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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Da verdade


 Deusa incognoscível
Quando ela fala os justos se calam
 
Não é bem tarefa do poeta
Dizer a verdade
Ao contrario
Ele inventa espelhos de si
 
Para enxergar outra verdade
Um paradoxo tão encantador
Que ele não resiste em ser o mentiroso
Com bons propósitos
 
Um sóbrio na plateia
Poderia se levantar e gritar bem alto:
“Blasfemia!”
Como não há plateia
 
Só esta folha em branco
O poeta controla seu sóbrio e seu ébrio
E como aqui não farei um tratado
Ou criarei expectativas e realidades
 
Farei jus a poesia e sua semelhança com a verdade
Sim a poesia tem verdade
Tirando algumas exceções não é a dos filósofos é claro
A verdade é irmã gêmea da poesia
 
Duas deusas nobres que olimpo algum há de ostentar
Elas vagam por entre os mortais
Como a simplicidade no sorriso infantil
Uma rosa que sobrevive na beira do asfalto
 
Elas abrem o caminho dos ébrios ao lar
Transforma um olhar em amor
E criam o amor como se fosse seu filho
Deusas poderosíssimas que negam o poder
 
Quando a verdade vier a minha porta
Com a notícia terrível e inexorável da morte
Honrarei seu nome como último ato
E que meu silencio seja enfim esquecido

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Alma Linda




Um beijo querida Bianca
Que você continue sendo esta alma linda

Quando nos conhecemos
Ela me fez chaveirinho
E fui eu pendurado na vida
A não entender nada e buscando porquês

 Alma linda

Pés que sambam ... flutuam
Seus olhos têm qualquer coisa de mistério
Agitados olhos de quem busca
E sabe o que quer

Alma linda

Quando a pressão sobe
E não se esconde no rosto os desejos e desejosos
Incrível capacidade do mundo de não se curvar ante nossas querências
Ela olha para cima e faz do momento poesia

Convoca a todos os presentes
E nos explica sem palavras que o melhor da vida
É ser feliz para além do mundo e suas circunstancias
É ter ciência da perenidade da vida.

Alma Linda

Tu que faz do ato chorar
Um sorriso
Ou uma cara ... carão de mulher indomável
Nem viste meus olhos marejados de respeito e admiração

Alam Linda

Eu disse que lhe faria um poema
Se representou bem ou não aquela poesia que fizeste na vida
Não sei
Mas saibas que ganhou um amigo

E em chaveirinho poético

sexta-feira, 31 de março de 2017

A morte do Zé ninguém



Muitos estão chocados
Morreu o Zé ninguém

Ele que não podia ter ideias geniais
Ele que estava preso a propaganda
De refrigerantes enlatado de sua consciência
Ele que repetia opiniões porque não podia tê-las.

Ignorava porque aprendeu assim
Ontem é mais do que hoje
E você não tem o tipo
O tino para estrelar sua própria vida

Sigamos então
Coma
Beba
Compre

Ele que só é humano quando morre
Faça-me o favor de deixar
Herdeiros com sobrenome
Para lhe enterrar os ossos

Zé ninguém perdeu os sapatos
És um pouco menos do que tinha sido
Menos um
Menos dois

Menos ... mais um morto
Celebramos ao Zé ninguém
De lugar algum

E todos se espantaram com sua morte
Não pelo fato objetivo ou empatia é claro
É porque viram no espelho sua própria sorte
Zé ninguém morreu afetando os estômagos fracos

De roupa maneira
Zé ninguém mostrou para os que assistiam
Que ninguém é mais do que isso
Finalmente ele se igualou a todos

Zé ninguém!
Faça-me o favor de morrer sem muito alardes
Se possível ir ao caixão sem dar trabalho
Não suje a lindíssima avenida

Zé Ninguém!?

Todos que acreditam na vida
Não olham o coitado do Zé
Eles se olham espantados
Com a ânsia do vomito engasgado

Zé Ninguém morreu deixando um espanto geral
É porque eles acreditam que a base da vida é a diferença
É ser alguém

Mas eles não sabem Zé ... que somos todos Zé ninguém

quinta-feira, 23 de março de 2017

Sentido da vida

<



A vida favorece o encobrimento
O desvelar é uma instancia prazerosa
Maria foi a feira
E voltou cheia de novidade

Enfim tinha

As fofocas para toda semana

domingo, 2 de outubro de 2016

Recado no Silêncio




Recado no silêncio

No desespero
Procuramos agir para remediar
O Irremediável
Aprendi

Que devemos seguir
Sempre no sentido da vida
Na corrente do rio
Que nunca é o mesmo

