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terça-feira, 8 de setembro de 2020

Condenados a liberdade


A nossa liberdade está em condicional nas letras
Culpado por tentar dar sentido a elas
Ou fazer delas o nosso sentido
No fundo é tudo a mesma nenhuma coisa
 
Sentido
Não Há
São só palavras em cima de palavras
Que chamamos de versos
Estrofes
E
Quem sabe
Um poema nasceu
 
De um sem sentido
Existente
De um mundo
Inexistente
Amontoados
De letras e versos
Palavras
Que tornam sentidas
Vividas
Por nós poetas
E transtornadas
Em poesia
Até de forma
Banalizada
 
Estamos condenados a liberdade
Ouso dizer que erramos na vida
Se há sentido nela
O da poesia é torto e inútil
 
Ah! Todos os versos são inúteis e necessários
E por isso nós poetas
Estamos condenados a liberdade
 
Poema em Coautoria com a poetiza Debs Lima da Pagina Refém das letras.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Da verdade


 Deusa incognoscível
Quando ela fala os justos se calam
 
Não é bem tarefa do poeta
Dizer a verdade
Ao contrario
Ele inventa espelhos de si
 
Para enxergar outra verdade
Um paradoxo tão encantador
Que ele não resiste em ser o mentiroso
Com bons propósitos
 
Um sóbrio na plateia
Poderia se levantar e gritar bem alto:
“Blasfemia!”
Como não há plateia
 
Só esta folha em branco
O poeta controla seu sóbrio e seu ébrio
E como aqui não farei um tratado
Ou criarei expectativas e realidades
 
Farei jus a poesia e sua semelhança com a verdade
Sim a poesia tem verdade
Tirando algumas exceções não é a dos filósofos é claro
A verdade é irmã gêmea da poesia
 
Duas deusas nobres que olimpo algum há de ostentar
Elas vagam por entre os mortais
Como a simplicidade no sorriso infantil
Uma rosa que sobrevive na beira do asfalto
 
Elas abrem o caminho dos ébrios ao lar
Transforma um olhar em amor
E criam o amor como se fosse seu filho
Deusas poderosíssimas que negam o poder
 
Quando a verdade vier a minha porta
Com a notícia terrível e inexorável da morte
Honrarei seu nome como último ato
E que meu silencio seja enfim esquecido

sábado, 16 de dezembro de 2017

A alma do falar

 

Olhando bem funda na alma
Vasculhando o vazio e suas falas
Nasci assim entre o sonho e a necessidade
Falo baixo porque minha voz é muito

Voz rouca temperada na loucura
Esconde meus braços de pegar o mundo
E não saber usa-lo
Sou um tronco na cidade bolha

Apenas uma metáfora da fala e do não saber
Ignoro um sorriso ontem porque hoje não sei de nada
Meus pés caminham por estradas que não conheço
E toda tentativa de ser assim é uma desnecessidade de alma

Porque ser é desprovido do querer ser

As musas se foram e me deixaram com a solidão e a fala
Descobri que os pássaros acordam com a luz branca
E os espectros encarnado do sol nascendo
É o despertar do dia no fogo de Hórus

Mas isso também não importa
Quando a fala cai no ouvido da gente
Ela tem a força da natureza
Tal como Marco Polo não falava trivialidades

Conversar com os pássaros é um privilégio da loucura
Assustadoramente encantador
Terrivelmente belo
Beleza apreciada por poucos e almejado no dia a dia

Estou escolhendo meu caminhar
Porque meu Norte é todos os pontos cardeais
E a liberdade dos pássaros me ensina a voar
Ensina a acordar para luz do sol

Eu que entendo as coisas envesadas
Contorço minhas palavras na tentativa
De dar cabo ao sonho e sua loucura amena
De ir vivendo este cotidiano

E predicado alguma de falar deste sujeito ordinário
Porque o cotidiano é filho do Cronos
Neto de gaia com sua beleza simples
Ele é cinza encarnado de todas as cores

