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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A filosofia do silêncio imposto


Esta arrogância disfarçada
Onde o silêncio impõe o não dialogar
Escorre deste podre sistema de dominação sugestiva
O silêncio dos jornais

Misturados as bombas
Faz de genocídios
Perfeitos silêncios não existentes
A guerra muda dos querem falar

Não podem falar
O desespero dos que fogem
Só demonstram a crueldade milenar
Refinada na arte de matar a distância

É tudo um jogo nas mãos de jovens
Baixemos o som para corações sonhadores
Mas apertem o gatilho
Afinal dedo treinado ordem executada

No silêncio entre os tiros
Entre a morte de desconhecidos
Eis que uma silenciosa voz grita ao fundo
"Morte aos bárbaros obedientes a Alá!"

Até quando teremos que interpretar os silêncios?
Até quando a metáfora se fará necessária?
Falsear a verdade de verdade dúbia
É dizer a verdade por de traz da linha dos justos

Mas este ponto é só uma vista de meus olhos
não me arrisco na resposta completa
A pergunta decanta um gota espessa
E assim vou amargando meu café diário

Entre fragmentos do noticiário
E belezas clássicas
O silencio se faz presente

E fico a chorar mortos que não conheço

domingo, 3 de agosto de 2014

Em Juiz de Fora

Na preparação da arma
Uma emergência de 64
Um grupo de 1.200 homens
Caminham para proteger o estado

A democracia há de ruir
Mas nada é findo ainda
Para este soldado que caminha
viaja reto sobre o seu destino

o pelotão anda como se dominasse a morte
com uma sobriedade da vida
defende sua partia com amor de jovens
jovens soldados sem despedidas

a chuva limpa o coturno imundo
lava a alma sombria soldado
entre o hino e a marcha
a vida escorre pelas beiradas do prato

marcha soldado
na linha de frente do estado
doa sua vida
no limite entre o certo e o errado

O silencio é perturbador
Eis que um menino mirrado
Aparece dizendo:
“o pelotão inimigo foi avistado!”

“estamos perdidos
Estamos cercados”

“Quantos meu filho?
Muitos
12.000 homens
Blindados”

A colina ainda não chegou
Acampemos no vale
Disse o coronel de campanha:
“Amigos de armas

Nossa hora chegou!”
12 dias se passaram
Tensão armada
Emoções reprimidas no rifle engatilhado

Guerra civil!
Nenhum tiro foi dado

No décimo terceiro dia
Um soldado do estado
Canta na aurora
Na fila do rancho

“Gloria Gloria
aleluia
Gloria gloria
aleluia
cristo a frente do seus povos
multidão já conquistou”

1.200 homens
Em coro
Levantam as vozes
Como pássaros armados

A musica acabou
O silencio começava a perturbar de novo

Quando se houve
Na fronteira inimiga
Um eco de 12.000 vozes
Eco de uma fraternidade armada

No fundo
São brasileiros
Antes de ser soldados

Nenhum sangue foi derramado
Duas intermináveis horas se passaram
E abraços para todos os lados
Mas a ordem continua é claro

O presidente deposto
E agora começa 64
Sem guerra civil
Graças a um soldado

Que entre o hino e a marcha
Mudou o estado de guerra
Para golpe de estado