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terça-feira, 18 de agosto de 2020

Da poesia

 

Doce loucura dos poetas

Amantes da poesia e sua força

 

Da poesia fez-se o pranto

Entre as mãos espalmadas

Uma lagrima cai na calçada

Vira uma flor amarela que se chama poesia

 

Da poesia fez-se a musica

Entre dedos, dentes e cordas

Aninham no peito algo que não tem nome

Não tem forma talvez seja a poesia

 

Da poesia fez-se o grito

Entre o desespero, raiva e aflição

Uma força brota nos olhos

E cria coragem onde tinha covardia ... eis a poesia

 

Da poesia fez-se o silencio

Entre o momento e o tempo

Uma paz profunda vibra no peito

E sou nunca mais o mesmo graças a poesia

 

Da poesia fez-se a fala

Entre o ar, gargantas e lábios

Uma força de mudar o outro

E ser para além do corpo eis a poesia

 

O poeta

Ah! O Poeta ... enxerga a poesia

Que descola das bordas do quadro da vida

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Da verdade


 Deusa incognoscível
Quando ela fala os justos se calam
 
Não é bem tarefa do poeta
Dizer a verdade
Ao contrario
Ele inventa espelhos de si
 
Para enxergar outra verdade
Um paradoxo tão encantador
Que ele não resiste em ser o mentiroso
Com bons propósitos
 
Um sóbrio na plateia
Poderia se levantar e gritar bem alto:
“Blasfemia!”
Como não há plateia
 
Só esta folha em branco
O poeta controla seu sóbrio e seu ébrio
E como aqui não farei um tratado
Ou criarei expectativas e realidades
 
Farei jus a poesia e sua semelhança com a verdade
Sim a poesia tem verdade
Tirando algumas exceções não é a dos filósofos é claro
A verdade é irmã gêmea da poesia
 
Duas deusas nobres que olimpo algum há de ostentar
Elas vagam por entre os mortais
Como a simplicidade no sorriso infantil
Uma rosa que sobrevive na beira do asfalto
 
Elas abrem o caminho dos ébrios ao lar
Transforma um olhar em amor
E criam o amor como se fosse seu filho
Deusas poderosíssimas que negam o poder
 
Quando a verdade vier a minha porta
Com a notícia terrível e inexorável da morte
Honrarei seu nome como último ato
E que meu silencio seja enfim esquecido

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Do Amor





Amar
Verbo indefinido direto
Alguns dizem que
Do amor resta o ódio
Talvez não tenha sido amor
Nem amar

O amor é um pesadelo poético
Faz de sua universalidade e carisma
Um belo bosque iluminado
E o poeta penetra ingenuamente

Treda ilusão
O bosque rapidamente vira uma selva densa
Um labirinto que poucos ou nenhum
Escapam ilesos

Quando escapam
A luz do sol não é a mesma
O tempo colocou rugas na minha face
E o pequeno vazio no peito é vastidão desértica e árida

O poeta não tem culpa
Coitado
Se deus é maquina
É maquina também o corpo que carrega o poeta

Corpo feito para amar
E ser só perdão
Olhem ali o poeta espreitando o bosque do amor
Mas ele bate na perna irado com atual situação

E exclama
“Não falarei mais versos do amor!”
KKKKKKKKK
Mais uma vez coitado

Uma pequena borboleta amarela
Passa diante de seus olhos
Eis o poeta
Amando outra vez

terça-feira, 14 de julho de 2020

A borboleta e o trânsito




parem o transito
olhem ali voando uma borboleta
dessas que voam felizes
tão cheia de sonhos
           
mas como é
metal
cinza
e duro
essa cidade

A borboleta coitada
deusa do acaso e do improvável
vai ser esmagada
no transito, cinza metálico que passa

dou alguns passos
na minha solidão
de pedestre

o sinal abriu
abriu também no ar
o som de uma buzina apressada
e a borboleta ali voando
por entre os motores ligados

Ai que agonia!
Fecho os olhos pro pior
aperto o passo cabisbaixo
triste fim da borboleta

e por um instante
desses que o coração não se aguenta
olho pro lado
vejo a borboleta no alto
e acima dos carros e do chão

voando ao acaso
maestra da desarmonia
do cimento
borracha
e metal

Ai ! De novo uma agonia
um caminhão se aproxima
paro esperançoso na calçada
-         levante voo minha amiga

e no instante do acontecimento
no limite do agora pro que ainda vem
um para-brisa chapado
levou minha frágil deusa do acaso

Ah! se já não bastasse a morte
da borboleta solitária
seu assassino era um caminhão de flores

que ironia!