Mas teimamos em criar modelos
Organizados de como vencer na vida
Como descer o rio
Encarar a morte sem medo

Tal como heróis modernos
Plastificados no mecanismo do poder
Não interessa o destino
Se o fim absoluto existe

Ele que surgiu da duvida
E apropriou-se de todo cogitar
Da vida e tudo
Que nos rodeia

E chamamos de mundo
Porque não sabemos enxerga-lo
Quando nasci consciência
Tinha a certeza de que ele era eu

Não havia tristeza
Nem alegria
Era o que era
Eu transbordando de tudo

Eu passo profundo para o devir
Procurei o caminho
E não achei nada
Só violências e delicadezas no cotidiano

Não participo da ordem das coisas
Fiz o que pude
Mas o rio desce
Inexorável

Diante da verdade silenciosa
Desci ao político
Com a certeza dos querem algo
Mas eu não soube querer

Toda vez que pus palavras
No meu pensamento
Elas me escapavam
Olhei a minha volta

E lá vi os reacionários gritarem
Conformem-se
“O que é … é
E não vai deixar de se-lo.”

No extremo oposto
Progressistas sussurravam silenciosos
“Agarrem-se ao seu poder
De fazer o que quer de sua vida.”

Nas rendas imateriais do destino
Costuram-se tudo
Todos estão certíssimos
E completamente enganados

O caminho existe
Mesmo que não seja possível caminha-lo
O caminho é caminhar
E não saber o certo nem o errado

Não creio na verdade
Mas sei que existe

Então
Não perco tempo
Não ganho tempo

No fim
Duvido de tudo
Porque não sei nada

Não sou nada
Apenas mais um caminhante
Na estrada

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Narciso não quer ver



(Precisamos de uma terapia social)

Um abraço e um beijo
Nos olhos de Capitu
É no que não sabemos
Que temos todas as certezas


No silencio se tem a certeza de se estar existindo
Um vazio corpo balançando nos assertos ordinários
Passagem do discurso para a fala
Da evidencia para o fato

São sempre “in-certos” momentos do agora
Assertivos dardos das minha palavras
Lógica interna de se achar sempre
Para não titubear diante do extraordinário

Devemos crer com quem sabe
Pensar como quem age
Sonhar como que vive

E lá na esquina dobram-se o cotidiano
Pisam nas palavras de uma possível verdade
E querem que elas representem a realidade
Mas elas são tortas e nasceram assim

E não adianta querer muito delas
Porque ?!...
Porque há mais verdades no silencio
Do que todos os livros da estante

Cada pausa destes versos
Momentos de inspirações efusivos
Brotaram de um silencio
A posteriori sempre

Narciso não quer ver
Não quer cumprir o destino
Narciso quer sonhar que vive
Morrer sonhando é melhor
                                                           Porque não se morre de espelho

No espelho não se afoga
Se acha ... fotografa
Se vive na evidencia pura do agora
Filtrada em belas ferramentas virtuais do engano

Sou aquilo que quero ser
Corrijo a realidade para amenizar as coisas
Reparar os erros e as arestas
Me encaixar perfeitamente hermético

 Porque afinal a tela não perdoa
Os olhos não perdoam
Devemos então fura-lo?
Não ... Por favor Édipo não invada meu espaço

Então ...
Todas os deuses são metáforas do que devo ser
Não ... não fale todos
Não fale sempre
Não aprendeste nada na escola da relatividade?

Me parece
Sugiro
Neste aspecto
São boas palavras para não se dizer nada

Afinal
Quem nada diz
Comunga com os erros da verdade
Quem justifica o nada

Galga os degraus dourados da história
Siga a corrente remando seu próprio barco
Mais fácil meu caro amigo
Deixe o esforço no labutar das palavras

E agora como eu costuro esse devaneio todo?
Como eu termino estes versos soltos?
Talvez não termine

E boto mais na conta do silencio

segunda-feira, 28 de março de 2016

A certeza de tudo



Que caiam todos os formalismos agora
Estamos na esquina de nossas casas
A discutir o que?
Se não questões antigas da boa convivência

Questões antigas do dominado e dominante
Contrastes necessários
Para se escolher um lado
Este não ... Aquele

Aquele lado é que devo
É que devem estar todos
Estrapolações do Eu para um tu
Deves!

Baratas tontas no noticiário
Quem há de ser o dominante?
Quem há de ser o dominado?
Pouco importa

Pouco se sabe 
Um pequeno recorte apenas
De uma grande realidade
Inenarrável sempre

Retiramos os óculos
E o mundo é cinza
Talvez não sabemos enxerga-lo
Com os nossos olhos modernos de sei lá o que ...  e o que é isso? que seja

Não há síntese
Porque não há o todo para se chegar
Não há analise
Porque não há o todo para derivar

Ah!

