domingo, 3 de maio de 2015

O enterro de Pã



Esta morto
A linguagem do silêncio foi imposta
Como as arvores balançam no fim da tarde
Acabou tudo

O não ser é necessário
Para se manter a ordem das coisas
Desnecessárias

E não percebemos que não adianta lutar
A transitoriedade é a regra geral
O silêncio profundo há de vencer sempre
Como as arvores balançam nesta tarde

Esta morto
Mas ainda não enterrado
Ainda cabe aos vivos sentir sua ultima agonia
Seu ultimo silêncio na beira do esquecimento

O ultimo recado dos mortos
É este silêncio impenetrável
Este excesso de lembranças passageiras
E a ignorância de não se ser jamais esquecido

Mentira socialmente aceita
Verdade refutada na vida
Na fonte de nossos desejos de eternidade

Pã está morto
Mas ainda não foi enterrado
Ainda não sabemos esquecê-lo
Para enfim vivermos o agora

Como as arvores balançam neste fim de tarde


4 comentários:

Tiago Malta disse...

Perfeito maninho

Alan André de Figueiredo disse...

Vlw Tiago

angela Oliveira disse...

Bom dia Alan.
Baixei no meu cel o audio desse poema "sem querer" pesquisando mitologia.
Resultado me encantei com as palavras e fui pesquisar o autor e o personagem.
O Pa que você fala nos versos é o Mitológico Grego o Deus que pode ter morrido?
Ou tens outra inpiração.
Abraços, parabéns!

Alan André de Figueiredo disse...

Sim este mesmo Angela!
Quando ele morreu todos os Deuses choraram. Ele era a alegria a musica da vida!
O interessante que eu brinquei neste poema é a resinificação de Pã nos romanos e depois no latim. Pã era um Deus que possuía fisicamente características de vários animais e posterior mente ele foi associado a tudo pq ele era vários. A brincadeira é essa na pós-modernidade vivemos o enterro de tudo pq fragmentamos a unidade do entendimento da existência. Vivemos este luto e esta dor quando tudo está morto. Na fragmentação não há nada tudo se esvai e ficamos perdidos atordoados com a morte de Pã. Ma pã não foi enterrado pq não superamos a dor de estar tudo perdido. A pôs-modernidade ainda vigora ou por um recurso da história ela não há de existir! Quem sabe

Alan Figueiredo