segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Errante no exílio


Todas as vezes que achei a verdade
A minha verdade que seja
Errei tão profundamente
Que o constrangimento me veio a face

Todas as vezes que fui confiante
Que não pensava no próximo passo
Errei em não duvidar do caminho
E as pedras ralaram meu joelho cansado

Todas as vezes
Que pus palavras no pensamento
Elas me ignoravam
Me escapavam pela porta da frente de casa

Velhas amigas confidentes
De minha solidão
Velhas companheiras
De minha ignorância para com o tudo

E eu ainda tento compreende-las
Ah! Como são profundos os abismos desta vida
Como são surpreendentemente novas todas as palavras
Mesmíssimas novidades diárias

É bom estar enganado de si mesmo
Erro necessário do porvir
Amanhã quando sol nascer no horizonte
Estarei certo que estou sempre a errar por ai


Errante solitário no exílio

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Agonia no silêncio


Quero falar mas não posso
As palavras não traduzem
Este silêncio

Quero falar mas não posso
Misturo política partidária
Com o meu cotidiano roto
Devidamente martelado

Quero falar mas não posso
Estas infinitas tardes solitárias
Que aprumam estes versos em que caio
Destilam o silêncio desta agonia

Quero falar mas não posso
Vivemos tempos obscuros e voláteis
Falar por falar não resolve nada
Nem clarifica as pedras da estrada

Quero falar mas não posso
Os verbos engasgam em minha garganta
Substantivos não delimitam as substancias
E voaram todos os meus adjetivos

...

Assim
Neta tarde em que quis falar
Chorei silenciosamente

Ciente de minha profunda solidão

sábado, 13 de junho de 2015

Referência Poética


Com os olhos de poeta
Varri a modesta sala da memória
Eis que percebo sentado num canto
Um velho cego de amor e sua flor murcha

No centro da sala
Um poeta que revira as novidades
Como um folhear de revistas desinteressado
Vai despetalando os versos com soberba indiferença

Mas ao canto a esquerda
Vejo um poeta que se engasgou
No mais sublime ódio de mulher
E fez do seu silêncio a espera de acontecer alem

Mais ao fundo
Um poeta recado
Que fez do cotidiano
A superação de uma poesia fracassada

Sentado ao meu lado
Preso num espectro solar
Uma figura emblemática e intransponível
Ele sorri num misto de prazer e desdém

Na sala vizinha
Ouço os gritos abafados de desconhecidos
Ignorância necessária para viver a vida
Como se tira o viço das pedras ao pupilas

Nessa costura intima
Vou cravando o meu destino
Nodoas irremediáveis do porvir
Frases curtidas no sol de minha ciência

Todos eles são outros
Mesmíssimos outros neste eu perturbado
Mas não os trago no bolso da persona
Nem os sinto na fonte de minha humanidade

Eu os sinto nos olhos
Como velhos amigos
De uma amizade só minha
Como são solitários os poetas

Como são delicados os silêncios
Por entre os versos
Como são inúteis

E necessários todos os versos

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Aparência



Que história é essa?
O tempo passa
E você não quer passar por ele?
É uma foto que envelhece só por fora

Na contagem dos absurdos do cotidiano
Este aparece em auto relevo na estrada
Meus contemporâneos não querem envelhecer
A velhice é quase uma doença a ser evitada

E como se já não bastasse o absurdo de suas querências
O paradoxo do discurso e dos atos é notória
As pessoas não querem que o tempo passe
Mas adoram fazer coisas para passar o tempo

Ah!
Não sabem retirar do silêncio
A espessa gota amarga do ócio

A doce tarde contemplativa
Se perde nas telas dos celulares

E quando se dão conta da beleza da tarde
Aceleram-se na rapidez da foto
Para viver uma não vida em lugar nenhum
Talvez para passar o tempo e não encarar a morte

Que seja

Que me perdoe todos os defensores da aparência
Todos os vendedores inescrupulosos
Todos as acionistas e negociantes da bolsa
Todos os acadêmicos pedantes
Todos aqueles que acreditam no espelho

Me perdoe
Eu não sei o que falo
Mas quando não se ama a realidade

Não se vive de fato

domingo, 3 de maio de 2015

O enterro de Pã



Esta morto
A linguagem do silêncio foi imposta
Como as arvores balançam no fim da tarde
Acabou tudo

O não ser é necessário
Para se manter a ordem das coisas
Desnecessárias

E não percebemos que não adianta lutar
A transitoriedade é a regra geral
O silêncio profundo há de vencer sempre
Como as arvores balançam nesta tarde

Esta morto
Mas ainda não enterrado
Ainda cabe aos vivos sentir sua ultima agonia
Seu ultimo silêncio na beira do esquecimento

O ultimo recado dos mortos
É este silêncio impenetrável
Este excesso de lembranças passageiras
E a ignorância de não se ser jamais esquecido

Mentira socialmente aceita
Verdade refutada na vida
Na fonte de nossos desejos de eternidade

Pã está morto
Mas ainda não foi enterrado
Ainda não sabemos esquecê-lo
Para enfim vivermos o agora

Como as arvores balançam neste fim de tarde


terça-feira, 31 de março de 2015

E do silencio fez-se a fala


Quando ouço meu silencio
É sempre um espanto de se estar vivo
O universo tem silêncios impenetráveis
Que mal se pensa que existe

