quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Maria

Maria, o que você quer?
É chocolate, Maria?
Maria adora chocolate

é como você disse, né?!
“Adoçar a vida meu minino”

Maria, o que você quer?
Um CD de pagode?
Ah! pagode par vida
vida da Maria e do chocolate

Pagode para alma de Maria

Maria, o que você quer?
Aproveita Maria
pedir não é todo dia
O que você quer, Maria?

Maria não quer seda
Nem barco
nem muito dinheiro

Maria quer viver a vida
Trabalho pão e moradia
vida rica de Maria
não precisa muito

Maria

Não tem folha de estanho
nem muita metafísica
só um bocado de parcela da alma
alma simples de Maria

Mas Maria sonha
sonha com distâncias infinitas
na prisão de seu sofá
vão Marias e suas irmãs
                                       sonhar

Irmãs doces de Maria

Viver a vida e ir sonhando
grande sina de Maria
Maria boa
Maria mãe de todos nós

Adeus Maria
Até qualquer dia

domingo, 16 de dezembro de 2012

Quase poema

Queria fazer um poema
que foi um poema de ontem
uma ideia de ontem
eu quase fiz este poema


mas hoje não dá mais

sábado, 1 de dezembro de 2012

O caminho do asfalto

Uma pipa presa no poste
uma linha solta no ar
um menino
um trabalho

O menino larga o peso
do isopor pesado da vida
corre por entre os carros parados
pula vai pegar a pipa

a linha resiste
o poste resiste
um sorriso como o por do sol
ninguém põe reparo na felicidade

Ele não desiste
a pequena pipa sacode
se enrosca desenrosca
freneticamente balança

eis que ela se dá por vencida
tomba no asfalto
como pedra quer cair
deve cair nas mão da felicidade

Cair … é o destino supremo
negar é a loucura dos justos
o menino volta as ruas e aos carros
a seriedade volta mais branda

mas volta

afinal a vida vence
a pipa é o troféu dos anônimos
heróis de uma infância roubada
e a criança sempre há de vencer

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O capital e o mercado

Deposito no silencio
toda esta espera
cheia de contemplação
para com tudo que vejo

revejo no silencio
aquele ponto mal disfarçado
que vai desfiando a mascara que uso
este teatro de fantoches comerciais

Quem há de desfiar meu fantoche
meu engodo carregado de desespero
esta ânsia de vontade conciliadora
este eu no palco das efemeridades profundas

tenho forças para tal empreitada?

Desafiar a maquina de fantoches
e seus deuses caídos de um helenismo podre
deuses do enterimento patético
com uma humanidade para com todo não-humano

deuses do rir a toa e dos números da querencia
pregam as pessoas com martelos virtuais
ativam metralhadoras com o apertar de dedos
e sorrisos de uma sutileza cruel

negociam vidas e espaços no tempo

negócios e créditos inexistentes
a crença é sua mais alta moeda
dos crédulos fervorosos do capital
com uma ignorância profunda para a vida

medem a vida com moedas ocas
recheada desta ignorância pregada no jornal
de um falar para tolos
rir é o remédio desta depressão cronica

subam no palco e compartilhe sua depressão
com a mais cruel das gargalhadas
insultem a plateia e seus farfalhar tolo
seu remexer na realidade torta

e cantem nas esquinas e nos bares

salve o pão e a morada
a cerveja e a ignorância
e porque não os milionários

sábado, 27 de outubro de 2012

Fla X Flu

Nelsinho disse
que nasceu 40 minutos antes do nada
mas para mim
é nada contra coisa nenhuma

Ah sim é claro
é circo
é um cala a boca diário e sutil
nos corações agoniados

domingo, 14 de outubro de 2012

O hotel

Entro no quarto como se fosse meu
o velho hotel perdido no espaço
vou jogado a mala com uma intimidade
de cheiros e abrir gavetas

arrumo meus pertences
passageiros pertences
no velho quarto que é meu
e de todos que aqui passaram

e passo assim despreocupado
que eu volto eu sempre volto
quantos verso não fiz nesta mesinha?
mesa velha e carcomida

quantas pessoas não vi passar
nestas janelas da vida?
lá estava um poeta
a espiar o dia

