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sábado, 10 de outubro de 2020

Estar Poeta

 

Escrever poemas é ritmo em movimento
Saber parar, quando preciso
Apertar os calos
Espremer os versos
 
A metáfora ficou assim torta
Hoje não estou poeta
Nem sei o que faço aqui diante
Destes versos que teimam em sair
 
Talvez não sejam versos não sei
Perdidos em conceitos e fingimentos
Poderia correr aos sinônimos
E afetar erudição de primeira linha
 
Não
Prefiro acabar os versos aqui
Se não estou poeta
Ponto
 
Vou viver a vida
Ai ... quem sabe um dia
Não esteja pronto
Pra voltar aqui
 

Aventurando-se poesia

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Da poesia

 

Doce loucura dos poetas

Amantes da poesia e sua força

 

Da poesia fez-se o pranto

Entre as mãos espalmadas

Uma lagrima cai na calçada

Vira uma flor amarela que se chama poesia

 

Da poesia fez-se a musica

Entre dedos, dentes e cordas

Aninham no peito algo que não tem nome

Não tem forma talvez seja a poesia

 

Da poesia fez-se o grito

Entre o desespero, raiva e aflição

Uma força brota nos olhos

E cria coragem onde tinha covardia ... eis a poesia

 

Da poesia fez-se o silencio

Entre o momento e o tempo

Uma paz profunda vibra no peito

E sou nunca mais o mesmo graças a poesia

 

Da poesia fez-se a fala

Entre o ar, gargantas e lábios

Uma força de mudar o outro

E ser para além do corpo eis a poesia

 

O poeta

Ah! O Poeta ... enxerga a poesia

Que descola das bordas do quadro da vida

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Da verdade


 Deusa incognoscível
Quando ela fala os justos se calam
 
Não é bem tarefa do poeta
Dizer a verdade
Ao contrario
Ele inventa espelhos de si
 
Para enxergar outra verdade
Um paradoxo tão encantador
Que ele não resiste em ser o mentiroso
Com bons propósitos
 
Um sóbrio na plateia
Poderia se levantar e gritar bem alto:
“Blasfemia!”
Como não há plateia
 
Só esta folha em branco
O poeta controla seu sóbrio e seu ébrio
E como aqui não farei um tratado
Ou criarei expectativas e realidades
 
Farei jus a poesia e sua semelhança com a verdade
Sim a poesia tem verdade
Tirando algumas exceções não é a dos filósofos é claro
A verdade é irmã gêmea da poesia
 
Duas deusas nobres que olimpo algum há de ostentar
Elas vagam por entre os mortais
Como a simplicidade no sorriso infantil
Uma rosa que sobrevive na beira do asfalto
 
Elas abrem o caminho dos ébrios ao lar
Transforma um olhar em amor
E criam o amor como se fosse seu filho
Deusas poderosíssimas que negam o poder
 
Quando a verdade vier a minha porta
Com a notícia terrível e inexorável da morte
Honrarei seu nome como último ato
E que meu silencio seja enfim esquecido

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Amor virtual





Aquela curtida nas fotos
Uma piada bem comentada
As frases pseudofilosofias
Que nos faz sentir bem

Você está sorrindo de fato?
Não sei.
Esta tela não permite saber
"KKKK" não me diz nada

Como são cruéis estas onomatopeias
Me pego contando os ‘’K’’
Para saber o nível do teu sorriso
Contando os dias daquela resposta perdida

Outro dia vi um amigo comentando
"KKK" sem esboçar um sorriso
Ele me disse com cara mais deslavada
Que sorriu para dentro

Incrível a capacidade do ser humano de me surpreender
Sorrir para dentro
Chorar para dentro
Não que isso não seja possível é claro

É como se tornou comum
Silenciosos zumbis na sala de espera
Vez o outra um sussurro ... talvez de um meme
Perdidos olhos para lugar algum

Neste engano eis que vejo
Um jovem casal chegando
E tenciono escrever o contrario
Mas não posso

Logo se sentam
E cada qual no seu aparelho
Amam-se pelo espaço que não se tocam
Virtual amor dos solitários que amam a si mesmo

Reparando bem
Talvez seja um relacionamento virtual
Não sei ... como reconhecer os casais?
Ah! expectativa gera presunções

Talvez nunca soube reconhecer casais
No fundo é desnecessário saber reconhece-los
É arte antiga
Que está em desuso

O Amor agora é virtual
Está no espaço desta tela
Entre os olhos
E o desejo de que tudo seja real

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Poema à Ioná




Naná quando criança me chamava de Lam
Ela sempre ria de minhas palhaçadas
E era de uma sinceridade
Que assustava os adultos e os encantavam

Tinha uma seriedade amena
Uma força de encarar o mundo tranquilo
Que só as crianças geralmente tem
E sua gargalhada destruía nossas melancolias

Sorte daquele que já viu Naná sorrir
Paz nos corações aflitos
Ultimo refugio nas covas inocentes do sorriso
Asas protetoras em um mundo tão cruel

Ah! O mundo ... O mundo é grande e pequeno
E com propósitos e predicados
Que nos afastam ou aproximam
Quem vai saber do até quando ou até onde?

