domingo, 12 de junho de 2011

Mais Uma

Aqui estou parado
ante o inevitável
meus olhos desesperado
apoiam meus ombros de cabeça baixa

um carro que passa
um corpo no chão
sim
mais um dia na cidade imunda

vamos morrendo
assim vivendo
secando o sangue com toalhas brancas
na limpeza profunda

perfeitamente limpo deve ficar!
Ordens dadas do general limpeza
meus olhos não podem ver de todo
mas glóbulos vermelhos escaparam?

Sim eu sei
mas não os vejo e que assim seja
limpo
como o chão deve ser

olhos grudados na janela de um vidro
de um outro lado que não acredita
mas sim
sangue escorre na calçada

bombeiros que não se abalam
limpam o local imundo
imaculado

mas toalha alguma há de limpar a morte
e a sujeira imunda deste cinza escuro
que brota das entranhas dos prédios
das cores dos carros
da vida vivida no abismo coisas

a sujeira somos nós
um metal com uma graxa grudenta
separando olhos nos vidros escuros
para não vermos quão sujo e imundo
vai nosso pé naquela calçada

mais uma morte
mais um numero
mais um dia
e assim levamos a vida

Um comentário:

Poemas para um oráculo (Ou Somos mendigos-poetas-profetas procurando por um oráculo) disse...

obrigado pelo comentario no meu blog. seu blog tbm é muito bom. ja estou te seguindo. abraços