A matemática ... se perdeu
No buraco negro das dimensões calculáveis
E para lá voam especialistas
Que não voltam jamais

A física ... se perdeu
Na roda da fama temporária

Hoje suspendamos todo formalismo
E falemos francamente
No calidoscópio de nosso tempo
No limite do virar a lente lentamente

Eis que a verdade surge tão obvia
A luz penetra nas pedras
A força da gravidade
Faz cair os grãos para o outro lado

Na crise
Na crise da confiança
Na crise dos paradigmas temporariamente estáveis
Na crise ... voltamos sempre

Mas para onde?
Se há um Deus ... meu deus para onde?
Se não há deus nenhum também que seja
Para onde?

Afinal voltar para onde?
Se eu não parti de lugar algum
Se quando eu cheguei
Já era como era

Voltar para onde? se eu nem fui
Se experimento pela primeira vez
Cada segundo ... após o outro
E outro e outro ...

Como posso eu voltar?
Mas não voltar também seria estar parado
Afinal aprendi que é sempre adiante
E largo tudo para lado de não sei onde

E olho pela janela de minha casa
E não há esperança de resposta
São só perguntas
Belíssimas perguntas motorizadas

Perguntas que passam voando
Perguntas que andam ordinariamente
Andam

Eis que a campainha tocou ...

Respirei fundo com que volta de não sei onde
Abri a porta
Era meu o meu vizinho
O crente

Ele falou com a cara mais deslavada e bonachona
Que se pode ter
“ei vizinho!
Estamos sem água!”

Olhei aqueles olhos tão certos de tudo
Mas seu sorriso era qualquer coisa de duvida

Então ... corri

Corri para o torneira
Como se ali
Naquele assertiva ordinária
Estivesse toda certeza do mundo

Abri a torneira
E a pouca água que minou no resto do cano
Me encheu de uma pequena grande certeza
Que suspendam todo o formalismo

Mas hoje ... posso duvidar das mentiras de todos os jornais
Posso me afogar neste mar de noticias informais
Mas devo crer em meu vizinho
Ao menos ... só um pouco

Um pouco
Como sempre foi
Um pouco

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O silêncio que precede o caos



No fim do jogo, o rei e o peão voltam para mesma caixa
Provérbio Italiano


Abram-se as janelas
Deixemos a realidade entrar em nossos retinas
Imagem desbotada de uma janela voltada para outra
Um não vista para lugar algum

Um caixa que se chama apartamento
Fresta de nome janela
Carros que parecem não haver pessoas
Portas que se trancam como grades

Eis que o servo moderno é seu melhor carcereiro

Trancam-se na instituição do medo
Sentem eternas melancolias de uma realidade perdida
Uma saudade que nunca se esgota
Que escorre pelos azulejos da cozinha

Ah servos modernos
Livra-voz deste acordo invisível
Que vos cega do mais ordinário dos acontecimentos

Olhem ali ... Bem adiante

Uma flor amarela
Nasce na quina do muro
Recolhe o pouco de sol
Nas sombras de uma cidade suja

Quanta beleza filtrada nos olhos do cotidiano
Obediências camufladas nos costumes
Artificialidades naturais do dia a dia

Olhem ali ... Servos modernos
O silencio
Denuncia

Sua mais profunda solidão

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Um murmúrio no silêncio


Que sei eu das coisas?
Escolhi o silencio como quem troca de roupa
Eis que vejo velhos discursos se reinventando
Velhos ódios correndo mentes liberais

E me escondo nesse silêncio
Vou consumido frases clássicas
Vivendo minha crise para com tudo
Sofrendo das desinformações diárias

Um ceticismo curtido
Vai invadindo as cabeças eruditas
O poder pelo poder
Invade todas as castas bem informadas

Até onde vão com estas disputas?
As vezes julgo até não haver disputa
Apenas carniceiros roendo as costelas deste Brasil
Desinformados

Ainda não sabemos o que somos
O Brasil alem do futebol
Estamos carregando esta novidade
Apurando nossos ouvidos internos

E para isso
Devemos ouvir os que nunca falaram
Mesmo que as palavras pareçam truncadas
Os olhos nunca mentem

Mesmo diante da mais profunda dicotomia
Os olhos nunca mentem
As palavras não tem donos
Elas tem oportunidades do entendimento

Me perdoem este murmúrio silencioso
É apenas agonia dos que calam
Reverberações de uma solidão programada