É o bêbado que se levanta na esquina
E cruza com a senhora que volta do sacolão
São as folhas no quintal de uma velha
E ela só limpa a passagem

O cotidiano é assim
Extraordinariamente belo para quem tem olhos
Encantador para quem tem ouvidos
Sublime para quem vive o agora

Para quem vive no amanhã ou no ontem
Ele é cinza ... uma passagem para não vida
Desperdício terrível de se estar querendo viver
e não vive
Mas falar dele é perde-lo
Tal como areia não mão
Quanto mais se quer falar
Menos se sabe

A fala nasceu para endireita-lo
E ele é o que é
Por isso na alma da fala

Há o desejo dos que ouvem de verdade

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Duas rosas no tempo



Nem Preto
nem Branco
Nem Rosa
nem Cinza

Ah! Meu deus
Se há um Deus ... meu deus!

Eles estão esquecendo
Esquecendo das rosas
Esquecendo das cinzas     

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O Natal

 

Quando criança
Achava que era a época que meu pai
Ficava mais feliz
E sempre me dava os melhores brinquedos do ano

Achava que as arvores de natal
Eram pequenos universos inexploráveis
E dava uma vontade de mexer em tudo
E não podia ... então eu a comia com os olhos

Quando criança
Adorava ver o menino Jesus
Deitando no seu berço de palha
E ele não estava triste como nas igrejas

Achava que os animais do presépio
Eram os brinquedos dele já desembalados
E quando ele chorava
Eu pega um escondido para nina-lo

Quando criança
No natal ... ouvia muitas vozes que não conhecia
Então, me calava para ouvir a musica
A musica que bate em cada peito que fala

Ouvia as histórias dos outros
Tendo a certeza de que eram minhas
Histórias de um tempo que não vivi
Mas presenciei todas pelas bocas cantantes

Hoje não tenho mas este natal
As arvores desbotaram no cotidiano cinza
Os brinquedos vejo nos olhos de meus filhos
O menino Jesus ... um símbolo de uma história minto antiga

Meu pai
Continua feliz no natal ... que bom!

Quando vejo os olhos de uma criança
Percebo um pequeno reflexo da memória
Sonhando para alem do possível
Olhando na falta o que não podemos ver

Deste poema se resta o obvio
É que o Natal ...

O natal ... é de todas as crianças

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Narciso não quer ver



(Precisamos de uma terapia social)

Um abraço e um beijo
Nos olhos de Capitu
É no que não sabemos
Que temos todas as certezas


No silencio se tem a certeza de se estar existindo
Um vazio corpo balançando nos assertos ordinários
Passagem do discurso para a fala
Da evidencia para o fato

São sempre “in-certos” momentos do agora
Assertivos dardos das minha palavras
Lógica interna de se achar sempre
Para não titubear diante do extraordinário

Devemos crer com quem sabe
Pensar como quem age
Sonhar como que vive

E lá na esquina dobram-se o cotidiano
Pisam nas palavras de uma possível verdade
E querem que elas representem a realidade
Mas elas são tortas e nasceram assim

E não adianta querer muito delas
Porque ?!...
Porque há mais verdades no silencio
Do que todos os livros da estante

Cada pausa destes versos
Momentos de inspirações efusivos
Brotaram de um silencio
A posteriori sempre

Narciso não quer ver
Não quer cumprir o destino
Narciso quer sonhar que vive
Morrer sonhando é melhor
                                                           Porque não se morre de espelho

No espelho não se afoga
Se acha ... fotografa
Se vive na evidencia pura do agora
Filtrada em belas ferramentas virtuais do engano

Sou aquilo que quero ser
Corrijo a realidade para amenizar as coisas
Reparar os erros e as arestas
Me encaixar perfeitamente hermético

 Porque afinal a tela não perdoa
Os olhos não perdoam
Devemos então fura-lo?
Não ... Por favor Édipo não invada meu espaço

Então ...
Todas os deuses são metáforas do que devo ser
Não ... não fale todos
Não fale sempre
Não aprendeste nada na escola da relatividade?