Passei anos distante minha amiga
Muitas águas passaram no rio de nossas vidas
Acompanhei de longe e torcendo
Por aquela simples torção que quase levou o mais belo sorriso

Quando Zé Galinha nos deixou
Lembro de estar na distância de uma varanda
Fumando um cigarro pensando que o mundo ficaria mais triste
 E não iria ver mais aquele abraço de lado e seu largo sorriso

Muitas águas se passaram minha amiga
Hoje nas contingências do mundo
Nos aproximamos de corpos e copos
E tenho a honra de ver seu sorriso

Você me ensinou que o perdão
Precisa de tempo pra perdoar
Que a atenção com os amigos
É como cultivar flores

Eu como borboleta no mundo
Demoro a apreender esta imagem
Ah! Como tento pratica-la
E entender esta força da natureza que você é

Que nossas histórias continuem assim
Cada reencontro um começo
Cada dia um agora
Cada amanhã com seu passado

Um Beijo minha amiga

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Sonho perdido





A muito que não escrevo
Ficaram tristes as promessas
E longe os caminhos

Aquela nossa viagem
Nunca foi feita
Achei que poderia faze-lo sozinho
Treda ilusão

Ela entrou para rol das coisas irrealizáveis
Apenas isso
Um sonho perdido
Na gaveta junto a papeis velhos e alguns clipes

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Ao Antônio





Para falar do Antônio
Precisaria falar do tempo
É como se sempre o conhecesse
E nunca o conhece de fato, tal como o tempo

Para falar do Antônio
Precisaria substituir as palavras pelo movimento do corpo
É como se não houvesse palavras
E tudo fosse traduzido no olhar e na vibração da alma

Antônio quando olha
Olha reto
E quando é forçado a arquear sua visão de momento
É só silencio ... e quando se menos espera ... eis Antônio reto outra vez

E quando Antônio quebra
Tudo quebra com ele
E ele transforma os cacos em uma nova viagem
Um caminho sincero para seus passos diretos

Antônio quando passa
Ele arrasta com sigo não uma massa histérica
E sim leais amigos
Amantes de sua retidão para com sigo mesmo

As ninfas do lago
Observam pasmada Antônio a apreciar as flores
E elas o alimentam sem receio dos deuses
Sereno ato de amar no silêncio

Antônio quando ama
Ama
De tal forma que cupido seu amigo mais intimo
Não gasta suas flechas da paixão em vão

Antônio tem a força da vida
Correndo nas veias
Sabe a força do tempo
E valor do momento e dos sorrisos a ladrilhar o cotidiano

Antônio ...

Hoje em plena quarta feira
Abri uma cerveja e brindei a ti meu amigo
Irmão querido de tantas viagens
E tantas a viajar

Fui eu o primeiro a te ver sentado naquele dia
Querendo levantar quando não podia
Ninguém pôs fé no sorriso desesperado
E no insólito que acompanha nossas vidas

Antônio supera
Com música e poesia
Hoje seus pés flutuam
E nas pedras aprendeu desde cedo que são partes do caminho

Antônio ... irmão ... amigo
Um brinde eterno a ti meu querido

terça-feira, 20 de março de 2018

A fala do passado





Ontem acontece hoje
Ecos na mata ainda reverberam hoje
Saímos de cavernas e desaprendemos a viver
O passando fala línguas que ignoro

Meu corpo fala e quase não escuto
O silencio da madrugada berra em meus ouvidos
Como um bêbado insone
Que sabe que nada importa de verdade

Tenho memorias de amanhã
Que não ouso falar
E tangencio a loucura
Na crença momentânea deste devaneio

Sim ... Me permito crer por instante
Que passado, presente e futuro
É tudo a mesma nenhuma coisa
E a fala não esbarra ela roça e vai me levando

A não sei o que de não sei aonde
Ah! E a madrugada vai passando
E vou costurando cadencias de um despertar sonambulo
É como se hoje estivesse tão empregando de ontem

Que ele não acontece
E fica o dia assim raiando embaçado
Meio sem cor meio sem jeito de estar
Um desajuste contemporâneo de querer ser tudo
Mas o passado fala línguas que ignoro

A fala do passado
É meu jeito de estar existindo
Ver nos atos sem estar vendo

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Quando se deve falar



Aquele que fala
Só pode ouvir no silencio
Seus gritos foram abafados na multidão
E os versos estão cada dia mais distante

Aquele que fala
Fala pela boca do tempo
Esta ordem de se usar as palavras
E ser por ela usado

Quando acordar amanhã
E ontem for esta necessidade
De acontecer como devia
Um passado imemoriável

Ele jura que viveu
Como quem vive assim
Despretensiosamente
Simples como uma borboleta

O que resta é este estar vivo
As expectativas e os sonhos
São só palavras no dia a dia
Seus sentidos são tortos

As palavras são tortas
Quando o mundo fala
Calemos e observemos o silencio
Que desprende deste coro desafinado

Um gato falou ... que se foda
Bom dia no meio do dia
Acordaram para dar os seus bons dias
Antes mesmo do café

Ninguém põe reparo no seu bom dia
A maquina urge urra e sussurra
Tudo ao mesmo tempo agora
Como se amanhã não fossemos

Um vídeo engraçado está carregando
E parou assim no meio
Nem foi tão engraçado assim
Mais um piscou na tela ... mais um numero que temos

Não ... não temos nada

Ah! mas tem o grupo da família
Grupos do churrasco daquele dia
E não acabou até hoje
Grupos dos amigos

Grupos de poesia que mal abro
Poeta adora copiar um bom dia
Apago tudo antes mesmo de ler a memória está cheia
Estou cheio de tudo e repleto de nada

Estão todos aqui comigo
Mas não vejo ninguém
Só a solidão de uma sala de espera
O voo atrasou

Mas que se foda-se
Não foi isso que gato falou?!
Perdoe o poeta sua licença
De estrupa o português sozinho

Ahn um vídeo do Charles Chaplin
É ele aparafusando a maquina
Enquanto aparafuso minha vida
Ele não sonhava, mas sabia

Uma corrente de deus
Uma piada não lida
Um meme para alegrar a vida
Filosofias instantâneas de como vive-la

Desligo esta tela ... e vou viver
Abro um bom livro
E vou compartilhar a solidão

Comigo mesmo