ah! esta cama arrumada
escondendo no branco lençol
vida e mais vidas passadas
dormidas ou sonhadas

e me sinto em casa
uma casa minha e de todos
a casa velha que não tive
os degraus de uma antiga escada

não troco este quarto por nada
nem hotel de cinco estrelas novinho

não tem cheiro de vidas passadas
nem identidades manchadas na parede
não é quarto
muito menos morada

estar em hotéis velhos
é quase estar em casa
sempre há vida pulsando
nos corredores e nos carpetes

pego o telefone
disco o numero da recepção
como quem liga para um velho amigo
uma voz rouca e conhecida

poi não?!
E eu translocado e contente
digo:

Ei amigo
 
linda esta vista lateral da janela
uma rua quieta e escura
iluminada pela luz da lua
a luz branca nas faces das pessoas que passam
me faz sentir a vida
não achas?

O senhor quer mudar de quarto?

Não jamais!

O senhor deseja mais alguma coisa?

Calei e percebi o absurdo
o absurdo de se estar sozinho
de amar a intimidade das coisas
perceber as pequenas coisas deslocando da vida

e lá no fundo
 
senhor

senhor

desliguei o telefone
tomei um belo gole de água
desarrumei a cama
e comecei a ler um bom livro

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A borboleta e o transito

parem o transito
olhem ali voando
uma borboleta
dessas que voam felizes
tão cheia de sonhos
 
mas como é
metal
cinza
e duro
essa cidade
 
A borboleta coitada
deusa do acaso e do improvável
vai ser esmagada
no cinza metálico
do transito que passa
 
dou alguns passos
na minha solidão
de pedestre
 
e lá está ela
a borboleta sonhadora
voando por entre os carros
nesse dia semi-engarrafado
 
o sinal abriu
abriu também no ar
o som de uma buzina apressada
e a borboleta ali voando
por entre os motores ligados
 
Ai que agonia!
Fecho os olhos pro pior
aperto o passo cabisbaixo
triste fim da borboleta
 
e por um instante
desses que o coração
não se aguenta
olho pro lado
vejo a borboleta no alto
e acima dos carros e do chão
 
voando ao acaso
maestra da desarmonia
do cimento
borracha
e metal
 
Ai ! De novo uma agonia
um caminhão se aproxima
paro esperançoso na calçada
- levante voo minha amiga
 
e no instante do acontecimento
no limite do agora
pro que ainda vem
um para-brisa chapado
levou minha frágil deusa do acaso
 
Ah! se já não bastasse a morte
da borboleta solitária
seu assassino era um caminhão de flores
 
que ironia!
 
A cidade que compra flores mortas
não esquece de matar
borboletas vivas
sujando o vidro transparente
com matéria morta
que não vale
nada
 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Não sei fazer poemas de amor

E o padre disse:
Até que a morte os separe
Se há vida a pós a morte
porque ei de separar-me de meu amor?

Vinícius que não era um era vários
estava certo
é Amor que precisamos
Amor de todas as formas

Amar a vida e o destino
sim a difícil tarefa de amar o destino
Mas quando ama não tem jeito
não tem meio termo

Ama-se completo
por todas os cantos e beiradas
nas esquinas e ruas
ruelas e avenidas

Eis que existe amor nas ligas do asfalto
amor nas frutas das arvores
e na pressa dos pedestres
sempre atrasados para vida coitados

Amor nos olhares
nas rodas dos carros
nos pingos da chuva
no sorriso da criança

e só nos resta pegar este amor
percebe-lo escorrendo nas laterais da vida
inundando corações atentos
e é um Amar tanto que ultrapassa o verbo

perpassa pelos substantivos e preposições
Amar alem de qualquer interjeição
das virgulas aos pontos de interrogação
Amar completo todos os momentos

Amar é um estar na vida
e não passar por ela

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Em um subúrbio

Sempre a mesmo coisa
o mesmo tédio
e nada muda
o trem passa
e nada muda

nada

Uma morte
Uma fera
Um domingo

Mas um
dentre tantos domingos

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Coisas de meus contemporâneos


PROVE QUE VOCÊ NÃO É UM ROBÔ


Eu penso


VOCÊ ERROU  

PROVE QUE VOCÊ NÃO É UM ROBÔ


Eu existo?


