Esta morto
A linguagem do silêncio foi imposta
Como as arvores balançam no fim da tarde
Acabou tudo
O não ser é necessário
Para se manter a ordem das coisas
Desnecessárias
E não percebemos que não adianta lutar
A transitoriedade é a regra geral
O silêncio profundo há de vencer sempre
Como as arvores balançam nesta tarde
Esta morto
Mas ainda não enterrado
Ainda cabe aos vivos sentir sua ultima
agonia
Seu ultimo silêncio na beira do
esquecimento
O ultimo recado dos mortos
É este silêncio impenetrável
Este excesso de lembranças passageiras
E a ignorância de não se ser jamais esquecido
Mentira socialmente aceita
Verdade refutada na vida
Na fonte de nossos desejos de eternidade
Pã está morto
Mas ainda não foi enterrado
Ainda não sabemos esquecê-lo
Para enfim vivermos o agora
Como as arvores balançam neste fim de
tarde