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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Sonho perdido





A muito que não escrevo
Ficaram tristes as promessas
E longe os caminhos

Aquela nossa viagem
Nunca foi feita
Achei que poderia faze-lo sozinho
Treda ilusão

Ela entrou para rol das coisas irrealizáveis
Apenas isso
Um sonho perdido
Na gaveta junto a papeis velhos e alguns clipes

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O Natal

 

Quando criança
Achava que era a época que meu pai
Ficava mais feliz
E sempre me dava os melhores brinquedos do ano

Achava que as arvores de natal
Eram pequenos universos inexploráveis
E dava uma vontade de mexer em tudo
E não podia ... então eu a comia com os olhos

Quando criança
Adorava ver o menino Jesus
Deitando no seu berço de palha
E ele não estava triste como nas igrejas

Achava que os animais do presépio
Eram os brinquedos dele já desembalados
E quando ele chorava
Eu pega um escondido para nina-lo

Quando criança
No natal ... ouvia muitas vozes que não conhecia
Então, me calava para ouvir a musica
A musica que bate em cada peito que fala

Ouvia as histórias dos outros
Tendo a certeza de que eram minhas
Histórias de um tempo que não vivi
Mas presenciei todas pelas bocas cantantes

Hoje não tenho mas este natal
As arvores desbotaram no cotidiano cinza
Os brinquedos vejo nos olhos de meus filhos
O menino Jesus ... um símbolo de uma história minto antiga

Meu pai
Continua feliz no natal ... que bom!

Quando vejo os olhos de uma criança
Percebo um pequeno reflexo da memória
Sonhando para alem do possível
Olhando na falta o que não podemos ver

Deste poema se resta o obvio
É que o Natal ...

O natal ... é de todas as crianças

quarta-feira, 4 de maio de 2016

A ilha



Na barra do Rio de Janeiro
Há uma ilha solitária
Ilha rasa
Ilha de um farol antigo

Ilha de uma profundo verde
Que quando os marítimos passam
Quando o norte desce ao sul
Ela aponta um destino possível

O destino de casa daquele que navega
No eterno voltar dos que partem
Avisa a mãe que vou chegar
E o mar ficou na esteira de meu caminho

Vou tirar o sal do corpo
Tomar um banho
E relaxar alguns dias

Até que o dia chega
A saudade bate em meu peito
E o mar me chama
Impassível e solene

Avisa a mãe que vou partir
Como as ondas eu sou marítimo
Meu chão não é firme
Meus olhos carregam uma solidão crônica

Um nó atado na vida que levo
Cheiro do mar que não mareia
Sal que penetra na carne, nos poros
Vícios de linguagens não usuais

Permeiam meu dicionário interno
Eis que não sou mais o mesmo
Não sei mais viver ordinariamente
Preciso de um curso como quem come

Filho de dois mundos

Quando eu voltar da imensidão azul
A ilha solitária guiará meu destino certo
Olhos desta madrugada
Quando o barco adentrar a baia

estou indo pra casa!  

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Um murmúrio no silêncio


Que sei eu das coisas?
Escolhi o silencio como quem troca de roupa
Eis que vejo velhos discursos se reinventando
Velhos ódios correndo mentes liberais

E me escondo nesse silêncio
Vou consumido frases clássicas
Vivendo minha crise para com tudo
Sofrendo das desinformações diárias

Um ceticismo curtido
Vai invadindo as cabeças eruditas
O poder pelo poder
Invade todas as castas bem informadas

Até onde vão com estas disputas?
As vezes julgo até não haver disputa
Apenas carniceiros roendo as costelas deste Brasil
Desinformados

Ainda não sabemos o que somos
O Brasil alem do futebol
Estamos carregando esta novidade
Apurando nossos ouvidos internos

E para isso
Devemos ouvir os que nunca falaram
Mesmo que as palavras pareçam truncadas
Os olhos nunca mentem

Mesmo diante da mais profunda dicotomia
Os olhos nunca mentem
As palavras não tem donos
Elas tem oportunidades do entendimento

Me perdoem este murmúrio silencioso
É apenas agonia dos que calam
Reverberações de uma solidão programada

Sou servo e senhor de minhas palavras

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Errante no exílio


Todas as vezes que achei a verdade
A minha verdade que seja
Errei tão profundamente
Que o constrangimento me veio a face

Todas as vezes que fui confiante
Que não pensava no próximo passo
Errei em não duvidar do caminho
E as pedras ralaram meu joelho cansado

Todas as vezes
Que pus palavras no pensamento
Elas me ignoravam
Me escapavam pela porta da frente de casa

Velhas amigas confidentes
De minha solidão
Velhas companheiras
De minha ignorância para com o tudo

E eu ainda tento compreende-las
Ah! Como são profundos os abismos desta vida
Como são surpreendentemente novas todas as palavras
Mesmíssimas novidades diárias

É bom estar enganado de si mesmo
Erro necessário do porvir
Amanhã quando sol nascer no horizonte
Estarei certo que estou sempre a errar por ai


Errante solitário no exílio

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Agonia no silêncio


Quero falar mas não posso
As palavras não traduzem
Este silêncio

Quero falar mas não posso
Misturo política partidária
Com o meu cotidiano roto
Devidamente martelado

Quero falar mas não posso
Estas infinitas tardes solitárias
Que aprumam estes versos em que caio
Destilam o silêncio desta agonia

Quero falar mas não posso
Vivemos tempos obscuros e voláteis
Falar por falar não resolve nada
Nem clarifica as pedras da estrada

Quero falar mas não posso
Os verbos engasgam em minha garganta
Substantivos não delimitam as substancias
E voaram todos os meus adjetivos

...

Assim
Neta tarde em que quis falar
Chorei silenciosamente

Ciente de minha profunda solidão

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O teu silêncio II


O teu silencio foi como navalha
Suspendeu no ar toda esperança
Quem dará o primeiro passo?
Passo sem jeito de uma relação frágil

O que fazer com este silêncio
Se não devolvê-lo?!
Ninguém se arrisca em perguntas desnecessária
Nem em obviedades discursivas

É só silêncios
Profundos silêncios de um embaraço torto
Não há nada para se dizer
Mas todas as coisas deveriam ser ditas

Um respeito necessário a convivência
O perdão diluiu-se no tempo
Polindo os silêncios entre meu peito e o teu
Fazendo o possível para o rancor sumir

Teu silencio foi como uma navalha
Cortou meus braços no intuito de te abraçar
Cortou minha garganta na hora de falar

Teu silêncio foi como uma navalha
Cortou tudo
Cortou nada