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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Oração ao amor virtual

 

Ah! Revoluções midiáticas

Me tire das normas da normalidade

Que eu possa ver os maestros de sonhos alheios

Regendo músicas sem saber tocá-las

 

Revolução midiáticas

Orai por aqueles likes

Que sejamos seguidos ... Engajados

Com a justa medida de nossas palavras

 

Que meu corpo seja julgado

Que minhas fotos sejam objetos de olhares intrigados

Que meus stores sejam vistos

E meus gifs desejados

 

Rogai por todos os seguidores

Que eu não perca a fidelidade numérica

De meus irmãos que não sei o nome

Que eu continue amando assim indiferente

 

Fingindo costume de felicidade

Que minha criatividade não definhe

E meus movimentos sejam copiados

Imitações criativas de agir no mundo

 

E por ultimo e não menos importante

Rogai por todos os haters eles não me entendem

Por minhas horas mortas de solidão e angustia

E que meu vazio continue criativo ... Amém

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Poesia na guerra





Não foram um, nem dois e nem três
Foram oitenta tiros
Não foram uma, nem duas e nem três
Foram incontáveis mortes

O fascismo deu a cara no discurso
Aquele seu vizinho calado
Não tem mas a vergonha
De gritar: CPF cancelado

Cada morto
Cada esquina
Uma guerra anestesiada
Escondida nos discursos de deus

Covardes fascistas

Quando você apoia um fascista
Você se torna um
Não tem meio termo
Para estas pessoas

Não há cristão fascista
Não se enganem
Quem não respeita a diferença
Não merece respeito

O poeta vai a guerra
Armado de palavras
E um sonho de inspirar o outro
Para além do mal e do ódio

Eu me levanto com Maya Angelou
Ando nos mesmos trens de Solano trindade
Chorei com os olhos de Conceição Evaristo
E dancei na quadrilha de Lívia Natália

Vocês não passaram
Porque minha força vem de zumbi e Dandara
Que pariu seu mestiço na mata

Vocês não passaram
Porque dancei com mestre Bimba
A capoeira de todos os santos

Chega!
Vocês não passarão

sexta-feira, 31 de março de 2017

A morte do Zé ninguém



Muitos estão chocados
Morreu o Zé ninguém

Ele que não podia ter ideias geniais
Ele que estava preso a propaganda
De refrigerantes enlatado de sua consciência
Ele que repetia opiniões porque não podia tê-las.

Ignorava porque aprendeu assim
Ontem é mais do que hoje
E você não tem o tipo
O tino para estrelar sua própria vida

Sigamos então
Coma
Beba
Compre

Ele que só é humano quando morre
Faça-me o favor de deixar
Herdeiros com sobrenome
Para lhe enterrar os ossos

Zé ninguém perdeu os sapatos
És um pouco menos do que tinha sido
Menos um
Menos dois

Menos ... mais um morto
Celebramos ao Zé ninguém
De lugar algum

E todos se espantaram com sua morte
Não pelo fato objetivo ou empatia é claro
É porque viram no espelho sua própria sorte
Zé ninguém morreu afetando os estômagos fracos

De roupa maneira
Zé ninguém mostrou para os que assistiam
Que ninguém é mais do que isso
Finalmente ele se igualou a todos

Zé ninguém!
Faça-me o favor de morrer sem muito alardes
Se possível ir ao caixão sem dar trabalho
Não suje a lindíssima avenida

Zé Ninguém!?

Todos que acreditam na vida
Não olham o coitado do Zé
Eles se olham espantados
Com a ânsia do vomito engasgado

Zé Ninguém morreu deixando um espanto geral
É porque eles acreditam que a base da vida é a diferença
É ser alguém

Mas eles não sabem Zé ... que somos todos Zé ninguém

domingo, 2 de outubro de 2016

Recado no Silêncio




Recado no silêncio

No desespero
Procuramos agir para remediar
O Irremediável
Aprendi

Que devemos seguir
Sempre no sentido da vida
Na corrente do rio
Que nunca é o mesmo

Mas teimamos em criar modelos
Organizados de como vencer na vida
Como descer o rio
Encarar a morte sem medo

Tal como heróis modernos
Plastificados no mecanismo do poder
Não interessa o destino
Se o fim absoluto existe

Ele que surgiu da duvida
E apropriou-se de todo cogitar
Da vida e tudo
Que nos rodeia