Sou servo e senhor de minhas palavras

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Agonia no silêncio


Quero falar mas não posso
As palavras não traduzem
Este silêncio

Quero falar mas não posso
Misturo política partidária
Com o meu cotidiano roto
Devidamente martelado

Quero falar mas não posso
Estas infinitas tardes solitárias
Que aprumam estes versos em que caio
Destilam o silêncio desta agonia

Quero falar mas não posso
Vivemos tempos obscuros e voláteis
Falar por falar não resolve nada
Nem clarifica as pedras da estrada

Quero falar mas não posso
Os verbos engasgam em minha garganta
Substantivos não delimitam as substancias
E voaram todos os meus adjetivos

...

Assim
Neta tarde em que quis falar
Chorei silenciosamente

Ciente de minha profunda solidão

domingo, 6 de abril de 2014

Tecnocurioso

Dedos que movem o mundo
Movem a tela para uma outra
Não tela
O que buscamos neste toque que não toca?

Se arrasta
Esta linha que não separa
Lados que não definem nada
Moedas que voam como bits desalmados

É o PODER!
O poder de ser senhor da própria morte
De ter nos dedos a estúpida vontade imediata
O agora como servo sereno e compassível

E no fim
A cobra que seduziu Eva
Mordeu o dedo do idiota curioso

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Carta do Ultimo Metafísico

A alma é um instante do querer
Ou melhor do desejar
A alma flutua no belo instante do desejo
Não na consumação da realidade

Nossa alma é moribunda de nascença
Não há Deus nem nada
Só este profundo vazio
Recheado de discursos vãos

O cético venceu meu camarada
Somos números
Somos nada
Um pequeno ponto na História do mundo

Que no fim
Acabará em silêncio
No profundo silêncio da morte
E boa viagem

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Tecnodepressivo

Tudo funcionando
Cada ponto na exata cor da figura
Vida de silício solitária
Com uma necessidade de acontecer
                                                                 Alem

Na tela
Uma imagem

Um não lugar
Que carrega minha existência
Carrega uma imagem que não é minha
Um eu que não existo

É sempre um quando
Uma necessidade momento do riso
Tropeço nas palavras
E no filete da vida
 
O grande mural vai passando
Na mesmice programada
Comentários de uma vida que não vivo
Uma depressão rasa

Ligeira tristeza
O suficiente para levantar da cama
O sol vai passando
E minha vida vai escorrendo nas pontas dos dedos

Viva La vida
E o tecnodepressivo

sábado, 26 de outubro de 2013

A Tragédia

A tragédia é nó na costura da vida
Um nó tão bem dado
Que as bordadeiras do destino
Cortam a linha
                               E guardam este pequeno emaranhado

É como o troféu roto da vida

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O silencio audível

Mãos que falam
Gestos que abrem mundo
Caiu toda rotina desta manhã morna
Dois casais surdos gesticulam liberdades

E tudo acontece além
Num plano linguístico ignorado
Ah! Quanto entendimento
No balé dos olhos
                                               Só eles enxergam de fato

Todos somos zumbis nesta sala de espera
Meus olhos perdem a cor ante suas realidades
Uma necessidade de ver
De ter na vista sua sobrevivência

Um imperturbável silencio os aflige
A demora é uma eternidade
Saber é um olhar angular
Nos olhos do fato da irrealidade

domingo, 22 de setembro de 2013

Espelho fosco

Não quero abstrações filosófica
Intangíveis
Aliterações demasiadas
Cacofonicas

Já me basta a palavra
Esta travessa
Que foge quando
a quero

quando menos espero
ela me salta aos olhos
e me toma a mente dizendo:
tu és meu!

sou aquele que busca a identidade
a união dos cacos
o falsear verídico do poema
metáforas que libertam o prisioneiro do real

por isso
cotidiano
simples
profundo
como um sentimento intransmissível
 
quase não sou poeta
é sempre um quase

no mais
viva La vida
e seus acasos

terça-feira, 23 de julho de 2013

Manifestações da minha solidão


Protesto contra minha autoridade
Contra este eu supremo do ego
Quem há de entender este ditador?

Protesto contra a solidão programada
Anúncios de praticidades alguma
Quem há de viver assim tão só?

Protesto contra as maquinas auto suficientes
Mentiras coloridas pela inocência
Quem há de ver todas as fotos?

Protesto aos que não sabem protestar
O grito não resolve tudo
Quem há de me condenar?

