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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Da verdade


 Deusa incognoscível
Quando ela fala os justos se calam
 
Não é bem tarefa do poeta
Dizer a verdade
Ao contrario
Ele inventa espelhos de si
 
Para enxergar outra verdade
Um paradoxo tão encantador
Que ele não resiste em ser o mentiroso
Com bons propósitos
 
Um sóbrio na plateia
Poderia se levantar e gritar bem alto:
“Blasfemia!”
Como não há plateia
 
Só esta folha em branco
O poeta controla seu sóbrio e seu ébrio
E como aqui não farei um tratado
Ou criarei expectativas e realidades
 
Farei jus a poesia e sua semelhança com a verdade
Sim a poesia tem verdade
Tirando algumas exceções não é a dos filósofos é claro
A verdade é irmã gêmea da poesia
 
Duas deusas nobres que olimpo algum há de ostentar
Elas vagam por entre os mortais
Como a simplicidade no sorriso infantil
Uma rosa que sobrevive na beira do asfalto
 
Elas abrem o caminho dos ébrios ao lar
Transforma um olhar em amor
E criam o amor como se fosse seu filho
Deusas poderosíssimas que negam o poder
 
Quando a verdade vier a minha porta
Com a notícia terrível e inexorável da morte
Honrarei seu nome como último ato
E que meu silencio seja enfim esquecido

sábado, 2 de julho de 2011

Deus e sua metafísica

É em si alem de minhas palavras
vou até onde meu corpo deixa e até onde minha mente alcança
como policiar os detentores da chave do portão do paraíso?
A idade média foi negra
A idade da razão cega de tanta luz material
Isso mostra que o ser humano não deixou de ser ele mesmo
negar afirmando outro diverso
não se preocupe com a vontade do saber divinamente humana do futuro
a chave do portão é a vida em si
o peito que bate
uma rima escondida
cá dentro
onde os olhos racionais não alcançam
ainda diria o materialista ferrenho
jamais diria o espiritualista renovado
enquanto não matematizarem o acaso
nem renovarem os votos de divindade política
vou assim vivendo meio que no meio
sentindo a vida
não sabendo a verdade
tendo plena certeza de se estar vivo
e
como Sócrates
carrego minha duvida
e nada mais