tarde
O perdão é sempre uma possibilidade
De recomeço de um esclarecimento profundo
O erro é o inicio do acerto
É o acidental descolando da verdade

Escrevo esta carta em forma de poema
Porque não sei escrever cartas
Peço perdão a ti e a todos
E não posso esquecer de pedir perdão
A todos que se foram e hoje corre em minhas veias

Perdão

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A Arte da hipocrisia moderna

O cheiro podre do esgoto
misturado ao gaz carbônico dos carros
com pitadas de suor mendicantes
crack que não joga futebol aos domingos

faz do retrato a arte sega

O sujo exposto em lindíssimas bordas
vamos contemplar a sujeira
dentro de bolhas temperadas
22 graus celsos perfeitos para a imagem

Uma janela para a realidade
olhos comovidos de idiotas engravatados
sujos High tech de corações hipócritas
queixos caídos de dentes manerios

Tem alguns que se salvam é claro
mas no mundo da arte moderna
arte sega que não quer ver
só um coração favelado sabe onde o calo aperta

sábado, 8 de outubro de 2011

Embalo na madrugada

Tão pequeno
e de olhos atentos
acorda o dia
e dorme com a madrugada

É tudo tão bom
choro risada
leite dormindo para sonhar
balança que segura nos ombros

olhos que nada escapam
o teto a parede a estante
partes de um mesmo lugar
de um mundo só visto por este pequenos olhos

que não escapam
a um ligeiro olhar
olhos nos olhos
olhos dorminhocos

estão fechando
hoje se foi amanhã quem sabe
a rotina não mostra outro mundo
repleto de novidades

que preguiça
arroto
sonha meu filho
amanhã iremos brincar com a vida

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Não sei fazer sonetos

Não tenho moral poética
na forma de Quintana é claro
meu verso se perde na dureza
do cinza e do verde

faço minha rima rimas da vida
que passa ante minha retina
rima que salta do abismo de ser
que não é rima nos conceitos

Como fazer um soneto
se rimo ideias?
nesta rima que salta do conceito
rimo com todas as vogais

não sei fazer sonetos clássicos
nem decassílabos perfeitos
rimo chuveiro com toalha
andar com os meus sapatos

rimas internas das palavras
dentro do verso e do poema
rimas boas e más nos olhos de quem lê
rima da vida e do não viver

Não!
Diriam os detentores da chave de tudo
rima é e não pode deixar de ser
tá achando que é bagunça?

Ah! respire meu caro poeta
intolerante ainda rima com pedante
é claro não me acho tão importante
afinal quem sou eu para achar que sou ponto final

no fim das contas
adoro rimas clássicas
só acho minha rima desta vida
muito alem da terminação da palavra

Não é poeta
diriam os apressados
não tem ritmo
diriam os cautelosos

furemos os olhos como Édipo
ninguém é dono do destino
e na escuridão do nada
veja o som que brota do silencio

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Uma garça

Uma garça na lagoa imunda
Uma graça em pelo
Com seu desfiado vestido branco
Vai por sacolas plasticas e garrafas

Uma garça na lagoa imunda
Que teima em estar viva
Por entre óleos e esgotos
Graças fazendo a refeição matinal

Ainda resiste a vida
Do pouco que se sobrou
Sai a garça de vestido desfiado
Altiva a se enrolar em sacolas plasticas
Sujando a barra da sai

E sai voando assim de lado
Para em uma pedra
Estica seu gracioso pescoço
e voa feliz
Como só as garças podem fazer

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Pasto Político

É sempre a mesma História
um roubo político aqui
perdeu um cargo ali
e continuamos a comer capim

domingo, 18 de setembro de 2011

O Cristo e o não-lugar

Não há volta!
Portugal a muito fechou suas portas
coitado destes que sente saudade
neste não-lugar
a saudade é eterna

lá está a imagem
um simbolo cristão cravado no meio da cidade
cristo de braços abertos
abertos de boa vontade se reparar
estranha sina de sofredor

é um muro que separa o mesmo lugar
de frente para Europa
será que ele quer fugir
ou receber os que chegam?

depende do angulo de quem olha
os que veem debaixo
veem um criança birrenta pedindo colo
salve-me desta selva e destes silvas

O não-lugar se faz presente em seus braços
coitado destes que querem fugir
os que querem ficar tem mais é que se salvar

um dia quem sabe
num dia claro de um verão morno
o crito talvez olhe pra baixo
e veja seus pés cravados no chão

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Crente

Me diz:
Se eu não acreditar na Arte e na Filosofia
vou acreditar em que?
Na politica partidária Brasileira
ou nos palhaços engravatados da TV!?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A carta poética