E chamamos de mundo
Porque não sabemos enxerga-lo
Quando nasci consciência
Tinha a certeza de que ele era eu

Não havia tristeza
Nem alegria
Era o que era
Eu transbordando de tudo

Eu passo profundo para o devir
Procurei o caminho
E não achei nada
Só violências e delicadezas no cotidiano

Não participo da ordem das coisas
Fiz o que pude
Mas o rio desce
Inexorável

Diante da verdade silenciosa
Desci ao político
Com a certeza dos querem algo
Mas eu não soube querer

Toda vez que pus palavras
No meu pensamento
Elas me escapavam
Olhei a minha volta

E lá vi os reacionários gritarem
Conformem-se
“O que é … é
E não vai deixar de se-lo.”

No extremo oposto
Progressistas sussurravam silenciosos
“Agarrem-se ao seu poder
De fazer o que quer de sua vida.”

Nas rendas imateriais do destino
Costuram-se tudo
Todos estão certíssimos
E completamente enganados

O caminho existe
Mesmo que não seja possível caminha-lo
O caminho é caminhar
E não saber o certo nem o errado

Não creio na verdade
Mas sei que existe

Então
Não perco tempo
Não ganho tempo

No fim
Duvido de tudo
Porque não sei nada

Não sou nada
Apenas mais um caminhante
Na estrada

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Narciso não quer ver



(Precisamos de uma terapia social)

Um abraço e um beijo
Nos olhos de Capitu
É no que não sabemos
Que temos todas as certezas


No silencio se tem a certeza de se estar existindo
Um vazio corpo balançando nos assertos ordinários
Passagem do discurso para a fala
Da evidencia para o fato

São sempre “in-certos” momentos do agora
Assertivos dardos das minha palavras
Lógica interna de se achar sempre
Para não titubear diante do extraordinário

Devemos crer com quem sabe
Pensar como quem age
Sonhar como que vive

E lá na esquina dobram-se o cotidiano
Pisam nas palavras de uma possível verdade
E querem que elas representem a realidade
Mas elas são tortas e nasceram assim

E não adianta querer muito delas
Porque ?!...
Porque há mais verdades no silencio
Do que todos os livros da estante

Cada pausa destes versos
Momentos de inspirações efusivos
Brotaram de um silencio
A posteriori sempre

Narciso não quer ver
Não quer cumprir o destino
Narciso quer sonhar que vive
Morrer sonhando é melhor
                                                           Porque não se morre de espelho

No espelho não se afoga
Se acha ... fotografa
Se vive na evidencia pura do agora
Filtrada em belas ferramentas virtuais do engano

Sou aquilo que quero ser
Corrijo a realidade para amenizar as coisas
Reparar os erros e as arestas
Me encaixar perfeitamente hermético

 Porque afinal a tela não perdoa
Os olhos não perdoam
Devemos então fura-lo?
Não ... Por favor Édipo não invada meu espaço

Então ...
Todas os deuses são metáforas do que devo ser
Não ... não fale todos
Não fale sempre
Não aprendeste nada na escola da relatividade?

Me parece
Sugiro
Neste aspecto
São boas palavras para não se dizer nada

Afinal
Quem nada diz
Comunga com os erros da verdade
Quem justifica o nada

Galga os degraus dourados da história
Siga a corrente remando seu próprio barco
Mais fácil meu caro amigo
Deixe o esforço no labutar das palavras

E agora como eu costuro esse devaneio todo?
Como eu termino estes versos soltos?
Talvez não termine

E boto mais na conta do silencio

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Nas ruas da cidade velha




“O rio de janeiro é uma tia velha
Que não perdeu a pompa nem altivez”
Oswaldo Montenegro

O papel está em branco
Há um silêncio tão profundo
Que a madrugada descansa de uma dia puxado
Os pés latejam da realidade dura do cimento

Estou sempre com este passo adiante
Eis que me deparo com uma fenda ordinária
Que separa virtualmente os corpos passantes
Vou me esgueirando neste grotão imaginário

Tudo passa
Nada se toca
Apenas um esbarrar no vento
No rastro do cheiro dos que passam

Momentos singulares do cruzar as ruas
Uma igreja centenária dobra a esquina
No outro lado da rua
Uma praça se esconde nas obras de um edifico qualquer

De dia é tudo tão vivo
Como se as almas velhas que por ali passaram,
E hoje jaz enterrada num caju distante,
Estivessem a dar corpo nas ruas estreitas da cidade

Na cidade quando as ruas se estreitam
Uma antiga fenda de um esgoto primitivo
Afundam os olhos do caminhante.
Paro na esquina e observo os sobrados antigos

Se apurarmos bem o ouvido
Talvez ainda ouçamos na curva da história
Um grito: declarativo, ordinário e sublime
“Vai à merda!”