Mas ninguém ouve o silencio de fato
Só a morte talvez venha a dar forma
A este recurso da linguagem
Metafísica de se falar no silêncio

Uma necessidade de não ser
Para enfim entender o contraste da fala
Dos sons que permeiam tudo
Sons que movem este corpo cansado

Escapar não é possível
Deixemos essa loucura aos profetas
Eles que sabem exprimir do silêncio
Esse reinventar dos que falam

Fiquemos então com os nossos silêncios
Tão nossos que nenhum outro poderia ser
Tão óbvio que nem observamos a fundo
É sempre um momento que passou

E passou
Passou
Passou

...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O teu silêncio II


O teu silencio foi como navalha
Suspendeu no ar toda esperança
Quem dará o primeiro passo?
Passo sem jeito de uma relação frágil

O que fazer com este silêncio
Se não devolvê-lo?!
Ninguém se arrisca em perguntas desnecessária
Nem em obviedades discursivas

É só silêncios
Profundos silêncios de um embaraço torto
Não há nada para se dizer
Mas todas as coisas deveriam ser ditas

Um respeito necessário a convivência
O perdão diluiu-se no tempo
Polindo os silêncios entre meu peito e o teu
Fazendo o possível para o rancor sumir

Teu silencio foi como uma navalha
Cortou meus braços no intuito de te abraçar
Cortou minha garganta na hora de falar

Teu silêncio foi como uma navalha
Cortou tudo
Cortou nada

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A praia


A praia tem qualquer coisa do tempo
Do sol que penetra a escassa sombra
E ficamos assim com estes olhares perdidos
Na imensidão azul das águas distantes

Mar mãe de todas as coisas que vive
Eterno movimento
Ir e vir de energias solares
Que se faz presente nas ondas a quebrar

Areia que delimita meu caminhar
Vento que varre meu pensamento
É sempre um quando presente
Um agora curtido no sol

Esta sombra que me guarda
É o pouco que me resta
O nó desta vida que desata
Na mansidão serena

Eis que vão escorrendo pelas águas
Todos os pegue e pagues da vida
Todo desespero não passa de uma criança correndo
E a bola que não para ante sua querência

As coisas se diluem não necessidade
A temporalidade não é mais que areias
Rolando neste leve ventar
Que não venta de fato

É um afago na face dura do cimento
Um convite ao sono dos justos
Uma delicia para alem dos que sonham
Na leveza intransponível da existência

A praia de areias fofas
De movimentos únicos
Na sorte dos que projetam o futuro
Passos atentos de olhos distantes

Que todo conforto seja negado
Mas a sombra de uma praia

Esteja sempre acolhedora

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A filosofia do silêncio imposto


Esta arrogância disfarçada
Onde o silêncio impõe o não dialogar
Escorre deste podre sistema de dominação sugestiva
O silêncio dos jornais

Misturados as bombas
Faz de genocídios
Perfeitos silêncios não existentes
A guerra muda dos querem falar

Não podem falar
O desespero dos que fogem
Só demonstram a crueldade milenar
Refinada na arte de matar a distância

É tudo um jogo nas mãos de jovens
Baixemos o som para corações sonhadores
Mas apertem o gatilho
Afinal dedo treinado ordem executada

No silêncio entre os tiros
Entre a morte de desconhecidos
Eis que uma silenciosa voz grita ao fundo
"Morte aos bárbaros obedientes a Alá!"

Até quando teremos que interpretar os silêncios?
Até quando a metáfora se fará necessária?
Falsear a verdade de verdade dúbia
É dizer a verdade por de traz da linha dos justos

Mas este ponto é só uma vista de meus olhos
não me arrisco na resposta completa
A pergunta decanta um gota espessa
E assim vou amargando meu café diário

Entre fragmentos do noticiário
E belezas clássicas
O silencio se faz presente

E fico a chorar mortos que não conheço

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Discurso da Miss erudita



Em alguma universidade Brasileira
Jaz a Miss Erudita
Sempre pronta para repetir genialidades



Que o indizível fique no silêncio
E toda poesia seja
Uma tradução torta
De uma realidade que se fez necessária

Que os gênios fiquem sempre no passado
E toda genialidade presente seja obvia
Um necessidade para o futuro
Acontecer como deveria

Que a humanidade nunca perca o esperar
Porque todos os sonhos não podem
Cair no limbo da desesperança
E as almas na eterna agonia

Que esta voz seja pra sempre ouvida
Não como matéria que se faz presente
Mas como coisa que carrega sentidos
E signos rítmicos perfeitos da poesia

Que minha mãe seja sempre louvada
E meu pai sempre tenha um beijo e um carinho

Que meu professor seja perfeito na arte de me enganar
E que ele faça tão bem que eu me sinta importante
Engrenagem fina de um mecanismo
Rebuscado e preciso

Que todos os humildes caiam aos meus pés
E se cale diante da presença de meu diploma

Que meu titulo sobrepuje meu nome
Em uma elevação máxima necessária ao espelho

Que todo pedantismo e arrogância
Se torne parte profunda de meu poder

E no fim

Quero agradecer a História

Por ter colocado meu nome nela