VOCÊ ERROU

PROVE QUE VOCÊ NÃO É UM ROBÔ


Eu amo


VOCÊ ERROU

PROVE QUE VOCÊ NÃO É UM ROBÔ


Não sei porra!


VOCÊ ERROU

PROVE QUE VOCÊ NÃO É UM ROBÔ


Afndbsj 16


PARABÉNS!

SEU COMENTÁRIO FOI PUBLICADO

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Passeio no Shopping

Bem vindo

Aproveite a promoção dias...



você nunca espera não é?

Não aguento!



Vivaldi no elevador

quatro estações



você viu ela?!

cade esse menino que sumiu?

Blusa bonita só 14,90

quanto é este livro?

ESTE AZUL SENHOR?

Sim ficou ótimo









ontem ele me disse ...

chega de comprar vamos pra casa

eu quero aquele mamãe

que pena achei que ia dar

to com saudade do Tiago

vem Júlia vamos perder o filme!

Tomei um esbarrão no peito

já não bastavam os ouvidos

você levou aquela porcaria?

Ai todos foram expulsos da festa!

E foram para onde?

Você viu as chaves do carro?

Tomei três banhos hoje

eu já disse que te amo









Hoje faz três semanas

Ei espera ai

to cansada

você viu aquele cara?

Ontem foi um horror … minina

dois meninos pularam

Eu ainda ia te falar

seja bonzinho viu!

Ufa! Chegou a loja

o negocio é comprar e sair!





Dentro da loja



Gostei daquele

Vamos ficar mais um pouco

qual?

Peguei ela de quatro ih!

O preto

olha este vestido pai

tá pode ser!

Velho pra burro

Credito ou debito?

Credito

quer parcelar?

Não

embrulha par presente?

Não obrigado

O duda ficou uma fera

Obrigada e voltem sempre

nem me fala minina



Fora da loja







gastei tudo

Vamos! hoje tem na navela!

Lucas vem cá

Cheiro gostoso de hortelã

cara nem me fala

fiz pé de moleque

sabe

tá descendo?

Não

fica tranquila

gosto de passear no Shopping

tenho que comprar um vestido

Agora o elevador toca um piano

não conheço

Quanto foi o jogo ontem?

3 a 1 pro vasco

foda né ?!





Seis reais!







Muito obrigado

E não se esqueça do cin...

No transito

que ainda nem saiu do Shopping

Vai?! não foi tão ruim?

Por mim ficaria no elevador enquanto você ia lá

vai pelo menos você ficou sabendo quanto foi o jogo

é ... eu não poderia morrer sem saber

bobo … vamos pra casa

vamos sim meu amor o que eu não faço por você

eu sei eu também te amo






..



.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ps do Poema abaixo

Pois é
para os corações sensiveis
ou puros de mais para ver os pé imundos
pasmem
mas engula
temos outras coisas mais importantes não achas?!
Diabo, Diabo e Diabo
que isso palavra proibida?
veja por traz da cortina
ou do titulo
mas que seja
não guardo máguas
vamos é viver a vida

Ps2: me perdoem o desbafo mas ontem ouvi um comentario de um familiar: "este menino está perdido" Perddido eu sempre fui mas só notarm agora!

sigamos então

Até Alan

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Pacto com o lado obscuro de Deus

Chega! eu me demito
cansei de fazer metáforas
cansei de dizer dizendo
e não ser levado a sério

Eu me demito
não sou mas Poeta
que me perdoem todos
mas para que servem os poetas?

Se para nada
não faço falta
se canto as vozes dos deuses
de que adianta se eles estão mortos

ah! as borboletas
os passarinhos
destes sentirei saudade é claro
sim deste olhar de poeta

que enxerga os detalhes
detalhes cotidianamente ocultos

Chega!
Cansei da rejeição antecipada
Dos ih! é um poema?!
Dos olhares dizendo:
jura?!

Não sou mais poeta
ponto final
Não Não
Não podes meu amigo
Nasces-te assim
conforma-se
Porque não?
Não seria melhor para todos?
talvez se eu fosse um político
e salvasse o Brasil da corrupção?

Ahn!?
O que achas!?

