Mostrando postagens com marcador dinheiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dinheiro. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de dezembro de 2014

Política do martelo

E na TV te perguntam
Porque não dorme?
Durmo!

Porque não bebe?
Bebo

Porque não cantas?
Canto!

Eis que tudo se resume
A variações dos mesmos verbos
Que na sugestão sutil do martelo

Vão pregando-me cada dia mais

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Carta política


E agora?
Passamos pelas ruas
E agora?
As mesma caras vencendo a disputa

É meu amigo
No pais do homem cordial
Do malandro
E coisa tal

Nada muda
O que muda
É que aumenta a desesperança do pobre
A cachaça no esquecimento da vida

Muda também a cara de alívio do jornal
Acorde meu amigo
Não acordamos pra vida
Talvez suspiramos para um sono mais profundo

Dizem por ai que do pesadelo
Só se acorda com um susto
E alguns outros já ecoam a máxima pós-Marxista
Guerra civil ao capital!

Ah Índia
Ah Gandhi
Ah Gentileza de minhas ruas
Ensinai ao meu povo jovem

Que o vizinho come do mesmo prato

A cordialidade com os estrangeiros
Esconde nossa vergonha corrupta
Fechemos as feridas históricas
Lambemos então o sangue e sejamos um

Brasileiro
Longe da bola
Longe
Do circo fervente do bem virá

Qual radical há de ser o pivô brasileiro?
O modelo platônico de uma realidade oca?
Ah Gentileza
Tu fostes a rua e pregaste um cristo

Que não sabemos praticar
A cara
A face
Qual aforismo louco ainda não lemos

Não sabemos ser cordiais
De fato
Impressões a parte
Sejamos gentis com os vizinho

Afinal o prato é o mesmo
Mesmo ato
Mesma face
Mesmo tapa

Que abram todas portas do agora
Num fenda alucinante para este momento
E que o sorriso desta criança ao meu lado
Não cai morto em um guerra que não resolve nada

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Pixo

Quem assinou
O mural da fama dos anônimos?
Arte marginal
De um descontrutivismo alinhado

Filosofias que estão além
O mural da realidade há de suportar?
O rabisco?!
O traço da fama?!

Sou pixador
Questiono a beleza tradicional
Maquio lugares abandonados
Praças, esquinas esquecidas

Protegido pelo véu da noite
Imponho me autografo
Como um famoso decaído
Marco na pedra minha marca

Balanço a lata
E sou eu saltando pro infinito
Desenhando um A e um circulo
Escrevo frases para os cegos do dia

Ah! O dia veio
Sai de casa apressado
Para inauguração publica de minha arte
Meu outdoor anarquista

Sento em meu camarote
Peço uma água no bar da esquina
O tempo passa
E ninguém põe reparo nas nuanças delicadas da escrita

Eis que um velhinho sai da casa vizinha
Uma lata de tinta cinza
Pintou meu coração atrevido
Pintou toda esperança do mundo

Não posso falar a luz do dia
Mas vamos lutar
Eu com meu spray
Você com sua tinta

Amanhã pixo seu muro
Velho capitalista

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Uma loja no shopping

As verdades descolam das paredes
 E caíram em meu colo
Enquanto olhava as pessoas
Em suas vidas diárias
 
As roupas
Todas querem olhar a vitrine
Todas querem ser
Vestidos de manequins
 
Boa tarde senhora
Fique a vontade
É tudo seu
Basta comprar
 
Eu quero um short
Uma blusa quem sabe?!
Entra senhora
Temos varias cores disponíveis
 
Não sei?!
Bota a mão no cabide
Experimenta
Desfila flutuando
 
Sua bolsa é nova
Toda vendedora põe reparo
Tubaroas da venda
E do varejo
 
Boa tarde
Um sorriso maquinal
Boa tarde
Posso ajudar o senhora?!
 
Sempre se pode ajudar
É tudo tão lindo
Mas este não caiu bem
Sinceridade carnívora
 
Experimenta este
Ah! este sim!
 
Mentira socialmente aceita
O sol lá fora queima
Aqui você está a salvo
É tudo sempre o mesmo
 
Um sorriso
É minha vez não vendeu
Perdeu
Roda a roleta do varejo
 
Esta eu passo
Mal vestida
Vou lá no estoque
Já volto querida
 
Eta má sorte
Quero ela de volta
De volta minha linda?!
O que a senhora deseja?
 
Nunca fui de fato
Vamos juntas
Tal como princesas sem reinos
Folhear felicidades de panos coloridos
 
Quanto é este?
O justo preço minha querida
Quanto vale sua vida?
E sua cresça nesta aparência abatida?
 
Tudo isso
Já basta minha senhora
 
Volte sempre
Estaremos aqui
No templo da futilidade
Prontas para encurtar o seu sonho

terça-feira, 6 de julho de 2010

Papel terra que enterra

Esta terra que te cabe neste latifúndio
para terra vão os nobres heróis modernos
essa terra que te cabe
e preenche todos os seus espaços

bala com destino certo
face avessa do nobre terrorista
olho no almoço
olho na janta e dente que come

terra destino
sabia que seus olhos carcomidos
afundaria nesta lama densa
que quanto mais se mexe anfunda

sabia mas foi encontro-la
não há mão amiga revestida de dinheiro
só este papel sujo que rasga
e queima nos cofres públicos

e só papel pintado
que carrega berço
carrega arma
carrega leite
carrega sangue

papel dos dedos
papel frágil papel simples
papel arvores das folhas
papel da vida e do enterro
papel para tudo

cidade de papel
cimento de papel infecundo
não há lavrador no cimento papel duro
metal borracha de papel
papel para tudo