quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A borboleta e o transito

parem o transito
olhem ali voando
uma borboleta
dessas que voam felizes
tão cheia de sonhos
 
mas como é
metal
cinza
e duro
essa cidade
 
A borboleta coitada
deusa do acaso e do improvável
vai ser esmagada
no cinza metálico
do transito que passa
 
dou alguns passos
na minha solidão
de pedestre
 
e lá está ela
a borboleta sonhadora
voando por entre os carros
nesse dia semi-engarrafado
 
o sinal abriu
abriu também no ar
o som de uma buzina apressada
e a borboleta ali voando
por entre os motores ligados
 
Ai que agonia!
Fecho os olhos pro pior
aperto o passo cabisbaixo
triste fim da borboleta
 
e por um instante
desses que o coração
não se aguenta
olho pro lado
vejo a borboleta no alto
e acima dos carros e do chão
 
voando ao acaso
maestra da desarmonia
do cimento
borracha
e metal
 
Ai ! De novo uma agonia
um caminhão se aproxima
paro esperançoso na calçada
- levante voo minha amiga
 
e no instante do acontecimento
no limite do agora
pro que ainda vem
um para-brisa chapado
levou minha frágil deusa do acaso
 
Ah! se já não bastasse a morte
da borboleta solitária
seu assassino era um caminhão de flores
 
que ironia!
 
A cidade que compra flores mortas
não esquece de matar
borboletas vivas
sujando o vidro transparente
com matéria morta
que não vale
nada
 

2 comentários:

Weslley silva marques disse...

ola amigo tudo bem ? Adorei seu poema ( a borboleta e o transito)muito bem feito . . . abraçoooo, Weslley . ..

Alan André de Figueiredo disse...

Que bom que gostou!
Até Alan