quarta-feira, 23 de março de 2011

Tiros em Copacabana

Deram tiros na face de um cara
ele só dizia a verdade por trás da cortina
da cortina suja do teatro político
uma verdade inferida e suja

quem vai sentir falta se ele morrer
a mãe e o pai, talvez?
As coisas são mais sérias do que parecem
eis que vejo o silêncio da maioria

preferem ver corpos sarados na novela
sangue? sai pra lá coisa ruim!
senão espirra na calça cara
comprada a muito custo!

Silêncio estranho
cade a compaixão humana?
nossos entes tomando tiro por falar a verdade
e nós aqui sentados olhando pro mundo televisionado

tiros na cara do traidor
de um sistema que rejeita a verdade
mas a verdade não se cala com balas
nem com a força bruta

basta! isso me enoja
como falar de amor
se o tempo é da morte das vozes
e batemos palmas pro grande espetáculo

que grande ironia
palmas para o espetáculo da vida
da morte
e do silêncio estranho que envolve nossos peitos

2 comentários:

Alexandre disse...

Olá, Alan!
Fiquei lendo e relendo seu poema, por volta de uns 20 minutos....é muito bom!Não sei se já comentei, mas meu TCC é sobre Carlos Drummond...e seu texto não tem como não me fazer lembrar do discurso de Drummond, principalmente no livro "A Rosa do Povo".
Curti muito!!!

Alan André de Figueiredo disse...

Ola Alexandre
muito obrigado
adoro o mestre deste vasto mundo
não temos como fugir da polírica
a pequena rosa que fura o asfalto
tão fragil!
eu tenho alguns poemas que fazem referencia ao tempo em que estava lendo Drummond. vou postar ainda.
obrigado pelo comentario
e estaremos sempre em contato
e viva a comédia da vida!
Até Alan