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terça-feira, 20 de março de 2018

A fala do passado





Ontem acontece hoje
Ecos na mata ainda reverberam hoje
Saímos de cavernas e desaprendemos a viver
O passando fala línguas que ignoro

Meu corpo fala e quase não escuto
O silencio da madrugada berra em meus ouvidos
Como um bêbado insone
Que sabe que nada importa de verdade

Tenho memorias de amanhã
Que não ouso falar
E tangencio a loucura
Na crença momentânea deste devaneio

Sim ... Me permito crer por instante
Que passado, presente e futuro
É tudo a mesma nenhuma coisa
E a fala não esbarra ela roça e vai me levando

A não sei o que de não sei aonde
Ah! E a madrugada vai passando
E vou costurando cadencias de um despertar sonambulo
É como se hoje estivesse tão empregando de ontem

Que ele não acontece
E fica o dia assim raiando embaçado
Meio sem cor meio sem jeito de estar
Um desajuste contemporâneo de querer ser tudo
Mas o passado fala línguas que ignoro

A fala do passado
É meu jeito de estar existindo
Ver nos atos sem estar vendo

domingo, 12 de novembro de 2017

A fala e o nascimento da poesia





Ontem quando disse ser poeta
Me perguntaram assim despretensiosamente
O que é a poesia?
O que faz do poeta assim tão especial?

O lado obscuro do ser e ser poeta
Quando se explica não sabe
Quando se sabe não aprendeu direito
Nasce-se assim com as palavras meio envesadas

Ando há procurar razões ... Onde  razões não há
Faço versos inúteis porque não há utilidade na poesia
Nem caminhos necessários
Se aqueles versos te serviram não foi a intenção ultima

Se eles mudaram sua vida
Foi mera casualidade
Não culpe o poeta de buscar a poesia
São só palavras e pessoas

Ontem quando sai do silencio
E arrisquei meus primeiros passos na direção da fala
Não sabia quando nem onde
É o improviso da vida a falar por nossas bocas

Um eu a costurar expectativas no outro
Sempre a ponderar e depois agir
Mesmo que por impulsividade
O silencio é anterior a fala

E a poesia é meio onde isso tudo acontece
Um defronte do outro
Um a não entender o outro
Por ser ... Outro sua natureza

E quando me recolhi ao silencio
Ele me disse solene e utilitarista:
- Então envergas o discurso para não o enxergar
Ou envergas para muda-lo não se pode fugir desta dualidade

Não ... não posso
Mas posso falar do nascimento da poesia
Posso olhar o abismo e tirar do nada todas as possibilidades
Posso mergulhar em uma palavra e vive-la cotidianamente

Porque é entre o silencio e fala

Que nasceu a poesia