Me parece
Sugiro
Neste aspecto
São boas palavras para não se dizer nada

Afinal
Quem nada diz
Comunga com os erros da verdade
Quem justifica o nada

Galga os degraus dourados da história
Siga a corrente remando seu próprio barco
Mais fácil meu caro amigo
Deixe o esforço no labutar das palavras

E agora como eu costuro esse devaneio todo?
Como eu termino estes versos soltos?
Talvez não termine

E boto mais na conta do silencio

domingo, 29 de novembro de 2015

A guerra 2




Mais uma guerra na conta
Mortes a La carte
Bombas que não escolhem terroristas
Não escolhem fronteiras

Jogadas a esmo
Na esperança falsa de matar as ideias
Lideres fracos e oprimidos por
Uma opinião publica

Distorcida do que devemos querer
Eu que sei não nada
E que não quero saber
Debruço-me sobre as palavras

Observo a história como
Aquele que não deve nada
Não prova nada
Mas vejo toda a realidade se repetindo

Erros das violências justificadas
O que nos diferencia?
Quando aceitamos bombardeios
O que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Alguns exaltados diriam
É guerra
E na guerra os limites humanos se embaçam

Já ouvimos este argumento antes
É sempre o justo que mede
A medida dos que sobrevivem
Que usa da borracha do esquecimento

O que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Continuamos presos na caverna
Planejando
O próximo alvo
The next village

O que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Podemos construir nossas cavernas
Construir maquinas extensoras de minhas querencias
Maquinas de satisfação pessoal
Mundos perfeitamente inexistentes

Mas o que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Seremos um ponto na história
Sempre uma transição para algo
Que ainda não é
Uma passar eterno do acontecer alem

Uma ignorância necessária do discurso
Não nos iludamos com os ídolos da historia
Eles passaram
São transitórios como todo o momento o é

O que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Podemos tomar café nas alturas
Observar profundas grutas oceânicas
Ou mesmo enviar mensagens de marte

Mas no fundo
O que nos diferencia meu caro leitor?
Somos completamente diferentes
Perfeitamente iguais

Somos os responsáveis
Por cada bomba jogada
Por cada ódio alimentado

E não me venha com esta
De conclusões de nossos tempos
Somos responsáveis
Cada inocente morto em combate

Cada criança que não aparece nos noticiários
Somos responsáveis

Quando a morte me exigir o pagamento da vida
E na ultima consciência eu me perguntar
O que deixaste pra vida meu caro amigo?

Sem pressa
Responderei a mim mesmo
Deixei meus filhos

E uma esperança de paz em seus corações

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Correndo pra vida


Corre que o ônibus já vem
Corre para sentar no lugar que te serve
Corre os apressados em vencer na vida
Corre corre dia a dia

Na primazia do um
O dois é secundário por natureza
O três coitado nem se fala
Se perdeu nas quinas da realidade

E continuam correndo
Como se o correr endireitasse o tempo
Ajuste de uma engrenagem fina
Eles querem a sua vida

Apenas em horário comercial
O resto que sobra
Que corram pelas ruas e avenidas
Se escondam nos becos e nos subúrbios

Mas segunda feira
Dia útil
O relógio não perdoa
Então corra que o tempo é curto

A vida é curta

Ah! Um dia ainda hão de acordar deste pesadelo
E quando este dia chegar
E as pernas pararem de correr nas ruas e avenidas

Irão perceber
Que quem corre não caminha
Quem olha não enxerga

Quem ouve não escuta

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Agonia no silêncio


Quero falar mas não posso
As palavras não traduzem
Este silêncio

Quero falar mas não posso
Misturo política partidária
Com o meu cotidiano roto
Devidamente martelado

Quero falar mas não posso
Estas infinitas tardes solitárias
Que aprumam estes versos em que caio
Destilam o silêncio desta agonia

Quero falar mas não posso
Vivemos tempos obscuros e voláteis
Falar por falar não resolve nada
Nem clarifica as pedras da estrada

Quero falar mas não posso
Os verbos engasgam em minha garganta
Substantivos não delimitam as substancias
E voaram todos os meus adjetivos

...