A quem interessar
o poema está ali
a quem interessar
escrevo linhas duras

de uma dureza
de ser único
sou único por ser eu
ego de escritor poeta

a quem interessar
mando uma carta poética
a muita já aberta e esquecida
endurecida no cimento da cidade

a quem interessar
o conteúdo da dureza
ou os tambores do peito
mando uma carta já esquecida

a quem interessar
responda-me agora
não deixe meu coração solitário
tombar diante do inexorável

a quem interessar
salve nossas almas
desse tambor rugindo no peito
dia a dia vivendo a amanhã nunca findo

ah sim !
deus há de cuidar
das cartas esquecidas
e dos momentos únicos e solitário

ah!

agora tudo está claro
meus olhos ainda mareados da verdade revelada
percebem o inominável
transbordando das beiras das palavras

eu sou o universo
todas as pequenas partes
de um canto do pássaro
de um raio solar na poeira

sou uma verdade
a muito já sabida
esquecidas …
nas cabeças que pisão no chão

a verdade de ser o universo inteiro
é mais uma
dentre tantas verdades

e como toda verdade que presta
há de ser simples
absurdamente simples

http://www.youtube.com/watch?v=tlgX5Bj0xXk

domingo, 4 de setembro de 2011

O abate do gado

Vou caminhando
comendo e caminhando
vida boa
vida de gado

eis que um dia
uma fila de irmãos gados
marcados
se fez ante minha retina

e fui seguindo o fluxo
voltar não mais podia
em frente
dizia a placa

sonoros apitos vinham do incio da fila
depois silencio
absurdos silêncios de passos que andam
em frente dizia a voz ao meu lado

meu coração saltou
vi meu derradeiro dia
o abate era o meu fim ultimo
voltar jamais, minha consciência não deixaria

ir para onde?
Se a guilhotina é meu destino
fico ereto ante o inevitável

mais um passo
mais um que passou
eis que sou o próximo
não acredito!

É tudo tão limpo
não há sujeira alguma no chão
nem sangue
nada que denuncie esta pratica hedionda

uma voz me chama
tiro as coisas do bolso
não tenho nada
nem jamais vou ter

fecho os olhos
passo
e o apito ressoa triunfante
respiro pela ultima vez

e uma voz lá no fundo me chama

senhor
Senhor!
Queria por favor voltar
e retirar os sapatos

olhei a minha volta
o voo já vai partir
as pessoas pararam
o raio x apitou
e ainda não morri

http://www.youtube.com/watch?v=JdYw56m89GY

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A criança da vida

Uma criança me olha nos olhos
e olha os pés imundos de terra
pronto
nunca mais serei o mesmo
as coisas simples brotaram da terra na calçada
e fiquei a espiar o mato crescer

domingo, 28 de agosto de 2011

O outro dia

Ontem estava saindo de casa
amigos na noite
que eu fiz?
Onde fui?

celular por favor!
Nunca mais me liga
acabou
que eu fiz?
não lembro!

acabou sim!
Como assim?
Não fui eu
quem me segurou?
Meus joelhos estão doendo
onde fui que cai?

Um nome perdido
uma voz de bêbada
e o fim de anos juntos
jogados no lixo
de um banheiro imundo
de um bar alheio a tudo isso

respira
ainda vou acordar
não é possível
que eu fiz
onde fui parar?

Ouço uma voz na cozinha
levanto ainda meio desacordada
o café esta frio
foi só um sonho
e uma dor de cabeça
de nunca mais beber

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ao irmão Francisco

Feito de amor
na ultima hora
no ultimo suspiro
eis que estava ele a cantar
amando tudo na terra

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O verso perdido

Foi perdido em minha alma
procuro desesperado
e não encontro este verso
dentro das profundezas de meu ser

cada dia levanto
tiro o pé deste chão tão real e moderno
e procuro cá dentro
este verso que jamais farei

cada verso que escrevo
é um encontro desencontrado
é trilhar um caminho aprendendo a andar
e a vida pulsa em meu peito o verso que procuro

olho em volta
quem sabe lá
não está este verso tão esperado
é vã é a minha tentativa

todos os versos
são e não são o verso que procuro
eis que paro em frente a uma loja
esta vazia a vitrine

lá dentro não há nada
alem de poeira e um vidro imundo
sim lá esta meu verso perdido

na representação do todo

tive um aperto no peito
uma vontade louca de fugir
e vi com olhos de dentro
o meu verso perdido

o meu mandamento de um Deus deposto
a ultima palavra de uma divindade morta
fecho os olhos para ouvi-la de perto

e lá no fundo
bem lá no fundo
eis que uma voz feminina dizia:

não tenha medo meu filho
Tu és todas as coisas do mundo
e achei meu verso naquele dia

depois da felicidade do peito
e das lagrimas torrenciais
descobri que sou Deus e seu Servo
livre na prisão do tempo

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O vendedor de versos

Vendo versos
rimas
estrofes inteiras
mas miguem compra meus versos

e na rua ouço um velho dizer:
“A economia anda fraca meu amigo
seu fosse você ia vender casas”

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sobre a filosofia

A filosofia nasce no coração do ser
um impulso de ir para alem
do mesmo para o mesmo
do agora para o mais adiante

olhos que veem
são os mesmos que cegam
é curto este caminho
de exageradas distancias

de um lado a foice
do outro a estrada
já aberta e livre de todo mato
uma metafora que define a verdade

Verdade anunciada
que sempre esteve presente
nunca faltou ao coração deste humano
estou vivo
e vou caminhando

sábado, 30 de julho de 2011

Carnaval no Brasil

Tem um ditado que diz:
“Esta vida são dois dias e o carnaval são três”
no Brasil
carnaval dura uma semana
que fazemos da vida mesmo?

