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terça-feira, 8 de setembro de 2020

Condenados a liberdade


A nossa liberdade está em condicional nas letras
Culpado por tentar dar sentido a elas
Ou fazer delas o nosso sentido
No fundo é tudo a mesma nenhuma coisa
 
Sentido
Não Há
São só palavras em cima de palavras
Que chamamos de versos
Estrofes
E
Quem sabe
Um poema nasceu
 
De um sem sentido
Existente
De um mundo
Inexistente
Amontoados
De letras e versos
Palavras
Que tornam sentidas
Vividas
Por nós poetas
E transtornadas
Em poesia
Até de forma
Banalizada
 
Estamos condenados a liberdade
Ouso dizer que erramos na vida
Se há sentido nela
O da poesia é torto e inútil
 
Ah! Todos os versos são inúteis e necessários
E por isso nós poetas
Estamos condenados a liberdade
 
Poema em Coautoria com a poetiza Debs Lima da Pagina Refém das letras.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O caboclo amazônico

Poema dedicado ao Caboclo velho Pirua
que conheci em viagem a Manaus
nos dedos de prosa
dessa vida


De riso frouxo
voz mansa e dedo na costela
senhor de terras pequenas
na amazônia gigante

todo essa floresta
que eu homem tão cinza
não consigo imaginar
o tamanho deste mundo

e ele conta seus contos
dia a dia vai vivendo
lembrando as coisa
nunca esquecendo

terra à cultivar
mata intocada
o grande ar condicionado noturno
na força desse caboclo

e fala sorrindo
“eu e que não gasto luz
com esse mato do lado
é melhor que qualquer condicionado”

e vai no mesmo carro que eu
operar uma catarata
que os olhos da vida ainda não comeu
ficou embaçado no canto da mata

Itaquatiara
na grande viajem a Manaus
a cidade grande no meio da mata
opera os olhos desse caboclo

tão cheois de políticas
e a vida que vai sumindo aos poucos
escorrendo por entre os dentes
queimando nas matas

e corre o vento fresco da noite
as janelas se abrem
ventilador não carece
nem esse tal computador

“que carrega no bolso
todas as coisas do mundo”
dizia o caboclo insatisfeito
dessa maquina que tudo sabe

eu no auge do meu respeito
disse com os olhos mareados de amor
que sábio mesmo era o caboclo
vive na fresquidão da floresta e não carece luz elétrica

e o caboclo macho que só cão
amoleceu seu coração velho solitário
soltou uma gargalhada simples e verdadeira
e disse em tom solene esse tal calculador não tem nada não

O caboclo dono da verdade da mata
tinha toda razão
não se calcula o amor do pião
com maquina nenhuma não