Não seria melhor
escrever em linha reta
desnudo de meu Eu poeta?!
E das rimas rotas do poema

Não dá meu amigo
uma vez coração de poeta
sempre poeta
sua sina
Eu sei
mas não custa tentar não é?
até os próximos versos
quem sabe lá

não são meus últimos versos

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A dureza do real

Há um cinza tão real
que brota nas flores
nas grades das casas
um cimento duro que a tudo engole

não há teto nas ruas da cidade
mas moradores povoam suas ruas
um pingo de chuva
no pé sujo na calçada imunda

um corpo levanta
a sujeira fica nas quinas dos muros
cambaleando
é mais um dia que vai acordar amanhã

e um coração imundo
não vai mais levantar
este corpo morreu ali
entre a rua e a calçada

procurou a morte a todo custo
encontrou a vida das ruas
a cachaça diária
engolida para não viver

Aqui jaz mais um mendigo
um corpo em frente ao caixa eletrônico
o sol nasceu na segunda
e um velho morreu na calçada

entre a rua e o vidro
um cliente apressado
olhou a dureza da morte
e esgueirou-se para dentro do caixa

domingo, 29 de julho de 2012

A cidade e a pipa

A cidade de Deus
Entre o céu e a terra
Todas as cores
E vidas brotam de suas calçadas

Três meninos atravessam a pista
Carros desumanizados buzinam a ermo
Um deles vê uma pipa
Todos correm

Param a beira da calçada
Buzinas soam no ar da cidade
E agora o que fazer?
A pipa cai lentamente na pista

O ônibus lotado de gente e velocidade
Atropela a pipa sem dono
Seis olhinhos velam os gravetos quebrados

Parou de passar os carros

Um deles atravessa
Pega os cacos que voava
Traz para calçada

Arrancam a rabiola depenam a coitada
Os restos depositam no chão da cidade
Voltam felizes com a rabiola
E um bocado de linha

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A pergunta

O Tempo passa
ou passamos por ele?
de tal forma
que todos dizem:

“Como passou rápido
já tá grande esse menino
o tempo passou e eu nem vi”

Como pode?
Onde estava vivendo?
No trabalho?
Na TV? Cade sua vida?

O que é viver?

Que respondam todas as perguntas!

mas quem há de responder essa?
Qual ciência há de passar a linha
Se arriscar diante do indizível
Qual metafísico achará a grande verdade?

Me polpem dos papeis impressos
Das pompas modernas
Recheadas de uma limpeza imunda
De um falar para tolos

Aproveitar a vida?!
Viver com os cofres cheios?!
Rodeado de coisas e pessoas?!
Será isso a vida?!

Ou essa é a vida que devo desejar?

“Deseja-me
Mas deseja-me com força
Vai que aconteço”

Assim vão desejando
mal sabendo que o desejo faz parte da vida
Mas desejando vão vivendo
sorrindo chorando mas vivendo

Cada passo
cada tempo e segundo
vai passando
e passamos pela vida

Como é bom viver!

O que eu quero é Vida
viver para ver o que se passa
o que fica
ou que acho que fica

Viver para buscar a vida
Um sonho desperto que não me acordo
O nó na gargantas dos sábios
Dos que sabem mas não falam

Quero passar
e viver A minha vida

nada mais que isso
Porque se tiver estraga

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O mundo vai acabar

O mundo vai acabar!
será?
Sempre dizem

O mundo vai acabar!

Vai acabar
Os céticos que se segurem
O planeta vai rugir

Não sei
amanhã
ou hoje ainda?!

Se o mundo acabar em dezembro
tomará que seja num domingo
que eu vou assistir de camarote

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Sala de espera

A mesma pressa
ignorante pressa de não chegar
lugares que não são
pessoas vazias a vagar

espaço aéreo lotado
maquinas de bom salário
eu que sou sujo de mais
transbordo deste não lugar

que minha loucura seja perdoada
ando devagar
meu voo está atrasado
e sempre estará

domingo, 17 de junho de 2012

Sobre Anarquia pratica

Enquanto houver fome e desabrigados
Não haverá liberdade civil
Enquanto houver crianças mortas por balas
Minha liberdade fica capenga

Quero ser livre!