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Um Domingo

Uma vastidão desertica invade o domingo
O centro da cidade maravilhosa
E um passo apertado
Foge deste vasio

Olho os edificios parados
Não há movimento
Só corbetores cinzas na sarjeta
Ousam dar movimento
Aquela paisagem insolita

O sol invade as gretas dos predios
Nem um carro passa na rua
Como num filme surreal
Parece que o amanhã não existe
Não cabe pessoas neste vasio

E o vasio se enche de vida aos poucos
Cabeças de estomagos vasios
Erguem-se do chão imundo
Na sargeta de um caixa eletronico
A dois passos do papel solução do estamago

Uma parede de vidro fechada
O trincar de dentes a muito desgastados
Embalam a sono profundo
Deste morador de rua
Que mora de fato aos domingos

Ele me olha de subito
Como que acordando de uma outra realidade
Me envergonho de ser o intruso
Tentor limpar meus pés
Mas é vã minha tentativa

Viro-me e saio de sua morada
Sem adeus nem promessas de voltar
Não pude conter as lagrimas
Nem o passo apertado como o coração
Saio da cena para dar normalidade ao dia

Hoje vou trabalhar
É domingo
E a vida começa aos domingos
Só aos domingos

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Aos que querem entrar para história

Um dia quem sabe
Teremos nosso nome garavado
Em algum lugar no futuro

Talvez em algum cartorio empoeridado
Dizendo que este morreu
Mas seu nome está lá

Tenho certeza sou eu
Coitado daquele que sonha
Ser a pedra rara
Ser unico no meio de pessoas unicas

De que adianta estas coisas
Se não vivermos o agora?!

Porque eu?
Porque esta janela?
Se todas as janelas estão para o mundo
Porque esta?

Vou brincar com meus filhos
Este negocio de história e eternidade efemera
Me deixa enjoado
E não valem mas nehum verso

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O luto no deserto

Hoje estou de luto
A mentira pragada na TV
Foi cruel como uma morte
Não esperada

A fome, O corrupto
Tudo junto no mesmo pacote
Ah deixe como está!
Disse a TV com os labios cerrados

Hoje estou de luto
Quantos acreditaram?
Eis que começou a novela
Ah não pensem
Já dissemos tudo!

Opinião publica?
Opinião unica!
Vai
Que não se volta não

Olha que beleza
Amor
Brigas e tristezas
Derramam nas cabeças desatentas
Fatigadas de trabalho e solidão

Estou de luto no deserto
Chorando aguas
Que não passam
E duvidando de certas aguas passadas

Estou de luto
Chorando possibilidades
Inventando desculpas
Para não morrer

sábado, 2 de julho de 2011

Deus e sua metafísica

É em si alem de minhas palavras
vou até onde meu corpo deixa e até onde minha mente alcança
como policiar os detentores da chave do portão do paraíso?
A idade média foi negra
A idade da razão cega de tanta luz material
Isso mostra que o ser humano não deixou de ser ele mesmo
negar afirmando outro diverso
não se preocupe com a vontade do saber divinamente humana do futuro
a chave do portão é a vida em si
o peito que bate
uma rima escondida
cá dentro
onde os olhos racionais não alcançam
ainda diria o materialista ferrenho
jamais diria o espiritualista renovado
enquanto não matematizarem o acaso
nem renovarem os votos de divindade política
vou assim vivendo meio que no meio
sentindo a vida
não sabendo a verdade
tendo plena certeza de se estar vivo
e
como Sócrates
carrego minha duvida
e nada mais

sábado, 25 de junho de 2011

Na beira do cais

Na beira do mundo
neste lugar a beira de um mar fechado
pessoas trabalham
como se ultimo dia fosse hoje

um dia de sol
pombos cinza comem o desespero da vida
pessoas trabalham
como se não tivesse amanhã

pombos cinza comem no cais do porto
entre suor e voos desesperados
escorre um maçaroca espessa
a massa desajustada de se estar vivo

Vivaldi e seu violino
comandam este cenário
cada passo
cada voo desajeitado
uma nota de um agudo interno
um caminhar voando de pés descalços

lá vem ele
o homem e seus cachorros
faz voar todos os pombos
na harmonia da vida
as notas espalharam-se no ar
notas que sabem voar

já passou os dentes da raiva
aos poucos a musica vai ganhando pombos
de uma nota profunda
sem partitura que oprima os agudos que caiem da beirada
só os pombos compõem o cenário da vida

volta o homem e seus cachorros
e lá vai minha musica incompleta
voando feliz de voar
eles não voltam tão cedo agora
sabem voar alem de minha musica
ficar não é preciso para eles

eis que sobrou o metal
o mar
e uma vaga lembrança do dia
aquele dia
que fiz um poema de pombos e musica
e este dia passou

terça-feira, 21 de junho de 2011

Ontem eu fui filosofo existencial?!