A cidade que compra flores mortas
não esquece de matar
borboletas vivas
sujando o vidro transparente
com matéria morta
que não vale
nada!



OBS: Este poema foi postado originalmente em 2012.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Amor virtual





Aquela curtida nas fotos
Uma piada bem comentada
As frases pseudofilosofias
Que nos faz sentir bem

Você está sorrindo de fato?
Não sei.
Esta tela não permite saber
"KKKK" não me diz nada

Como são cruéis estas onomatopeias
Me pego contando os ‘’K’’
Para saber o nível do teu sorriso
Contando os dias daquela resposta perdida

Outro dia vi um amigo comentando
"KKK" sem esboçar um sorriso
Ele me disse com cara mais deslavada
Que sorriu para dentro

Incrível a capacidade do ser humano de me surpreender
Sorrir para dentro
Chorar para dentro
Não que isso não seja possível é claro

É como se tornou comum
Silenciosos zumbis na sala de espera
Vez o outra um sussurro ... talvez de um meme
Perdidos olhos para lugar algum

Neste engano eis que vejo
Um jovem casal chegando
E tenciono escrever o contrario
Mas não posso

Logo se sentam
E cada qual no seu aparelho
Amam-se pelo espaço que não se tocam
Virtual amor dos solitários que amam a si mesmo

Reparando bem
Talvez seja um relacionamento virtual
Não sei ... como reconhecer os casais?
Ah! expectativa gera presunções

Talvez nunca soube reconhecer casais
No fundo é desnecessário saber reconhece-los
É arte antiga
Que está em desuso

O Amor agora é virtual
Está no espaço desta tela
Entre os olhos
E o desejo de que tudo seja real

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Mal-entendido



Foi um mal entendido
Apenas mais um dentre tantos na vida
E como todo mal entendido
Foi-se costurando no destino

De não entender nada
Mas supormos tudo
Na verdade foram as palavras
Estas desordeiras da linguagem

Não
Não bote a culpa nas palavras
Foste tu meu caro
Que imprimiste sem cogitar

Então aceite o recado dado
Mesmo que no silencio
Ou com certas inferências
Que jamais possa revindicar

Aceite o destino
Porque não tem outro a barganhar
Mas também não alfinetes de mais
Este ego de poeta sofredor

Porque poeta bom
É poeta morto
Assim aprendemos na escola
Não basta ser poeta de ego melindroso

E quanto ao mal entendido
Me perdoe de ter
Ficado o dito pelo não dito
A intenção pela coisa

Ps: Fica aqui registrado
Neste versos mal acabados
Todo o meu perdão por qualquer mal entendido
Futuro passado ou presente

Porque no final
Não sei usar das palavras
As vezes eu as uso
As vezes sou usado

quarta-feira, 4 de maio de 2016

A ilha



Na barra do Rio de Janeiro
Há uma ilha solitária
Ilha rasa
Ilha de um farol antigo

Ilha de uma profundo verde
Que quando os marítimos passam
Quando o norte desce ao sul
Ela aponta um destino possível

O destino de casa daquele que navega
No eterno voltar dos que partem
Avisa a mãe que vou chegar
E o mar ficou na esteira de meu caminho

Vou tirar o sal do corpo
Tomar um banho
E relaxar alguns dias

Até que o dia chega
A saudade bate em meu peito
E o mar me chama
Impassível e solene

Avisa a mãe que vou partir
Como as ondas eu sou marítimo
Meu chão não é firme
Meus olhos carregam uma solidão crônica

Um nó atado na vida que levo
Cheiro do mar que não mareia
Sal que penetra na carne, nos poros
Vícios de linguagens não usuais

Permeiam meu dicionário interno
Eis que não sou mais o mesmo
Não sei mais viver ordinariamente
Preciso de um curso como quem come

Filho de dois mundos

Quando eu voltar da imensidão azul
A ilha solitária guiará meu destino certo
Olhos desta madrugada
Quando o barco adentrar a baia

estou indo pra casa!  

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Até quando Maria?




Maria
É um novo dia
O dia chega a vida vai
 E você ... Maria

Até quando Maria?
Não escreverei mais versos
E você
Maria

Maria boa
Maria de todos nós
Maria
Até quando?

