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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A praia


A praia tem qualquer coisa do tempo
Do sol que penetra a escassa sombra
E ficamos assim com estes olhares perdidos
Na imensidão azul das águas distantes

Mar mãe de todas as coisas que vive
Eterno movimento
Ir e vir de energias solares
Que se faz presente nas ondas a quebrar

Areia que delimita meu caminhar
Vento que varre meu pensamento
É sempre um quando presente
Um agora curtido no sol

Esta sombra que me guarda
É o pouco que me resta
O nó desta vida que desata
Na mansidão serena

Eis que vão escorrendo pelas águas
Todos os pegue e pagues da vida
Todo desespero não passa de uma criança correndo
E a bola que não para ante sua querência

As coisas se diluem não necessidade
A temporalidade não é mais que areias
Rolando neste leve ventar
Que não venta de fato

É um afago na face dura do cimento
Um convite ao sono dos justos
Uma delicia para alem dos que sonham
Na leveza intransponível da existência

A praia de areias fofas
De movimentos únicos
Na sorte dos que projetam o futuro
Passos atentos de olhos distantes

Que todo conforto seja negado
Mas a sombra de uma praia

Esteja sempre acolhedora

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A casa amarela do porto

Casa amarela
reboco caído faz tempo
soçobrou a fachada
tombada por papel e tinta

não há mas janelas
grandes janelas haviam
puseram tijolo nas janelas
cobrindo os sonhos antigos

casarão velho do porto
talvez um comandante
longo curso viagens antigas
fosse seu mais ilustre morador

olhando o mar pela janela
sua esposa esperava um navio voltar
voltar de vários dias e meses
uma espera eterna do mar

e um tiro arrebentou o céu
um bote se aproxima da praia
uma botina no cais de tapume
eis que o comandante chega em casa

e abrem-se todas as janelas
o ar penetra a casa como um doce perfume
uma olhada no espelho
um respiro fundo e um sorriso de abrir porta

e lá esta ele
seu comandante impecável
viagens e lugares não conhecidos
batalhas jamais batalhadas

dois sorrisos se enlaçam
todos agora sabem
o comandante está de volta
e as janelas abertas pra vida

o tempo passou
a vida quase voltou a rotina
quando o mar e ganancia
levaram de volta seu comandante

e não se ouviu mas tiro
nem bote
nem botina
sereias o levaram pro fundo do mar
o tempo passou mais um pouco
os filhos seguiram seus próprios passos
saíram do mar
venderam a casa amarelada com tempo

hoje
não temos nem a sombra do comandante
nem botina no tapume
soçobrou a fachada e as janelas fechada