Ontem fui uma verdade que não entendo
palavra alguma me diria o que fui ontem
tanto sonho que me confundo
não sei quem sonhou meu sonho de fato

tanto nada pra coisa alguma
de que valem as palavras?
só mesmo estes versos
que trago no bolso
de uma camisa rasgada
para dizer este nada
de profundeza alguma

Ser mesmo criança

Por um instante fui criança
eis que me vi mais velho
braba por fazer
mas
sou criança em todos os tempos verbais

no instante em que sou criança
erro buscando a verdade
tão certo que não me engano
porque um dia fui criança
criança em todos os tempos verbais

fui já sendo criança
e agora como deixar de se-lo?
sou, fui ou serei não importa
sou criança em todos os tempos verbais

eis que quando criança
nasci assim em todos os tempos
não sei ser outra coisa
mesmo com a barba por fazer
ainda sou aquela criança

descalça e feliz
vou brincando pelo caminho
sem medo de pedras ou cacos de vidros
sou criança em todos os tempos verbais

domingo, 12 de junho de 2011

Mais Uma

Aqui estou parado
ante o inevitável
meus olhos desesperado
apoiam meus ombros de cabeça baixa

um carro que passa
um corpo no chão
sim
mais um dia na cidade imunda

vamos morrendo
assim vivendo
secando o sangue com toalhas brancas
na limpeza profunda

perfeitamente limpo deve ficar!
Ordens dadas do general limpeza
meus olhos não podem ver de todo
mas glóbulos vermelhos escaparam?

Sim eu sei
mas não os vejo e que assim seja
limpo
como o chão deve ser

olhos grudados na janela de um vidro
de um outro lado que não acredita
mas sim
sangue escorre na calçada

bombeiros que não se abalam
limpam o local imundo
imaculado

mas toalha alguma há de limpar a morte
e a sujeira imunda deste cinza escuro
que brota das entranhas dos prédios
das cores dos carros
da vida vivida no abismo coisas

a sujeira somos nós
um metal com uma graxa grudenta
separando olhos nos vidros escuros
para não vermos quão sujo e imundo
vai nosso pé naquela calçada

mais uma morte
mais um numero
mais um dia
e assim levamos a vida

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Discurso Vazio

Na cidade pessoas andam
neste fim de tarde
como se a casa fosse nos libertar
sim libertar entre paredes

chego em casa
tiro a mascara de servo para tomar banho
me enxugo bem devagar
esquecendo as costas porque não?!

agora sim sou livre
livre até os olhos e ouvidos de meu vizinho
livre até o ronco de meu estomago
eis que comi um bom pão com manteiga

esta na hora de pensar agora
não esta?
Mas ligo a TV
e pensam por mim

cada propaganda
é uma espera
ainda vou conseguir desliga-la
e quando faço meu sono me pega de jeito

a culpa de não pensar livre é de Orfeu

Não, espera ai! eu não poderia pensar nestas coisas
se pensam por mim quem é este que escreve
um eu totalmente alheio e esquizofrênico
ou talvez apenas uma incoerência eu-lirica

neste mar de incoerências
o que não seria mais uma
eu que não penso pensar
eu que não falo falar

sim é assim que andam as coisas
e assim que vai continuar andando
enquanto eu puder desligar a TV
vou continuar acreditando na humanidade

sábado, 21 de maio de 2011

Na solidão

Pedaços de minha solidão
descolam da borda de um quadro
não sei o que faço
meu próximo verso não me consola

são versos e nada mais
não anseio a resposta definitiva do corpo
porque esta, está no campo do inevitável
e ser por acidente é uma coisa meio que assim já sendo

não sei se anseio alguma coisa
é só uma espera
sem coisa alguma a esperar
um suspense no ar pesado do inverno

estou completamente cego
subi um muro muito alto
não sei cair na certa
mas não vou me agarrar ao muro

sou livre até o calcanhar
mas sou
tenho que ser
ser livre é a única prisão que me resta

e vou assim vivendo
sorrindo
comendo
cantando a trágica comédia de se estar vivo

é!
é na solidão é que se pensa
se pensa nestes nadas com coisa alguma
eis que lá estavam todas as coisas

terça-feira, 10 de maio de 2011

O filosofo

O filosofo é aquele
que diz uma verdade
mas diz que não é dele

sábado, 7 de maio de 2011

Aos Blogueiros

Todos querem falar
meu Deus também quero falar
mas falar para quem?
Para os poucos que querem falar!?