Não há liberdade para poucos
A violência deve acabar
Até lá vamos sonhando
Vamos fazendo

sábado, 12 de maio de 2012

A arte

Objetos de arte
São utensílios dos Deuses
Ou utensílios inúteis
Que manifesta a liberdade criadora do ser

O artista traz do abstrato
O oculto e o extremo da existência
Faz de seu tempo todos os tempos
O múltiplo que se torna uno de todas as formas

A arte finaliza o discurso
Nadifica a coisa e o artista
Arte não tem predicado
Está sempre no limite das palavras

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ao Narciso

O narciaso moderno
Não morre afogado no lago
No maximo quebra o nariz


terça-feira, 1 de maio de 2012

Ao suicida

Versos delirantes
saber a qualquer custo
que sabe que sabe
Aquela tênue linha da loucura

O momento é uma agora esticado
Um nó de quatro pontas
tal como os sapatos
flutuam nos pés dos suicida

O nó na garganta
e aquele momento
passa num instante
um pendulo de um relógio abstrato

relógio de uma irrealidade
desmedido de tempo
último movimento
ultimo ato

depois

silêncio

Absurdos silêncios
escondem a tensão da corda
a força que faz flutuar os sapatos

Os que foram querendo
fitaram com os olhos atentos
a mente delirante do primeiro Fausto

terça-feira, 24 de abril de 2012

aquele indigente
caido na existência
por ora caído ao mar
iguala-se a toda gente
ou nada para a vida
ou debate-se para nada


é um poeta disponível
por acaso alí também nas aguas semeado
quem primeiro recolhe à alma
a aflição daquele sempre aflito
porque para qualquer realidade
haverá sempre

um poeta de plantão

como ajudar aquele náufrago contumaz
um poema,talvez?
ou seu jovém braço?
mas que seja rápido
pois é obrigatório aos poetas
 ludibriarem à morte

petas são hábeis neste ofício
porque vivem náufragos em sentimentos

decide-se por seu jovém braço
ainda crédulo nas virtudes humanas

a mão estendida à generosidade
a alma à absolvição social
para depois o poema!
porque o físico suporta melhor ao físico

feito!
alívio, júbilo, comunhão.

agora,
cada qual que siga fiél
o seu traçado histórico

porém
quem irá salvar o poeta,
o que lhe oferecer,
quando as emoções encobrirem-lhe a alma?

sempre, ninguém!
sempre, nada!
um poema, talvez?
                                cz
-----------------
Agradecedio Cezar!

terça-feira, 10 de abril de 2012

O ultimo poema

Talvez sejam estes meus últimos versos
ultimo sopro de qual quer coisa vivida
Talvez amanhã não exista
invento minhas saudade pelo novo

Viva ao novo!
O novo de uma velhice entranhada
uma sabedoria profunda
Assim quero meu ultimo poema

repleto de simplicidade
o amor pela vida
que transborda da beirada do poema
o amor pela vida me faz levantar nas manhãs

Eu quero meu ultimo poema
Eu quero agora!
Como nunca quis querer antes

que acabe meus versos no mar
boiando a deriva
como um louco navio velho
eu quero meu ultimo poema

como o cheiro de um navio velho
tão seu de gente passada
impregnado de sal que gruda na antepara
Que meu ultimo poema seja como um navio velho

Vagando a ermo em sua ultima viagem
Seu velho capitão a observar o horizonte
com uma atenção desalinhada
De chinelos no passadiço

Assim quero meu ultimo poema
Solto de suas próprias amarras
navegando reto e sem destino
esperando chegar a todos os destinos

Assim eu quero meu ultimo poema
o ultimo escrito a boiar
no mar da minha vida que foi

Tal como o velho Capitão
deixarei no cais da saudade
as lembranças e meus poemas

e lá de longe

onde a mente não alcança
vou arrastar meus chinelos
e terei feito
meu ultimo poema

terça-feira, 27 de março de 2012

O louco mendigo confiante

Pulou n'água
Seu corpo frágil de idade avançada
Nada confiante na baia imunda
A maré esta baixa

O cais alto de mais para seu corpo moído
Seu pé quebrado e torcido de anos
Ressecado de dor e cascalho da cidade
Banho matinal de águas que niguem quer

Me ajude a subir por favor!