Você ... simplifica
Maria
Tão cheia de vida
Maria

Mas até quando?
Vá me diga
Se você falasse
Se você catasse

Mas você não fala
Samba Maria
Pisa nesse peito de poeta
Mas até quando?

Vai Maria
Sexta é carnaval
E você pode ... você deve
Afinal ... Maria

Até quando Maria?
Vá não me amole ... me diga
Maria boa
Maria de todos os poetas

Maria
Vem alegra esse dia
Como é suave a voz desse bom dia
E você ... Maria

Não adianta falar muito
Você é verbo, substantivo e os melhores adjetivos
Ou melhor
Você ... Maria

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Aparência



Que história é essa?
O tempo passa
E você não quer passar por ele?
É uma foto que envelhece só por fora

Na contagem dos absurdos do cotidiano
Este aparece em auto relevo na estrada
Meus contemporâneos não querem envelhecer
A velhice é quase uma doença a ser evitada

E como se já não bastasse o absurdo de suas querências
O paradoxo do discurso e dos atos é notória
As pessoas não querem que o tempo passe
Mas adoram fazer coisas para passar o tempo

Ah!
Não sabem retirar do silêncio
A espessa gota amarga do ócio

A doce tarde contemplativa
Se perde nas telas dos celulares

E quando se dão conta da beleza da tarde
Aceleram-se na rapidez da foto
Para viver uma não vida em lugar nenhum
Talvez para passar o tempo e não encarar a morte

Que seja

Que me perdoe todos os defensores da aparência
Todos os vendedores inescrupulosos
Todos as acionistas e negociantes da bolsa
Todos os acadêmicos pedantes
Todos aqueles que acreditam no espelho

Me perdoe
Eu não sei o que falo
Mas quando não se ama a realidade

Não se vive de fato

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A praia


A praia tem qualquer coisa do tempo
Do sol que penetra a escassa sombra
E ficamos assim com estes olhares perdidos
Na imensidão azul das águas distantes

Mar mãe de todas as coisas que vive
Eterno movimento
Ir e vir de energias solares
Que se faz presente nas ondas a quebrar

Areia que delimita meu caminhar
Vento que varre meu pensamento
É sempre um quando presente
Um agora curtido no sol

Esta sombra que me guarda
É o pouco que me resta
O nó desta vida que desata
Na mansidão serena

Eis que vão escorrendo pelas águas
Todos os pegue e pagues da vida
Todo desespero não passa de uma criança correndo
E a bola que não para ante sua querência

As coisas se diluem não necessidade
A temporalidade não é mais que areias
Rolando neste leve ventar
Que não venta de fato

É um afago na face dura do cimento
Um convite ao sono dos justos
Uma delicia para alem dos que sonham
Na leveza intransponível da existência

A praia de areias fofas
De movimentos únicos
Na sorte dos que projetam o futuro
Passos atentos de olhos distantes

Que todo conforto seja negado
Mas a sombra de uma praia

Esteja sempre acolhedora

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O tempo de Secchin

Poemas dedicado a Antônio Carlos Secchin
O seu dizer e redizer
é uma aventura para o portal do tempo e do
ser


A criança a espiar a janela
a ver o tempo amarelar tudo
por dentro das molduras
outros mundos
outras pulgas

No tempo de vovó
não tinha esta saudade a corroer
o feijão era bom
como nunca voltará a ser

nesta evolução de lugar algum
Eis que ficou a criança
a espiar tudo por de traz dos óculos

Dentro da criança
todos os mundos
todas as pulgas

E o mundo ficou a espiar a janela
vendo a criança amarelar tudo
dentro de vovó
ficou só a saudade do feijão

no mesmo mundo
nas mesmas pulgas

e tudo sempre foi sério
menos as pulgas
que eram tudo

quarta-feira, 20 de março de 2013

Depresão

Se fosse outro
Outro que nem Pessoa tivesse sonhado
Talvez fosse feliz

Bem
Eu sou feliz

Mas as vezes caio pelas tabelas
E me perco em lagrimas
Nada poeticas

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O tempo e o amarelo

Na repartição publica
o amarelo vai impregnando nas paredes
nas cadeiras e nas mobílias

eis que chega a minha vez
um funcionário amarelo me atende
envolto em documentos amarelos

ele maquinalmente trabalha
carimbo, teclado e caneta
engrenagem da incrível maquina