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O tempo de Secchin

Poemas dedicado a Antônio Carlos Secchin
O seu dizer e redizer
é uma aventura para o portal do tempo e do
ser


A criança a espiar a janela
a ver o tempo amarelar tudo
por dentro das molduras
outros mundos
outras pulgas

No tempo de vovó
não tinha esta saudade a corroer
o feijão era bom
como nunca voltará a ser

nesta evolução de lugar algum
Eis que ficou a criança
a espiar tudo por de traz dos óculos

Dentro da criança
todos os mundos
todas as pulgas

E o mundo ficou a espiar a janela
vendo a criança amarelar tudo
dentro de vovó
ficou só a saudade do feijão

no mesmo mundo
nas mesmas pulgas

e tudo sempre foi sério
menos as pulgas
que eram tudo

terça-feira, 4 de junho de 2013

A passarela

Mas um dia de trabalho
Uma passarela quase tombando
de tão velha
que ficou esquecida no tempo

Atravesso a grande avenida
corações apressados
vão ao trabalho engarrafados
coitados destes sofredores

A liberdade que vos cerca
é sua mais luxuosa prisão
Superemos
Equalizemos no álcool esta agressão

Afinal hoje é sesta feira
dia da pseudo-liberdade
dia do vamos sonhar curto
Do consuma porque o tempo te consome

A passarela está acabando
eis que as coisas sempre estão acabando
mas o sol está nascendo
lindo sol no alto desta passarela

e começo a descer a passarela
um ar pesado invade meu coração
raios de sol penetram na poeira da manhã
cruzes aparecem sombreando o infinito

na tentativa vã de ser eterno

há um cemitério no fim da passarela
vastidão de lapides cercada num muro alto
muro do esquecimento diário
vou parar meu coração não se aguenta

paro no ultimo ponto de meu horizonte
contemplo as pedras de Pedro
as ultimas mensagens para humanidade
não consigo vê-las da passarela

mas estão lá

neste lugar que ninguém quer ver
estão as mais belas mensagens pra vida
meus olhos choram por parentes que não perdi
choro pelo pequeno grupo botando flores nas pedras

Havia muito amor naquele gesto
um arquear a cabeça
na tentativa de desatar o nó na garganta
um abraço para o alem da vida

Flores mortas para o morto
O que é de Pedro dê a Pedro
Na busca da justeza desmedida da vida
vamos rindo e as vezes chorando

Mas sempre buscando
os lados de uma mesma passarela

...

E o poema podia acabar aqui
numa suspensa contemplação metafórica
mas minha metafisica é real demais para isso
servo dos olhos e senhor de meus pés

viro como se fosse voltar
como se voltar fosse a solução ultima
como se houvesse ir e vir naquele instante
respiro fundo

vejo as pessoas apressadas
correndo contra relógios invisíveis
alheias demais para os meus sentimentos
os meus pêsames ficaram em alguns olhares desconfiados

Curiosos olhares aqueles

A maquina não para
e os olhos passam pelo meu horizonte

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O poeta no mar

As amarras ficaram brandas
nada ultrapassou a linha
a razão há de dominar sempre
mas ele sumiu por três dias

completos dias perdidos
entre ETS medos e perseguições
voa meu caro marítimo
realizando o real por dentro

fazendo da vida uma aventura
um alem da realidade crua
quem há de entender tudo
se não o mais sábio dos desajustados?

Ele para diante de meus olhos
enxerga a vida deslocando das beiradas
toda razão definhando
ouvindo a voz de uma emoção alinhada

O sopro da vida aos sete de idade
projeto numero sete meu caro poeta
sim eu fiquei sabendo
sou o sétimo de minha geração

Abdução

Somos gado para ELES
Quem será o próximo?
O gato sorria e dizia:
tu és o escolhido meu caro

viva a vida ELES diziam
e eu dragava o canal do meu ser
Qual é a minha missão
a verdadeira missão da vida?

O louco no bom sentido
sempre o bom sentido
o bom de todos os bons
a voz que encurta a razão

trabalha este poeta do mar
faz de sua vida viagem
navegar pelos mares brasileiros
e buscar o sentido primeiro

Ou aquele eu perdido aos sete de idade
traumas da criança sensível
pontos na carta da vida
derrotas por demais navegáveis

firme meu filho
grita a segunda voz
a voz que vem do infinito
imperativa o espelho tenso do ser

Dói de mais ele dizia
quem vai curar esta dor
retirar esta voz que me cala
que ressoa cá dentro

Não
não faça isso comigo
mas fazem ELES
Eus de nos profundos

e digo
concordamos
repita

Ah! o plural

a luta velada do ser
transbordada nas beiradas
do poeta do mar

bem
das seres
concordamos