Assim
Neta tarde em que quis falar
Chorei silenciosamente

Ciente de minha profunda solidão

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Metafísico momento


Este assombro de ter nascido do nada
Um eu filho da entropia
Fico a suspirar fundo
Sentido o presente passar

Alucinado pelo momento
Quero pega-lo para no fundo dizer:
Estou vivo!
Quero ser agora e para sempre hoje

Ser no silêncios todos os sons possíveis
Saudade momento do que há de vir
Quero o agora
Porque amanhã não existe


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Pixo

Quem assinou
O mural da fama dos anônimos?
Arte marginal
De um descontrutivismo alinhado

Filosofias que estão além
O mural da realidade há de suportar?
O rabisco?!
O traço da fama?!

Sou pixador
Questiono a beleza tradicional
Maquio lugares abandonados
Praças, esquinas esquecidas

Protegido pelo véu da noite
Imponho me autografo
Como um famoso decaído
Marco na pedra minha marca

Balanço a lata
E sou eu saltando pro infinito
Desenhando um A e um circulo
Escrevo frases para os cegos do dia

Ah! O dia veio
Sai de casa apressado
Para inauguração publica de minha arte
Meu outdoor anarquista

Sento em meu camarote
Peço uma água no bar da esquina
O tempo passa
E ninguém põe reparo nas nuanças delicadas da escrita

Eis que um velhinho sai da casa vizinha
Uma lata de tinta cinza
Pintou meu coração atrevido
Pintou toda esperança do mundo

Não posso falar a luz do dia
Mas vamos lutar
Eu com meu spray
Você com sua tinta

Amanhã pixo seu muro
Velho capitalista

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Uma loja no shopping

As verdades descolam das paredes
 E caíram em meu colo
Enquanto olhava as pessoas
Em suas vidas diárias
 
As roupas
Todas querem olhar a vitrine
Todas querem ser
Vestidos de manequins
 
Boa tarde senhora
Fique a vontade
É tudo seu
Basta comprar
 
Eu quero um short
Uma blusa quem sabe?!
Entra senhora
Temos varias cores disponíveis
 
Não sei?!
Bota a mão no cabide
Experimenta
Desfila flutuando
 
Sua bolsa é nova
Toda vendedora põe reparo
Tubaroas da venda
E do varejo
 
Boa tarde
Um sorriso maquinal
Boa tarde
Posso ajudar o senhora?!
 
Sempre se pode ajudar
É tudo tão lindo
Mas este não caiu bem
Sinceridade carnívora
 
Experimenta este
Ah! este sim!
 
Mentira socialmente aceita
O sol lá fora queima
Aqui você está a salvo
É tudo sempre o mesmo
 
Um sorriso
É minha vez não vendeu
Perdeu
Roda a roleta do varejo
 
Esta eu passo
Mal vestida
Vou lá no estoque
Já volto querida
 
Eta má sorte
Quero ela de volta
De volta minha linda?!
O que a senhora deseja?
 
Nunca fui de fato
Vamos juntas
Tal como princesas sem reinos
Folhear felicidades de panos coloridos
 
Quanto é este?
O justo preço minha querida
Quanto vale sua vida?
E sua cresça nesta aparência abatida?
 
Tudo isso
Já basta minha senhora
 
Volte sempre
Estaremos aqui
No templo da futilidade
Prontas para encurtar o seu sonho

terça-feira, 23 de abril de 2013

O funcionário

De segunda a sesta
Funcionário do banco
Terno gravata e pessoas
O capital circula na seriedade do ato

Sai de casa
Cabeça baixa
Mesmo horário
Rotina inabalável

Um transeunte lhe cumprimenta
Com uma certa cumplicidade
Crimes curtidos a álcool
Não olha nos olhos da loucura

No horário do expediente
A retidão é seu sobrenome
Marculino é só para os bêbados
O grande orador de profundidade intocável