E tudo fica assim amarelo
de um amarelo tão profundo
que vai grudando na gente

saio meio atordoado
o sol já vai se por
e um dia inteiro se foi assim amarelando

respiro fundo e percebo
que amarelo fiquei também
e amarelo foi o tempo a passar

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A voz e a flor

Poema dedicado a minha querida amiga
Priscila Kroupa

Ela é forte
a força primitiva da natureza
rocha inundada de sentimento
força de uma voz decidida

e a vastidão objetiva nos engole
o desencontro bate na porta
mas não entra nem entrará
porque ela acredita na vida

cultiva flores neste mundo de metal
sim ...
o mundo está florido
e sempre estará meus amigos

quando a porta se fecha
é hora de visitar a memória
redescobrir o já conhecido
cultivar o amor esquecido

parado no tempo
aquele que transbordou do copo
e ficou lá esperando
querendo sair qual quer hora

É tudo tão simples
que as vezes assusta
fica naquele tempo etéreo
de se enxergar tudo

e um nada saber de manhã

mas sabemos cá dentro
é isso que importa
não tem água para essa rocha
ela tem água na liga dos grãos

o eterno fica miúdo
diante da justeza de sua voz
e das flores que cultiva
como aquele coração de amor profundo

pequenas letras de amor
tão simples
que poeta algum há de alcançar
são flores nesta cidade cinza

e no fim minha amiga
perdoa estes olhos
esta vontade de exprimir o inexprimível
essa loucura demasiadamente sóbria

você sabe o caminho
força, paz e bem
minha querida amiga

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Maria

Maria, o que você quer?
É chocolate, Maria?
Maria adora chocolate

é como você disse, né?!
“Adoçar a vida meu minino”

Maria, o que você quer?
Um CD de pagode?
Ah! pagode par vida
vida da Maria e do chocolate

Pagode para alma de Maria

Maria, o que você quer?
Aproveita Maria
pedir não é todo dia
O que você quer, Maria?

Maria não quer seda
Nem barco
nem muito dinheiro

Maria quer viver a vida
Trabalho pão e moradia
vida rica de Maria
não precisa muito

Maria

Não tem folha de estanho
nem muita metafísica
só um bocado de parcela da alma
alma simples de Maria

Mas Maria sonha
sonha com distâncias infinitas
na prisão de seu sofá
vão Marias e suas irmãs
                                       sonhar

Irmãs doces de Maria

Viver a vida e ir sonhando
grande sina de Maria
Maria boa
Maria mãe de todos nós

Adeus Maria
Até qualquer dia

sexta-feira, 16 de março de 2012

O motorista de ônibus

Um ponto de ônibus
uma parada
um sorriso
é tão bom quando um sorriso
inaugura o dia

sábado, 8 de outubro de 2011

Embalo na madrugada

Tão pequeno
e de olhos atentos
acorda o dia
e dorme com a madrugada

É tudo tão bom
choro risada
leite dormindo para sonhar
balança que segura nos ombros

olhos que nada escapam
o teto a parede a estante
partes de um mesmo lugar
de um mundo só visto por este pequenos olhos

que não escapam
a um ligeiro olhar
olhos nos olhos
olhos dorminhocos

estão fechando
hoje se foi amanhã quem sabe
a rotina não mostra outro mundo
repleto de novidades

que preguiça
arroto
sonha meu filho
amanhã iremos brincar com a vida

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sobre a TV

Enquanto eu ainda puder desligar a TV
continuarei acreditando na humanidade

domingo, 3 de abril de 2011

A borboleta

Uma borboleta entrou pela janela
pousou na estante
como se fosse fazer parte da família
sim pousada na estante

entrou na conversa
pediu licença
e voou de volta
deixando uma solidão profunda no peito

olhei pela janela
e a vi voar livre
como voam as palavras

e voei sozinho naquela tarde

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A vida na bagagem

Fiz a mala hoje devagar
com um desejo de ir misturado
a uma saudade antecipada

sempre faço as malas
volto porque não fui de fato
é um instante entre o ir e vir
que me encontro desencontrado

desencontrando caminhos
pessoas e lugares
passos atoas na minha solidão viajante
próximos passos ainda não dados

voltar não posso mais
meu caminho é longo
que com passos curtos
vou trilhando assim devagar

minha vida é um mala sempre pronta
prestes a tencionar a alça
inclinando na direção do mar

mais um destino certo
uma rota e vários caminhos
o nó da retinida que sustenta a mala
pendura minha vida nas bordas do navio

mais um dia de trabalho
na esperança do viajante
fica a mala pendurada
e a certeza que irá voltar