Quem de nois se habilita
A sujar nossas mãos limpas?
Um grupo de tres sai de fininho
Outros dois mais sujos viram a cara e finge não ouvir

Meu coração acelera
Sou eu com mimhas mãos de poeta
Ele me olha confiante e diz baixinho
Como se fosse so pra mim

Me ajude!

Meus olhos enchem d'agua
Jamais viraria a cara
Largo minhas coisas meio indeciso
Eu sei devo largar tudo

Começo a caminha para a escada do cais
Eis que surge uma lancha
Eu paro com um nó na garganta
Ele grita me ajude!

O mestre da lancha reduz
A lancha boia por uns momentos
Fico indeciso com meio passo adiante
Uma corda é lançada seu corpo arrastado

A bordo vejo um sorrizo vindo pro cais
Seu pe calcificado vacila na passagen pra terra
Estou salvo muito obrigado!
Gestos largos de uma locura agradecida

Ele me olha desnudo de mimha capa social
Faz alguns segundos de um suspense infinito
Observa seu corpo inteiro do banho matinal
Eu não desgrudo meus olhos culpados de indecisão

Ele abaixa
Pega um mechilhão solto da pedra do cais
Talvez seja sua refeição nesta manhã morna
Bota no bolso da calsa molhada
Eu não desgrudos meus olhos culpados

Ele me olha
E diz com um sorrizo de lado
Muito obrigado
Uma facada aquele sorrizo

O nó da garganta foi estraçalhado
Balbucio com os olhos mariados
Me perdoe!
E nada mais foi dito nesta manhã

É perdão profundo
Nada de agua, manhã ou mechilhão
É um perdão cinza e asfaltado
Uma culpa de geraçõe passadas

Volto ao meu lugar
Ele aos poucos se recompõe
Veste sua roupa
E sai de mansinho com seu mechilhão mão

Passa a passo afasta_se
Senta na estatua de Dom João VI
Observa as maquinas assalariadas
E dorme tranquilo aos pés do cavalo

quinta-feira, 22 de março de 2012

Poema a wittgenstein

Apenas jogo de linguagem
Jogo que decide o real existir
Face transparente de mais para uma visão ordinaria
Vagas regras da História do mundo

Ondas de um mar denso
Metaforas alguma há de delimitar o filosofo
Satisfação sentida nos poros
Ponto a ponto de uma lã profunda

Cobrindo a face do frio
A frieza da verdade ultima
Eis que agora a lã se desfaz puida
Mãos que seguram a ordem das coisas

Qual logica sublime há de ser a ultima?
A ultima regra do jogo de regras frouxas
Regras sobre regras tal como pedras
Afundando no pantano dos caminhos da verdade

Palavras signos e linguagem
Vamos construir o novo de novo
E o passo adiante

sexta-feira, 16 de março de 2012

O motorista de ônibus

Um ponto de ônibus
uma parada
um sorriso
é tão bom quando um sorriso
inaugura o dia

sexta-feira, 9 de março de 2012

No Pais do futebol

Poema dedicado ao Leonardo
Foi da conversa diária que surgiu versos
Obrigado por me fazer perceber
Que da diferença se tira o verdadeiro resultado


No país da politica futebolesca
O politico rouba no jogo da vida
Mas a galera quer meter a porrada no arbitro
Que me perdoem os brasilienses
Se esse povo Acordar mal humorado
Brasília some do mapa

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Versos da depressão consumista

Num domingo

Não há tradução ou poema perfeito
É apenas a vida batendo na porta
E eis que não tinha ninguém em casa
Estávamos todos comprando nada

Assim passeando no domingo
Mais um dia qualquer
A satisfação nunca chega
É sempre um momento depois do agora

Amanhã quem sabe sou feliz
Ou talvez faça aqueles versos
Aqueles que não me deixou dormir
E sismou em bater cá dentro

A inutilidade do domingo
Costurada com a segunda útil de um mês perdido
Trabalho suor pesado
Vencer na vida e nem reparo

A vida bateu na porta!
Na trave de um goleiro desatento
Força nos braços cansados
E não resistem ligam a Droga da TV diária