Ah!  Ninguém se preocupa mais
Em apurar os ouvidos
É esse passo de poeta
Que não me deixa passar imune

E fico por alguns instantes
Saboreando este viajar no tempo da minha imaginação
Breves instantes aqueles
Eis que uma pessoa cruza em meu caminho apressada

Ela nem viu
Passou ocupada de mais no seu “smartfone”
Seus olhos mal olhava onde pisava
Caminhava num automatismo roto

A frase outrora declarativa
De que vinha a merda
Foi invertida em uma imperatividade
De que vá à merda

E a inversão não parou por ai
Inverteu também a realidade
Daquela que caminhava a pouco
Seus pés e seu corpo era uma ferramenta para o caminhar

Maquina do dia útil
Ah! Mas hoje estou sem paciência pra elas
Voltei ao meu caminho ordinário
E guardei meus passos de poeta no bolso

sexta-feira, 11 de março de 2016

Naquele Mês de Junho

 

Vozes ecoam neste silencio
Observo o horizonte de meus eventos
Na espera de um amanhã ... talvez
Melhor

Naquele mês, alguns minutos atrás
Quando o improvável era apenas
Um fio pendurado no jogo político
Retrospectiva torta de um passado ... já conhecido

Eis que a verdade veio a superfície
Os sem discursos vieram quebrar tudo
Invadiram as ruas ... avenidas
Mensagem recebida e não ignorada

Ruminante ainda não morreu
Mostra sua cara na aventura do desconhecido
Vozes no silencio ainda indefinidas
E quando tudo passar

Nos restará a historia
A por palavras nos livros didáticos
Força dos que falam
Atitude dos que não se enganam nunca

Ah! Aqueles que sabem a verdade de seu tempo
Mentem a si mesmo do mais alto grau da retórica
Mais fino licor da mentira
Eles acreditam

Eu que só tenho as metáforas e o silencio
Não me arrisco na visão do todo
Talvez acerte uma virgula
Ou fique preso em alguma reticências

Mas sou atado apenas a proposta
Não passo para alem das palavras
Não posso

Também não me absolvo desta culpa geracional
Carrego-a no bolso de uma roupa mal passada
Um nó fiel preso em minha garganta
Quanto mais se puxa ... mais aperta

Amanhã
Quando ontem será sempre ontem
E o agora uma passagem segura para o depois

Amanhã
Quando nunca será tarde
Quando nunca será cedo
Serão só palavras postas no sentido da vida

No sentido de um mundo ordenado
Ordem de dentro de nossa caixa Newtoniana
Pratica hedionda de verificar sempre
Analisar meu espetro indefinido no espaço

No fim ... deixo este fio solto pendurado nos últimos versos
Cada verso já fez sua representação possível
Fiz um passeio naquele mês ... no meu mês
Um passeio no nada que reveste tudo

No fim ... Não devo me espantar afinal
Finalizo com a insuperável metáfora grega
Isso tudo é apenas o insaciável Chronos

A devoras seus filhos


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Carta aos portugueses



Olha quem vem lá!
Na contramão das utilidades contemporâneas
Desponta a saudade nas pompas de um futuro prometido
Que definhe o ego nacional

Sonhar em demasia
Viver para com o passado
Não resolve nada
É porque nos olhos da memória ressoam ecos

Sons de um passado triunfante
Ecos conservadores curtidos em sangue colonial
Olhos embaçados de uma saudade torta
Olhos engolidos pelo mar da ganância

O velho mar não perdoa
Seus filhos habitam terras alheias
E vocês andam a chorar saudades sem fim
Acordem oh Portugal adormecido

Acordem meu irmão mais velho
Minha mãe zangada
Meu pai bonachão e repleto de mansidão
Para ... tudo

Acordem
E percebam a nova colonização
Colonos sem pátrias
Colônias sem fronteiras

