quarta-feira, 13 de julho de 2011

O luto no deserto

Hoje estou de luto
A mentira pragada na TV
Foi cruel como uma morte
Não esperada

A fome, O corrupto
Tudo junto no mesmo pacote
Ah deixe como está!
Disse a TV com os labios cerrados

Hoje estou de luto
Quantos acreditaram?
Eis que começou a novela
Ah não pensem
Já dissemos tudo!

Opinião publica?
Opinião unica!
Vai
Que não se volta não

Olha que beleza
Amor
Brigas e tristezas
Derramam nas cabeças desatentas
Fatigadas de trabalho e solidão

Estou de luto no deserto
Chorando aguas
Que não passam
E duvidando de certas aguas passadas

Estou de luto
Chorando possibilidades
Inventando desculpas
Para não morrer

4 comentários:

Tiago M? (o Berro d'água) disse...

Muito bom esse poema , FORTE!!!

diogo henriqueS disse...

Boa André! Gosto destes teus versos contra o pragmatismo e a submissão aos meios, cara.

Alan André de Figueiredo disse...

Valeu Tiago e Diogo

Estamos em um oasis de vida
Na tv só há deserto
Mortos vivos que não sabem que venderam suas vidas
Por papel
Por imagens de uma vida que não o é

Negoaciadores me negociam na bolsa
Junto com o barril de petroleo
Junto com sangue de guerras
Que não são nossas
Nem quero luta-la

Mas escravo não pensa
E escravo moderno
Acha que sabe
Veste a gravata
Cai de joelhos

Sinto por dentro a chicotada
Mas não há mão de carrasco
Só uma profunda solidão
Vestida de noiva
Sem par
Sem festa nem nada

A morte é o ultimo passo
Ultima valsa triste
Eis que acordo no deserto
E estou de luto
Preso a minha liberdade solitária

Até Alan

Tiago M? (o Berro d'água) disse...

claro que estou dormindo... duas horas por noite