O milionário do apresentador
Tem orgulho de mostrar o sobrevivente do desastre
Bundas rebolando junto com sangue suor e lagrima
As vezes me bate um sensação de irrealidade

Qual o limite deste absurdo?
Quem foi que chorou e disse: Nossa isso é sublime!
"Pensei em Deus e na família"
Vamos aos comercias
Balancem a bunda e vamos ganhar dinheiro

Faz parte do show
Afinal de contas o carnaval tá ai
Vamos beber os dias inúteis
Escravos depressivos e drogados

"Drogas? to fora!
Só umas novelinhas de vez em quando
Mas se embrulhar com um jornal mal feito
É o anti-depressivo mais feliz da parada"

Já deu dez horas
Cinderela pega o ônibus amanhã as cinco
Sono de drogado é profundo
Amanhã é dia útil

Carnaval é só na quarta
Quem sabe se até lá não morro de overdose

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Na aresta de um brinquedo

Quer botar o mundo na boca
Pedaço a pedaço
Aprende a selecionar
O que vai e o que fica

Vai meu filho
Sentir o mundo por dentro
Nas arestas de um brinquedo
Encontra mais verdades que todos os filósofos

Se é que filósofos encontram verdades

Na atesta do brinquedo
Seus olhos enxergam por dentro
Enxergam aquilo que esquecemos de ver
Um pedaço saboroso desse mundo repleto de pedaços

Pedaços azuis e vermelhos
O sabor da dureza e do macio
O leve verdadeiro e na medida do pesado
Os cantos inalcançados da ideia que é a coisa em si

Vai meu filho
Minhas palavras perdem a cor
Você mastiga o brinquedo com muito mais certeza

Vai meu filho
Me ensina a ver um mundo diferente a cada dia

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A morte amena


A morte é tão obvia
Que somos cegos diante da paisagem
Podemos ouvir os pássaros
Mas jamais velos por detrás dos montes

Eu sei um dia acaba
O absurdo simples invade o cotidiano
E o obvio se torna oculto
Lagrimas para curar a falta

Flores para os mortos
Os vivos festejam a triste partida
A derradeira festa da vida
Os pés a caminhar soltos dos corpos

Amanhã é segunda
Todos continuam a vida amena
Uma necessidade de partir
No feixe da consciência da vida

O sol invade a varanda da casa
A casa vazia
Primeiros passos estreiam a manhã

Eis que a imagem do espelho
Me diz:
Estou vivo
E metafisica alguma há de racionalizar isso

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A ridícula condição do poeta

A rima é ridícula
Ser poeta é ter qualquer coisa de ridículo
De não ter utilidade
Pra que servem os poetas?

Não sei
Acho que é como perguntar pra que serve as estrelas?
Não há utilidade na vida
A utilidade é presa na razão do momento

O poeta é ridículo
Mas não um ridículo cotidiano
É um ridículo qualquer coisa
Um ridículo pra dentro de metáforas

Como é ridículo explicar este ridículo
Ta ai o embaraço de se dizer poeta
De guardar na gaveta aqueles versos
E nem voce ter coragem de fita-lo

O medo do ridículo cotidiano
Da risada apòs uma rima ridícula
De um verso escapar do contexto
Da viagem mal sentida

E é por isso que todos os poemas
Sempre tem qualquer coisa de não acabado
De oculto e não visto por todos os lados
Profundidades abissais escristas em versos

Coitado do fragil poeta
Que ao leve balançar de um risada
Se encolhe com um caramujo ferido
Orgulho de poeta de gaveta fechada

E vai engolindo o orgulho
E derrepente não mais que derrepente
O poeta ferido no alge de seu ser caramujento exclama:
Escrevo versos para posteridade!

Libertem-se fragies poetas
E aceitem a condição do ridículo
Um ridículo poetico é claro
Não levem demasiadamente a sério seus poemas

É ridículo a condição do poeta
Mas temos que aprender a ser ridículo
No mais sublime grau de beleza
Eis que lá estava a poesia

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Nesta manhã

De todas as coisas resta uma
A morte como espaço ultimo
Hoje acoredei cedo e ouvi um passarinho cantar
Chorei porque ele cantava a morte de uma passarinha