Com os olhos fechados
aprendi a escutar
a ler minha solidão impressa
ver de dentro o que de fora estava

ai quem sabe um dia
me libertar das grades ocultas
do deserto do meu blog
olhos demasiados atentos
engordando um boi
a muito já morto

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A Luz e a Escuridão

Um grito na madrugada
o sol nem nasceu de todo ainda
janelas abertas pra noite
e uma manhã como outra qualquer

a TV ainda não fez a realidade
um vizinho sai descalço na rua
coça os olhos do ultimo sonho
e o inevitável o atinge os olhos

uma luz que penetra o ser
na escuridão das ruas acesas
e lá vai mais um servo moderno
levar seu estomago a lugares alheios

e vamos com ele
como os raios do dia
voam na madrugada a dentro
liberta os seres de sua cova profunda

este servos modernos chega a um ponto de ônibus
muitos também vão de carro
mas o ônibus
faz saltar aos olhos o radicalismo da madrugada

No ponto de ônibus
dois mundos se entrelaçam
pessoas deixam a praça noturna
depois da comemoração da madrugada

a luz do sol comanda a passagem
pessoas voltam da madrugada
pessoas vão servir na luz do dia
mundos que se completam na diferença da vida

olhares costuram estes dois mundos
respeitosos
irônicos
ou saudosos
é ali onde todos os olhares se misturam

como se fosse
a ultima celebração da liberdade
ultima festa
ultima noite no primeiro dia

eis que o ônibus chega
levando sobre as rodas metálicas
uma borracha dura
uma vida dura de servidão

um servo completamente cego
para sua própria condição
uma cegueira branca
misturada a crueldade capitalista

e assim dois mundos muito antigos
se entrelaçam nesta noite
que anida não é dia
e pouco a pouco vai deixando de ser

entre a luz e a escuridão
está a semente da liberdade
igualdade profunda do diferente
voz primeira da vida

sábado, 30 de abril de 2011

Minha materialidade poetica

Ola a todos ou ...
nossa!  como isso aqui ta agitado ?!
vou tomar um pouco do cefe frio
o pão de queijo de ontem (que por sinal é muito bom)
e a poesia e a prosa aonde se encaixa?
dizem que a vida moderna
matou o velho do tempo
e apertaram o botão do FF
como isso já é velho
agora se usa setas no DVD!
ah que seja!
o que fizemos com o tempo ?
otimizamos ou nos sobre-carregamos?
carregar a si mesmo?
eta tarefa dificil
talvez só nos desenhos de waldisney
pois é como no desenho
fotos que formam o todo
os olhos não percebem mesmo?
enganos profundos da visão
eu quero apertar o play!
mas não posso!
não deixam!
a TV faz o tempo corrido
e eis que ouço a maior das mentiras pregadas
"o dia bem que podia ter 30 horas"
já tem banco neste mundo!
o que mais falta neste dia de 30 horas?
sei lá voces
venham com agente diria a TV!
e vamos desavisados
assim cegos para as fotos de um desenho sombrio
Ah chega!
ecos ecom ainda chamando Narciso
vou dar dois paços atras
e ver o fime de novo
e de novo se for necessário
e em uma rarissima materialidade poetica
vou reduzir minha carga horaria nesta faculdade
e cursar semestre que vem
apenas duas cadeiras
porque tempo é que não me falta
Até Alan

Poema publicado na faculade de filosofia

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sobre a TV

Enquanto eu ainda puder desligar a TV
continuarei acreditando na humanidade

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Idiotismos milenar

O mato invadiu o asfalto
ah isso não pode
podemos nos transitar em paz?
Sem que a vida salte ante os olhos?

Eis que uma flor
brotou entre as grades da auto-estrada
e gritaram os desacordados
“chamem a companhia responsável!”

a companhia chegou
chegou também um maquinário pesado
pronto a degolar o mato que não presta
a vida que nos resta

o equipamento ligado
cortaram a flor que invadia o asfalto
ah mas isso já se faz a milênios
matar flores para celebrar a vida

o que é então matar a flor
para liberar a via?

sábado, 9 de abril de 2011

Diagnóstico

Eis que o senhor tem um leve altismo
uma esquizofrenia rasa
uma bulcite cronica
e uma vontade de viver moderada

sim Doutor
e meus poemas?
ah estes ai coitados
nem mesmo um tango Argentino

domingo, 3 de abril de 2011

A borboleta

Uma borboleta entrou pela janela
pousou na estante
como se fosse fazer parte da família
sim pousada na estante

entrou na conversa
pediu licença
e voou de volta
deixando uma solidão profunda no peito

olhei pela janela
e a vi voar livre
como voam as palavras

e voei sozinho naquela tarde

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dandara dos Palmares

Dandara ialê de Ganga Zumba


Dandara o rei morreu
o ganga amante das almas
do ódio cravado no peito
a base de chicotada

Dandara o rei morreu
levando seu filho no ventre
filho da escuridão e do vento
Dandara caminha na mata

Dandara das águas
do tempo passado
das eras passadas

Quilômetros da Africa
passos curtos na mata
nas guerras os pés de Dandara
dança no fundo das eras