Ah! Sesta a noite
Começa outra rotina
Moladar a vida em algumas noites
Cerveja bar e amigos

Amigos de copo
Amigos da vida
Instantes infinitos
Nesta temporalidade emotiva

Outro Marcos
Outra vida

Segunda o estomago ruge de novo
E a selva cinza nos consome

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A voz e a flor

Poema dedicado a minha querida amiga
Priscila Kroupa

Ela é forte
a força primitiva da natureza
rocha inundada de sentimento
força de uma voz decidida

e a vastidão objetiva nos engole
o desencontro bate na porta
mas não entra nem entrará
porque ela acredita na vida

cultiva flores neste mundo de metal
sim ...
o mundo está florido
e sempre estará meus amigos

quando a porta se fecha
é hora de visitar a memória
redescobrir o já conhecido
cultivar o amor esquecido

parado no tempo
aquele que transbordou do copo
e ficou lá esperando
querendo sair qual quer hora

É tudo tão simples
que as vezes assusta
fica naquele tempo etéreo
de se enxergar tudo

e um nada saber de manhã

mas sabemos cá dentro
é isso que importa
não tem água para essa rocha
ela tem água na liga dos grãos

o eterno fica miúdo
diante da justeza de sua voz
e das flores que cultiva
como aquele coração de amor profundo

pequenas letras de amor
tão simples
que poeta algum há de alcançar
são flores nesta cidade cinza

e no fim minha amiga
perdoa estes olhos
esta vontade de exprimir o inexprimível
essa loucura demasiadamente sóbria

você sabe o caminho
força, paz e bem
minha querida amiga

domingo, 6 de janeiro de 2013

Ideias

Quero fazer um poema
Com a mais alta temática
A mais humana dentre todos
a mais filosófica das verdades

Quero fazer um poema e não ser mais um
Mais um numero dentre tantos no mundo
humanos mundos de mim mesmo

As ideias mudam o Mundo!

todos sabem do velho ditado
Mas quem assiste de camarote?
Quem dá fé as irrealidades
pregando na vida essa desumanidade?

Não há respostas unas
meu caro leitor
somos este aninhamento de palavras
de símbolos teimosos

significantes avariados
demasiadas distancias incomunicáveis
ironia de nosso tempo caro leitor
pavor e medo no limite de nossas portas

tranquem-se
construam prisões para seus corpos
suas ideias não podem voar
devem estar presa neste cotidiano roto

Olhem pela janela de sua sala de estar
lá está todas as possibilidades
toda a vida pulsando na mata
nas origens de nossas vontades

E nada acontece
nem um pouco de grama invade o asfalto
continuamos a emborrachar a terra
o medo é a flecha da desgraça

não há história da humanidade
só você caro leitor
o resto são crenças e palavras
duvide da verdade do mais alto cientista

não há tolices em duvidar
temer pelo erro
buscar sua verdade
tolice é aceitação máxima dos graus da academia

somos todos nós de uma mesma corda

O nó que segura esta irrealidade
que nos faz balbuciar qualquer coisa
nesta alienação voluntaria
um sentir sem palavras

caro leitor vos agradeço
a paciência e o julgamento
porque as ideias
não morrem jamais

sábado, 26 de março de 2011

Meu casaco

Um dia quando era criança
minha vó me disse:
vou lhe fazer um casaco
eu cresci e o casaco crescia comigo

eu que esperava ansioso
não podia entende-la de todo
passaram anos
e ela veio me tirar as medidas

e perguntei?
Vó ainda não fez meu casaco
calma meu neto vou fazer um casaco
que você não perca quando crescer

passei alguns anos no frio
e chegou o dia tão esperado
ela segurando a peça
e meus olhos brilhando

sim um casaco
simples
tinha tudo que um casaco deve ter
mas esse era diferente

loja alguma venderia um casaco igual
este casaco é meu
minha vó é quem fez
tem amor nos pontos do crochê

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quando tudo começou 3

E da musica fez-se a poesia
assinatura do poeta
ente que anda grilo que canta
esperança zinindo cá dentro

