sábado, 25 de junho de 2011

Na beira do cais

Na beira do mundo
neste lugar a beira de um mar fechado
pessoas trabalham
como se ultimo dia fosse hoje

um dia de sol
pombos cinza comem o desespero da vida
pessoas trabalham
como se não tivesse amanhã

pombos cinza comem no cais do porto
entre suor e voos desesperados
escorre um maçaroca espessa
a massa desajustada de se estar vivo

Vivaldi e seu violino
comandam este cenário
cada passo
cada voo desajeitado
uma nota de um agudo interno
um caminhar voando de pés descalços

lá vem ele
o homem e seus cachorros
faz voar todos os pombos
na harmonia da vida
as notas espalharam-se no ar
notas que sabem voar

já passou os dentes da raiva
aos poucos a musica vai ganhando pombos
de uma nota profunda
sem partitura que oprima os agudos que caiem da beirada
só os pombos compõem o cenário da vida

volta o homem e seus cachorros
e lá vai minha musica incompleta
voando feliz de voar
eles não voltam tão cedo agora
sabem voar alem de minha musica
ficar não é preciso para eles

eis que sobrou o metal
o mar
e uma vaga lembrança do dia
aquele dia
que fiz um poema de pombos e musica
e este dia passou

2 comentários:

diogo henriqueS disse...

Muito bom.

Obrigado pela energia dos teus versos!

Alan André de Figueiredo disse...

Ola Diogo

obrigado pelo comentario

até Alan