Ou como disse o poeta moçambicano
Recolonialismo
Não nos falta gente e palavras
Falta-nos entendimento e coragem

Falta-nos união
Deixemos a entonação para os puristas
As palavras ainda são de nossa mãe
Colemos o ouvido no entendimento

Se esta carta chegar ao velho continente
O que duvido
Perdoe-me o estilo
Mas mande um abraço na tia

E um beijo na velha sombra da saudade

domingo, 29 de novembro de 2015

A guerra 2




Mais uma guerra na conta
Mortes a La carte
Bombas que não escolhem terroristas
Não escolhem fronteiras

Jogadas a esmo
Na esperança falsa de matar as ideias
Lideres fracos e oprimidos por
Uma opinião publica

Distorcida do que devemos querer
Eu que sei não nada
E que não quero saber
Debruço-me sobre as palavras

Observo a história como
Aquele que não deve nada
Não prova nada
Mas vejo toda a realidade se repetindo

Erros das violências justificadas
O que nos diferencia?
Quando aceitamos bombardeios
O que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Alguns exaltados diriam
É guerra
E na guerra os limites humanos se embaçam

Já ouvimos este argumento antes
É sempre o justo que mede
A medida dos que sobrevivem
Que usa da borracha do esquecimento

O que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Continuamos presos na caverna
Planejando
O próximo alvo
The next village

O que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Podemos construir nossas cavernas
Construir maquinas extensoras de minhas querencias
Maquinas de satisfação pessoal
Mundos perfeitamente inexistentes

Mas o que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Seremos um ponto na história
Sempre uma transição para algo
Que ainda não é
Uma passar eterno do acontecer alem

Uma ignorância necessária do discurso
Não nos iludamos com os ídolos da historia
Eles passaram
São transitórios como todo o momento o é

O que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Podemos tomar café nas alturas
Observar profundas grutas oceânicas
Ou mesmo enviar mensagens de marte

Mas no fundo
O que nos diferencia meu caro leitor?
Somos completamente diferentes
Perfeitamente iguais

Somos os responsáveis
Por cada bomba jogada
Por cada ódio alimentado

E não me venha com esta
De conclusões de nossos tempos
Somos responsáveis
Cada inocente morto em combate

Cada criança que não aparece nos noticiários
Somos responsáveis

Quando a morte me exigir o pagamento da vida
E na ultima consciência eu me perguntar
O que deixaste pra vida meu caro amigo?

Sem pressa
Responderei a mim mesmo
Deixei meus filhos

E uma esperança de paz em seus corações

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O silêncio que precede o caos



No fim do jogo, o rei e o peão voltam para mesma caixa
Provérbio Italiano


Abram-se as janelas
Deixemos a realidade entrar em nossos retinas
Imagem desbotada de uma janela voltada para outra
Um não vista para lugar algum

Um caixa que se chama apartamento
Fresta de nome janela
Carros que parecem não haver pessoas
Portas que se trancam como grades

Eis que o servo moderno é seu melhor carcereiro

Trancam-se na instituição do medo
Sentem eternas melancolias de uma realidade perdida
Uma saudade que nunca se esgota
Que escorre pelos azulejos da cozinha

Ah servos modernos
Livra-voz deste acordo invisível
Que vos cega do mais ordinário dos acontecimentos

Olhem ali ... Bem adiante

Uma flor amarela
Nasce na quina do muro
Recolhe o pouco de sol
Nas sombras de uma cidade suja

Quanta beleza filtrada nos olhos do cotidiano
Obediências camufladas nos costumes
Artificialidades naturais do dia a dia

Olhem ali ... Servos modernos
O silencio
Denuncia

Sua mais profunda solidão

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Correndo pra vida


Corre que o ônibus já vem
Corre para sentar no lugar que te serve
Corre os apressados em vencer na vida
Corre corre dia a dia

Na primazia do um
O dois é secundário por natureza
O três coitado nem se fala
Se perdeu nas quinas da realidade

E continuam correndo
Como se o correr endireitasse o tempo
Ajuste de uma engrenagem fina
Eles querem a sua vida

Apenas em horário comercial
O resto que sobra
Que corram pelas ruas e avenidas
Se escondam nos becos e nos subúrbios

Mas segunda feira
Dia útil
O relógio não perdoa
Então corra que o tempo é curto

A vida é curta

Ah! Um dia ainda hão de acordar deste pesadelo
E quando este dia chegar
E as pernas pararem de correr nas ruas e avenidas