Dandara o rei morreu
nosso rei negro
Dandara caminha pra longe
levando um filho no ventre

Dandara se esconde
e o ganga menino nasceu
filho do vento e de Dandara

eis que nasceu um menino
da cor do Brasil
do ventre de Dandara
Nasceu o ganga Brasileiro

o ganga sem palmares
ganga nascido nos fundos das eras
no ventre de Dandara
Nasceu o ganga Brasileiro

sábado, 26 de março de 2011

Meu casaco

Um dia quando era criança
minha vó me disse:
vou lhe fazer um casaco
eu cresci e o casaco crescia comigo

eu que esperava ansioso
não podia entende-la de todo
passaram anos
e ela veio me tirar as medidas

e perguntei?
Vó ainda não fez meu casaco
calma meu neto vou fazer um casaco
que você não perca quando crescer

passei alguns anos no frio
e chegou o dia tão esperado
ela segurando a peça
e meus olhos brilhando

sim um casaco
simples
tinha tudo que um casaco deve ter
mas esse era diferente

loja alguma venderia um casaco igual
este casaco é meu
minha vó é quem fez
tem amor nos pontos do crochê

sexta-feira, 25 de março de 2011

A metafísica de Platão

Eis que disseram que nada sei
e todas as coisas humanas transbordaram
entre a taça e o veneno
agora sou tudo até o cosmo tem pedaços de mim

pedaços de minha ideia de cosmo
uma alma que perpassa o inteligível
que já soube dos mundos que não sei agora
uma alma que me liga a tudo que existe

cavalos suprassensíveis
eis que toda criação
e não-criação
deriva do mundo inteligível

nas sombras vivemos
da caverna não saímos
sombras são meus corpos
na luz o verdadeiro princípio

as correntes, as amarras
não me deixam levantar
o movimento é necessário
Parmênides que me perdoe!

Não me engane o pensamento
por trás da ave o voo
da flecha a chegada
e do ser minha alma

sim, a mesma que preferiu
beber do veneno
à mentir a sua cidade,
queridíssima cidade,

cidade das sombras
das luzes que não se vê
da verdade velada
entes que não consigo abandonar nas sombras

ideias perfeitas demais
sobrando no mundo das crueldades humanas
e ele sonhou com o futuro
livre de amarras e sobras

amarras sensíveis
demasiadamente sensíveis
e dividiram o mundo em dois
em espelhos foscos de narciso
dois mundos
e uma alma

no meio o mundo lunar
homem não é casa e jamais será sapato
o que é, é!
Mas isso é a próxima estória

quarta-feira, 23 de março de 2011

Tiros em Copacabana

Deram tiros na face de um cara
ele só dizia a verdade por trás da cortina
da cortina suja do teatro político
uma verdade inferida e suja

quem vai sentir falta se ele morrer
a mãe e o pai, talvez?
As coisas são mais sérias do que parecem
eis que vejo o silêncio da maioria

preferem ver corpos sarados na novela
sangue? sai pra lá coisa ruim!
senão espirra na calça cara
comprada a muito custo!

Silêncio estranho
cade a compaixão humana?
nossos entes tomando tiro por falar a verdade
e nós aqui sentados olhando pro mundo televisionado

tiros na cara do traidor
de um sistema que rejeita a verdade
mas a verdade não se cala com balas
nem com a força bruta

basta! isso me enoja
como falar de amor
se o tempo é da morte das vozes
e batemos palmas pro grande espetáculo

que grande ironia
palmas para o espetáculo da vida
da morte
e do silêncio estranho que envolve nossos peitos

segunda-feira, 21 de março de 2011

Poema a Bandeira

Cavalinhos e cavalões
ah! hoje não temos mais tantos cavalos
o metal tomou conta de tudo
e ronca nas pistas lisas do autódromo

e nós cavalões continuamos comendo
mal mas comendo
vivendo pelas beiradas
tropeçando nos cadarços do tênis

ah! bola vai bola vem
cavalos comendo
vivendo
eis que vejo uma cavalo atropelado

quarta-feira, 16 de março de 2011

Parede de pedras

É uma parede de pedras
não é o muro que recebe lamentações
mas é uma parede de pedra
não é que os Judeus tem razão

nada melhor que uma parede de pedra
para dizer, não
aqui você não passa
aqui é o fim de seus passos

lamento
mas não vou lamentar ante o abismo
escalarei a parede de pedras
e verei o que se esconde no horizonte

pedra em cima de pedra
passo a passo
vou levando minhas pedras
vou fazendo meu caminho de pedras

caminho perdido
caminho de pedra onde não vai ninguém
pedra a pedra
levanto o muro, o meu caminho de pedra

quem tem ouvidos que escute
pedras rolando o abismo
singelas pedras que rolam o abismo
e fecho os olhos

um respiro ultimo
e pulo meio ainda descrente
não sei que realidade vivo
estou prestes a testa-la pelo absurdo

as aves que me perdoe
mas voei com mais destreza
e como Peter na terra do nunca
voei livre pelo as pedras de meu caminho

mas como é perene voar com pedras no peito
a ar que te segura
um dia deixa de te sustentar
e caio com pedra segura de si

uma queda firme
queda do real que me engano
pedra do muro de pedra
pedra que pulsa no peito
grande pedra
mãe pedra
ahaha!!!!
me vem a realidade crua

estou caindo
prestes a encontrar o inevitável
não voei se não por alguns instantes
bons instantes aqueles

eis que a grande pedra se aproxima
lá vem o chão
como verdade simples e una
uma grande pedra viva

ahahahaha!
Não estou pronto ainda
e quem estará pronto um dia?