A esperança quando juntou-se a lama
e criou os seres viventes
deixou sua marca profunda
que no silencio fez-se a musica

a musica da cabeça do ser humano
somos um ritmo que nos marca
um passo que passa
um som que nos embala

a batida no peito
sorrisos reguladores de frequência
e deste caos e barulho ei que surge uma criança
que une todos os viventes terrestre

Um menino meio arvore e peixe
meio isolado e dono de todas as falas
responsável pela união das coisas
eis que amor brotou da terra

Sesta e Arão
Arão e Sesta
descobriram no colo desta criança
um presente de suas mães

uma flauta que une os sons
o voo da borboleta
com grito constante da esperança
a flauta tinha duas metades

Arão e Sesta pegaram as metades
e dividiram um para cada
formando os sexos que se encaixam
e o amor reinaria na mundo

entre o ar e a terra
paira uma distancia
que separa as partes da flauta
que jamais toca sozinha

o espevitado amor sai em disparada
pega mão de um e o leva até o outro
sorrisos inocentes povoam sua face
enigmatística de amar as vezes sozinho
mais amar

A cada ente na terra
descendente de Sesta e Arão
exite a mão pequena do amor
Puxando as metades da flauta

A busca de Sesta
A busca de Arão
duas metades que se encaixam
formando o uno e a perfeição

E do caos fez-se a luz
mas antes não era escuridão

E da esperança fez-se o escuro
como os zinidos na cabeça dos ser humanos

E assim surgiu todas as coisas

Quando tudo começou 2

Quando a borboleta
filha do Caos com a Deusa mãe
nasceu

a lua mudou de forma
as águas quebram nas pedras

das pedras fez-se areia
das águas fez-se mar
na terra formou-se barro
e a esperança a grilar

nasceu a deusa do acaso
a borboleta nasceu no ar
regendo coisas de dentro
que de fora movia-se

a esperança nasceu do nada
ao nada voltou
um ser único
que brada seus grilos constantes

pouco a pouco
o ruido fundo da esperança
atraia a enorme borboleta amarela
junto a terra borrosa dos pântanos

duas forças se uniram
alunas futuras de lebos
amaram-se profundamente
como a mistura no barro

e desta união
surgiu Aratão único filho
Nascido do barro e sem costelas
primeiro humano a pisar na terra

Sobre Aratão

Enquanto nascia destas forças
a deusa do acaso amarela
penetrou tão profundo na terra
que hoje ela nasce sem asa

um ato de amor materno
transfigurou suas asas
nas costelas de seu filho

e no ultimo sopro de vida
arrastou-se fora do pântano

E deste ato puro surgiu Sesta
Irmã do peito de Aratão
que amaram-se
criando todos os viventes

Hoje que o tempo é passado
e a história é escrita

toda vez que um que ser que se arrasta
pousa em um galho de arvore
refazendo sua costelas de asas
um humano deve voltar ao barro

quando a Deusa sai de seu ninho
gota a gota ela seca a água do barro
e rege todos os movimentos do mundo

Sobre Sesta

No início eram dois
que a terra unia em seu amago
com a união de duas Deusas
do androgeneo fez o sexo

O grilo da esperança
afundou no barro
dividiu-se em duas parte iguais
e cantou dentro de Aratão e Sesta

e o barro levantou-se
A deusa do acaso criou casulo e costela
para ambas as partes
e O Grilo e A esperança
se dividiram em iguais que se encaixam

A esperança formou Sesta
O grilo formou Aratão
pedaços de uma mesma parte
de duas Deusas iguais

Sobre a morte da esperança

Uma esperança nunca morre
não como conchemos a morte
deste lado barrento da morte

Quando canta a cigarra
ou o grilo no mato
um ser nasce

A esperança é mãe, filha, filho e pai
de todos os viventes
e todos feitos de barro
como os humanos

Se um dia morrer a esperança
o barro não mais levantará

e da musica fez-se o silencio
como da fala fez-se o nada