Irão perceber
Que quem corre não caminha
Quem olha não enxerga

Quem ouve não escuta

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Um murmúrio no silêncio


Que sei eu das coisas?
Escolhi o silencio como quem troca de roupa
Eis que vejo velhos discursos se reinventando
Velhos ódios correndo mentes liberais

E me escondo nesse silêncio
Vou consumido frases clássicas
Vivendo minha crise para com tudo
Sofrendo das desinformações diárias

Um ceticismo curtido
Vai invadindo as cabeças eruditas
O poder pelo poder
Invade todas as castas bem informadas

Até onde vão com estas disputas?
As vezes julgo até não haver disputa
Apenas carniceiros roendo as costelas deste Brasil
Desinformados

Ainda não sabemos o que somos
O Brasil alem do futebol
Estamos carregando esta novidade
Apurando nossos ouvidos internos

E para isso
Devemos ouvir os que nunca falaram
Mesmo que as palavras pareçam truncadas
Os olhos nunca mentem

Mesmo diante da mais profunda dicotomia
Os olhos nunca mentem
As palavras não tem donos
Elas tem oportunidades do entendimento

Me perdoem este murmúrio silencioso
É apenas agonia dos que calam
Reverberações de uma solidão programada

Sou servo e senhor de minhas palavras

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Aparência



Que história é essa?
O tempo passa
E você não quer passar por ele?
É uma foto que envelhece só por fora

Na contagem dos absurdos do cotidiano
Este aparece em auto relevo na estrada
Meus contemporâneos não querem envelhecer
A velhice é quase uma doença a ser evitada

E como se já não bastasse o absurdo de suas querências
O paradoxo do discurso e dos atos é notória
As pessoas não querem que o tempo passe
Mas adoram fazer coisas para passar o tempo

Ah!
Não sabem retirar do silêncio
A espessa gota amarga do ócio

A doce tarde contemplativa
Se perde nas telas dos celulares

E quando se dão conta da beleza da tarde
Aceleram-se na rapidez da foto
Para viver uma não vida em lugar nenhum
Talvez para passar o tempo e não encarar a morte

Que seja

Que me perdoe todos os defensores da aparência
Todos os vendedores inescrupulosos
Todos as acionistas e negociantes da bolsa
Todos os acadêmicos pedantes
Todos aqueles que acreditam no espelho

Me perdoe
Eu não sei o que falo
Mas quando não se ama a realidade

Não se vive de fato

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Discurso da Miss erudita



Em alguma universidade Brasileira
Jaz a Miss Erudita
Sempre pronta para repetir genialidades



Que o indizível fique no silêncio
E toda poesia seja
Uma tradução torta
De uma realidade que se fez necessária

Que os gênios fiquem sempre no passado
E toda genialidade presente seja obvia
Um necessidade para o futuro
Acontecer como deveria

Que a humanidade nunca perca o esperar
Porque todos os sonhos não podem
Cair no limbo da desesperança
E as almas na eterna agonia

Que esta voz seja pra sempre ouvida
Não como matéria que se faz presente
Mas como coisa que carrega sentidos
E signos rítmicos perfeitos da poesia

Que minha mãe seja sempre louvada
E meu pai sempre tenha um beijo e um carinho

Que meu professor seja perfeito na arte de me enganar
E que ele faça tão bem que eu me sinta importante
Engrenagem fina de um mecanismo
Rebuscado e preciso

Que todos os humildes caiam aos meus pés
E se cale diante da presença de meu diploma

Que meu titulo sobrepuje meu nome
Em uma elevação máxima necessária ao espelho

Que todo pedantismo e arrogância
Se torne parte profunda de meu poder

E no fim

Quero agradecer a História

Por ter colocado meu nome nela

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O poeta perdido

Meus versos são domínio público
Mas o público não quer ouvir versos
Que não represente o espelho narcísico

Assim
Como fica o poema?
Não fica
Passou

Fui poeta se não para mim
Buscando os silêncios entre os versos
Tecendo metáforas perdidas
Poeta no limite do poema

Não devo falar em nome da poesia
Afinal estou perdido neste silêncio
Buscando personas que não existe
Para enfim

Ser Eu
O verdadeiro leitor de meus versos
Mas não desisto
Abro todas as gavetas

Espalho os papeis pela sala
Público em todos os sites
Curto compartilho
Eis que sou alguns micro bits virtuais

Números top´s
Reduzidos a click´s instantâneos
De atenção mal concedida
Porque não há tempo ... curta

Curto

Mas um numero na lista

sábado, 6 de dezembro de 2014

Política do martelo

E na TV te perguntam
Porque não dorme?
Durmo!