Eis que acordei suado
mas leve como uma pluma
e voar
nunca mais!

segunda-feira, 14 de março de 2011

A criação de Deus

Deus não criou o mundo do nada
ele se criou do nada
depois o resto é fácil

sábado, 5 de março de 2011

O carnaval Brasileiro

Hoje é carnaval
a festa tão esperada do ano
mas hoje é sexta ainda?!
Disse o transeunte desavisado

Sim carnaval começa mais cedo no Brasil
e acaba alem das quartas de cinzas e ossos
ou nunca acaba
é sempre um sonho absurdamente vivido

a festa da carne
do corpo
da massa de carbonos e elétrons
Sou um rei, ninja ou cotonete

não sou no carnaval
é um eterno não-ser
fingimento poético
um querer ser já sendo

Assim vai a folia
longe dos cervos pagãos do antigos carnavais
eis que ali passa um Tarzan
vestido de tanga e com uma macaca de pelúcia

tudo tão falso
como o real que reveste tudo
o peso das roupas
e do pão que enche barriga

o PIB subiu!
Coisas boas na TV!
Carnaval!
Sonho meu povo que sonhar faz bem a alma!

o cheiro do povo
da massa que se esfrega no calor
se arrasta pelas esquinas
eis que Peter Pan se enrosca com a Sininho

o Ruck está sozinho coitado
também com tinta verde ninguém pode
verde é cor da esperança
e não há esperança no carnaval das esperanças

Assim vai o carnaval brasileiro
comemorando o hedonismo
vivendo ao menos por um dia
vidas outras não vividas

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ser poeta

Não vi musas
não imitei cascatas
nem mar bordejando
saudades ou solidão

sou poeta dos olhos de dentro
que a tudo vê
e nada enxerga

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A carta do ultimo ser

Eis que sobrei
todos se foram
sim todos se foram e procurei
e como procurei

fiquei sobrando somente
ultimo de vários de minha espécie

fugi na ultima hora
todos morreram
inclusive meu amigo de viagem
sobrei sozinho inerte olhando a morte nos olhos

vendo as estrelas
pela janela de minha nave
não sei a quem escrevo
e porque faze-lo?

É esta esperança que não morre
a terra esta feia daqui de cima
o azul a muito se foi
verde não vê mais sobrando

só este encarnado que criamos
cor da mãe terra
que engoliu a todos

minha água é pouca
comida também
olho o espaço negro
e me vem uma ideia louca

será que eu
o ultimo ser vivente
encontrará a terra
aquela, famosa e prometida

Será que deus
é tão irônico assim?
Não, não creio que acharei vida
nem terra prometida

sou o ultimo exemplar ainda vivo
o ultimo coração que pulsa
ultimo de uma história comprida
de tantos que já se foram

eis que agora bebo
o ultimo gole de água
sim a ultima água
a ultima gota que me resta

como foi bom beber água
sim foi muito bom beber a ultima água
não beberei mais nada
guardarei minha dignidade humana

a ultima dignidade humana
um luxo que concebo a mim
mas sei que não durará muito
pouco tempo me resta eu sei

talvez o tempo desta carta
o tempo necessário de escreve-la
e ler é claro

se há o ultimo escritor
também há de haver quem o leia
nem que seja o próprio que escreve
e eis que sou o verdadeiro escritor

escrevo se não só para mim
grande ironia dos tempos
a verdade a muito buscada
e agora em minhas mãos reveladas

ainda sonho alto
coitado de mim
verdade revelada?!
Não há verdade só uma morte

a ultima morte
o resto é só palavras
palavras em cima de palavras

chega desta agonia!

não sei o que faço agora
se embrulho a ultima carta
e envio ao nada desta escuridão
e me jogo no abismo em direção a terra

ou se deixo minha ultima dignidade de lado
e encravo a carta como uma ultima lápide
na ultima tentativa grosseira de viver alem
e me lance na escuridão do espaço

e eis que de repente escolho
ainda calculo probabilidades
será mais fácil se algum dia
encontrar a terra do que uma carta no espaço

e decido me jogar junto
engolindo forte e com dignidade
vou fazer meu próprio enterro
e eu mesmo botarei minha lápide

e aqui jaz o ultimo dos seres
e viva a comédia da vida
e viva a vida

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Os olhos de dentro

Não sejamos demasiadamente cego
olhamos pelos olhos de dentro
enxergando o que de fora estava

não exitemos ...
de olhar a si mesmo até enxergar o outro

e quando o fizer bem feito
eis que se percebe a velha verdade
de que somos o universo inteiro
e não somos nada