Porque não bebe?
Bebo

Porque não cantas?
Canto!

Eis que tudo se resume
A variações dos mesmos verbos
Que na sugestão sutil do martelo

Vão pregando-me cada dia mais

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O silencio que precede a fala


De silencio fez-se o som
Como que do nada veio a ordem
Na gênese sem resposta do que existe
Não tem meios nem fins que caibam

Cada pó 
Que cuide de sua poeira
Cada vida
Que viva suas escolhas

Equações gerais sem respostas
Matemáticas de tolos sociais
Genialidades próprias de um sujeito
Em predicados momentos existências

Aquele dia que não foi
Mas devia ter sido
São momentos dessa massa carbônica
Cheia de lembranças e expectativas

Todos dormem este sono necessário
Servos de nossa liberdade
Culpados de um juízo subjetivo
Na eterna busca do objeto ... liberdade

Sigamos a trilha de nós mesmo
Como pombos ciscam na praça
Passamos retos e livres
Escravos de um agora inevitável

As musas se calaram
Bits desalmados policiam o perímetro
Devo ser no limite do possível
Apertar botões a esmo na espera do nada

O medo ainda é a mais poderosa arma
Não superamos Cezar nem czares
Apenas refinamos o veneno doce da palavra
Na tela desta realidade

O pano de fundo que tudo cobre
Fez-me sozinho diante do nada
Preso por mim mesmo
O mais assíduo dos carcereiros

Eu que não sou se não uma imagem
Um fantoche ditador do que devo ser
sou esta ignorância bem vivida
Neste mar de gente bem armada pra vida

Eles que sabem o fazem
Que são felizes na medida do possível
Vivem este nó cego
Sem muitos embaraços

Programados num projeto dos que sobrevivem
Engenharias pisco sociais da ética
Modelam o modelo que deveria ser
Escapam felizes desta fardo de se escolher sempre

O fardo de não se saber de fato
A sina da vida sem escolha
É uma foto que nunca foi real
Apenas ficou o amarelo sorriso mal dado

Que suspendam o tapete do agora
Porque a faxina

Já vai começar

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Carta política


E agora?
Passamos pelas ruas
E agora?
As mesma caras vencendo a disputa

É meu amigo
No pais do homem cordial
Do malandro
E coisa tal

Nada muda
O que muda
É que aumenta a desesperança do pobre
A cachaça no esquecimento da vida

Muda também a cara de alívio do jornal
Acorde meu amigo
Não acordamos pra vida
Talvez suspiramos para um sono mais profundo

Dizem por ai que do pesadelo
Só se acorda com um susto
E alguns outros já ecoam a máxima pós-Marxista
Guerra civil ao capital!

Ah Índia
Ah Gandhi
Ah Gentileza de minhas ruas
Ensinai ao meu povo jovem

Que o vizinho come do mesmo prato

A cordialidade com os estrangeiros
Esconde nossa vergonha corrupta
Fechemos as feridas históricas
Lambemos então o sangue e sejamos um

Brasileiro
Longe da bola
Longe
Do circo fervente do bem virá

Qual radical há de ser o pivô brasileiro?
O modelo platônico de uma realidade oca?
Ah Gentileza
Tu fostes a rua e pregaste um cristo

Que não sabemos praticar
A cara
A face
Qual aforismo louco ainda não lemos

Não sabemos ser cordiais
De fato
Impressões a parte
Sejamos gentis com os vizinho

Afinal o prato é o mesmo
Mesmo ato
Mesma face
Mesmo tapa

Que abram todas portas do agora
Num fenda alucinante para este momento
E que o sorriso desta criança ao meu lado
Não cai morto em um guerra que não resolve nada

domingo, 3 de agosto de 2014

Em Juiz de Fora

Na preparação da arma
Uma emergência de 64
Um grupo de 1.200 homens
Caminham para proteger o estado

A democracia há de ruir
Mas nada é findo ainda
Para este soldado que caminha
viaja reto sobre o seu destino

o pelotão anda como se dominasse a morte
com uma sobriedade da vida
defende sua partia com amor de jovens
jovens soldados sem despedidas

a chuva limpa o coturno imundo
lava a alma sombria soldado
entre o hino e a marcha
a vida escorre pelas beiradas do prato

marcha soldado
na linha de frente do estado
doa sua vida
no limite entre o certo e o errado

O silencio é perturbador
Eis que um menino mirrado
Aparece dizendo:
“o pelotão inimigo foi avistado!”