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A casa amarela do porto

Casa amarela
reboco caído faz tempo
soçobrou a fachada
tombada por papel e tinta

não há mas janelas
grandes janelas haviam
puseram tijolo nas janelas
cobrindo os sonhos antigos

casarão velho do porto
talvez um comandante
longo curso viagens antigas
fosse seu mais ilustre morador

olhando o mar pela janela
sua esposa esperava um navio voltar
voltar de vários dias e meses
uma espera eterna do mar

e um tiro arrebentou o céu
um bote se aproxima da praia
uma botina no cais de tapume
eis que o comandante chega em casa

e abrem-se todas as janelas
o ar penetra a casa como um doce perfume
uma olhada no espelho
um respiro fundo e um sorriso de abrir porta

e lá esta ele
seu comandante impecável
viagens e lugares não conhecidos
batalhas jamais batalhadas

dois sorrisos se enlaçam
todos agora sabem
o comandante está de volta
e as janelas abertas pra vida

o tempo passou
a vida quase voltou a rotina
quando o mar e ganancia
levaram de volta seu comandante

e não se ouviu mas tiro
nem bote
nem botina
sereias o levaram pro fundo do mar
o tempo passou mais um pouco
os filhos seguiram seus próprios passos
saíram do mar
venderam a casa amarelada com tempo

hoje
não temos nem a sombra do comandante
nem botina no tapume
soçobrou a fachada e as janelas fechada

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Politica médica na terra do sabiá

Ei medico
salve minha vida
eu pago imposto
não roubo nem nada

ei doutor o que eu faço
estou vivo ainda
o que fazer meu Deus
a dor não para

Assim vai a politica médica
do meu pais de sabiás
pais de palmeiras
e políticos bandeirantes

moribundos rolando no chão
em lugares alheios ao capital
lixo vivo quase morto
escondido nas paredes do hospital

aqui morrem os pobres!
ocultando sujeiras ensaguentadas
e depois da morte é fácil resolver
a mãe terra aceita todos
e a dor não para

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A casa em construção

A janela incompleta
não está aberta ou fechada
não tem onde apoiar os braços
muito menos os olhos

Ela é um buraco na parede
aquilo que podia ser
mas ficou nos limites
da comunicação perdida

o mundo fora dela
é um quadro imperfeito
com as bordas mal definidas
e um vazio solidão assombroso

o quarto fica assim meio perdido
voltado pro mundo real
sem sal material
início do fim

eu este visitante ladrão de cenas
encaro-me no espelho
e ele está embassado
do pó cimento das coisas

está casa são como todas as casas
tetos largos ou não é uma casa
construção nunca acabada
de revelias internas

ando por entre os comodos solitario
pra que tantos quartos?
e estes banheiros onde vão dar?
Acho que estou a esperar vsitas

Mas elas não vieram
a casa nunca acaba
está ali sempre pela metade
a espera dos que não vem

então no alge do consumo de mim
procuro a porta saida do que sou
e não há porta ... apenas paredes
e uma janela inacabada
que da para o mundo

A receita econômica de um bolo podre

Ingredientes
1 xícara de políticos bem pagos
Algumas colheres de dinheiro sujo
uma pitada de mentira bem pregada
uma vontade de ganhar dinheiro a gosto

Material
2 bacias rasas
uma pá de informações erradas
e um forno que a tudo mata

Modo de preparo
Junte os ingredientes a revelia em um bacia rasa de preferencia bem grande destas que se encontram no centro do país. A outra bacia vire-a de cabeça para baixo e coloque lá tudo aquilo que veio a mais porque vai que no futuro falta?!
Misture bem a maçaroca com uma pá de informações erradas e leve a forno que tudo mata.

Espere alguns meses tireo do forno e coma logo antes que um aventureiro lance mão e o bolo seja repartido com quem não deviria come-lo.

E Assim é a receita passada de pai para filho da política podre do meu pais.

O jornal de cada dia

Caiam gigantes mundos
o mar entra pelas frestas
e eu surdo e imundo
dos jornais do agora

seja o que for dito
não é mais presente
ausência do dialogo
sim morte instantaneamente

como se fosse um bebado
sujo das quinas dos muros
completo alienado mundo
das verdades dos fluxos

e seja como for
aquilo que se disse antes
não passa de um pedaço
amassado do instante

que não foi
que não é
jamais representado

e os sinos dobram
lembrando-me do momento
e de fazer-nos a ultima prece
porque a morte não tarda

Rezemos

informação que há por vir
santificado seja vosso nome
criaremos o vosso reino
e que assim seja nossa vontade

tanto na terra
quanto no ceu

o jornal de cada dia me traz hoje
contemplais vossas ofensas
assim como contemplo
os meus ofendidos

não nos deixais sentir a informação
e livrai-nos do mal
amem