“estamos perdidos
Estamos cercados”

“Quantos meu filho?
Muitos
12.000 homens
Blindados”

A colina ainda não chegou
Acampemos no vale
Disse o coronel de campanha:
“Amigos de armas

Nossa hora chegou!”
12 dias se passaram
Tensão armada
Emoções reprimidas no rifle engatilhado

Guerra civil!
Nenhum tiro foi dado

No décimo terceiro dia
Um soldado do estado
Canta na aurora
Na fila do rancho

“Gloria Gloria
aleluia
Gloria gloria
aleluia
cristo a frente do seus povos
multidão já conquistou”

1.200 homens
Em coro
Levantam as vozes
Como pássaros armados

A musica acabou
O silencio começava a perturbar de novo

Quando se houve
Na fronteira inimiga
Um eco de 12.000 vozes
Eco de uma fraternidade armada

No fundo
São brasileiros
Antes de ser soldados

Nenhum sangue foi derramado
Duas intermináveis horas se passaram
E abraços para todos os lados
Mas a ordem continua é claro

O presidente deposto
E agora começa 64
Sem guerra civil
Graças a um soldado

Que entre o hino e a marcha
Mudou o estado de guerra
Para golpe de estado

domingo, 13 de julho de 2014

Culpa de Maria

E tudo começou com um tapa
Um grito e uma risada
Depois
Um empurrão que afasta

Uma joelhada
Mãos na garganta
E uma quase morte
Quase tragédia diária

Assim neste misto de desejo e ódio

Mais uma vez
O absurdo se fez cotidiano
A violência nas marcas
Na pele de uma mulher

Que assiste a tudo
E no fundo
Se sente culpada
Culpa de gerações passadas

E ela volta
O instinto não perdoa
Aprisionada pelo desejo
Onde tudo flutua

Entre

Dominar e ser dominada
Dor e prazer
Afinal cavalo manso
É fraco e desajeitado

Principal argumento dos que batem
E dos que aceitam a fraqueza do dominado

E ela sonha em dominar a fera
“Agora foi!
Ele deu jeito
Esta preso pela promessa”

Pela desculpa
Que culpa
Antes do entendimento da culpa
Na justificação do erro pelo seu erro

E ela chora
Sente vergonha por trás dos óculos
Por escuras mascaras inconsciente
Correm delicadas lagrimas noturnas
 
Na pressa de ir
Sai atordoada
Não reconhece esquinas
Afinal se sente culpada

Com passos curtos e apressados
Busca a rodoviária
Passagem só de ida
Um amor esfacelado

Ela senta na espera do ônibus
Ele não chega
É um completo vazio
Cheio de gente e maquinas
 
Ele senta no banco da frente
O ônibus não chega
A agonia não passa
Ela no telefone chora inconsolada

Ele se aproxima devagar e diz:
“Me perdoa não vá meu amor
Tome as redias de minha cara
Faça uma corda de aço
                                                                     não quero liberdade.”

Mas como as palavras podem ser enganosas
A dissimulação é a força do dominante
Que se faz de dominado
Arrependimentos dos que mentem

Ah! O doce vazio de se crer na mentira
De fazer de dentro uma realidade fora
Confundir os sonhos
Embaralhar a sorte mais uma vez

Ai Se eu soubesse rezar
Se eu pudesse sair da dicotomia
Entre lá e cá
“O que fazer com meus desejos e sonhos?

Quem há de curar o meu desejo de desejar
Que desejando o que não deveria desejar
Me cura de um desejo que não posso desejar?
Qual deusa maldita fez o destino de meu desejo

Este nó de ponta única?”
Até quando Maria
Não há de perceber a armadilha social deste engodo
Desta eterna culpa de se viver Maria

Liberte-se da culpa Maria
Corte a corda
E viva La vida