segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O teu silêncio II


O teu silencio foi como navalha
Suspendeu no ar toda esperança
Quem dará o primeiro passo?
Passo sem jeito de uma relação frágil

O que fazer com este silêncio
Se não devolvê-lo?!
Ninguém se arrisca em perguntas desnecessária
Nem em obviedades discursivas

É só silêncios
Profundos silêncios de um embaraço torto
Não há nada para se dizer
Mas todas as coisas deveriam ser ditas

Um respeito necessário a convivência
O perdão diluiu-se no tempo
Polindo os silêncios entre meu peito e o teu
Fazendo o possível para o rancor sumir

Teu silencio foi como uma navalha
Cortou meus braços no intuito de te abraçar
Cortou minha garganta na hora de falar

Teu silêncio foi como uma navalha
Cortou tudo
Cortou nada

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A praia


A praia tem qualquer coisa do tempo
Do sol que penetra a escassa sombra
E ficamos assim com estes olhares perdidos
Na imensidão azul das águas distantes

Mar mãe de todas as coisas que vive
Eterno movimento
Ir e vir de energias solares
Que se faz presente nas ondas a quebrar

Areia que delimita meu caminhar
Vento que varre meu pensamento
É sempre um quando presente
Um agora curtido no sol

Esta sombra que me guarda
É o pouco que me resta
O nó desta vida que desata
Na mansidão serena

Eis que vão escorrendo pelas águas
Todos os pegue e pagues da vida
Todo desespero não passa de uma criança correndo
E a bola que não para ante sua querência

As coisas se diluem não necessidade
A temporalidade não é mais que areias
Rolando neste leve ventar
Que não venta de fato

É um afago na face dura do cimento
Um convite ao sono dos justos
Uma delicia para alem dos que sonham
Na leveza intransponível da existência

A praia de areias fofas
De movimentos únicos
Na sorte dos que projetam o futuro
Passos atentos de olhos distantes

Que todo conforto seja negado
Mas a sombra de uma praia

Esteja sempre acolhedora

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A filosofia do silêncio imposto


Esta arrogância disfarçada
Onde o silêncio impõe o não dialogar
Escorre deste podre sistema de dominação sugestiva
O silêncio dos jornais

Misturados as bombas
Faz de genocídios
Perfeitos silêncios não existentes
A guerra muda dos querem falar

Não podem falar
O desespero dos que fogem
Só demonstram a crueldade milenar
Refinada na arte de matar a distância

É tudo um jogo nas mãos de jovens
Baixemos o som para corações sonhadores
Mas apertem o gatilho
Afinal dedo treinado ordem executada

No silêncio entre os tiros
Entre a morte de desconhecidos
Eis que uma silenciosa voz grita ao fundo
"Morte aos bárbaros obedientes a Alá!"

Até quando teremos que interpretar os silêncios?
Até quando a metáfora se fará necessária?
Falsear a verdade de verdade dúbia
É dizer a verdade por de traz da linha dos justos

Mas este ponto é só uma vista de meus olhos
não me arrisco na resposta completa
A pergunta decanta um gota espessa
E assim vou amargando meu café diário

Entre fragmentos do noticiário
E belezas clássicas
O silencio se faz presente

E fico a chorar mortos que não conheço

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Discurso da Miss erudita



Em alguma universidade Brasileira
Jaz a Miss Erudita
Sempre pronta para repetir genialidades



Que o indizível fique no silêncio
E toda poesia seja
Uma tradução torta
De uma realidade que se fez necessária

Que os gênios fiquem sempre no passado
E toda genialidade presente seja obvia
Um necessidade para o futuro
Acontecer como deveria

Que a humanidade nunca perca o esperar
Porque todos os sonhos não podem
Cair no limbo da desesperança
E as almas na eterna agonia

Que esta voz seja pra sempre ouvida
Não como matéria que se faz presente
Mas como coisa que carrega sentidos
E signos rítmicos perfeitos da poesia

Que minha mãe seja sempre louvada
E meu pai sempre tenha um beijo e um carinho

Que meu professor seja perfeito na arte de me enganar
E que ele faça tão bem que eu me sinta importante
Engrenagem fina de um mecanismo
Rebuscado e preciso

Que todos os humildes caiam aos meus pés
E se cale diante da presença de meu diploma

Que meu titulo sobrepuje meu nome
Em uma elevação máxima necessária ao espelho

Que todo pedantismo e arrogância
Se torne parte profunda de meu poder

E no fim

Quero agradecer a História

Por ter colocado meu nome nela

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Metafísico momento


Este assombro de ter nascido do nada
Um eu filho da entropia
Fico a suspirar fundo
Sentido o presente passar

Alucinado pelo momento
Quero pega-lo para no fundo dizer:
Estou vivo!
Quero ser agora e para sempre hoje

Ser no silêncios todos os sons possíveis
Saudade momento do que há de vir
Quero o agora
Porque amanhã não existe


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O poeta perdido

Meus versos são domínio público
Mas o público não quer ouvir versos
Que não represente o espelho narcísico

Assim
Como fica o poema?
Não fica
Passou

Fui poeta se não para mim
Buscando os silêncios entre os versos
Tecendo metáforas perdidas
Poeta no limite do poema

Não devo falar em nome da poesia
Afinal estou perdido neste silêncio
Buscando personas que não existe
Para enfim

Ser Eu
O verdadeiro leitor de meus versos
Mas não desisto
Abro todas as gavetas

Espalho os papeis pela sala
Público em todos os sites
Curto compartilho
Eis que sou alguns micro bits virtuais

Números top´s
Reduzidos a click´s instantâneos
De atenção mal concedida
Porque não há tempo ... curta

Curto

Mas um numero na lista

sábado, 6 de dezembro de 2014

Política do martelo

E na TV te perguntam
Porque não dorme?
Durmo!

Porque não bebe?
Bebo

Porque não cantas?
Canto!

Eis que tudo se resume
A variações dos mesmos verbos
Que na sugestão sutil do martelo

Vão pregando-me cada dia mais

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O silencio que precede a fala


De silencio fez-se o som
Como que do nada veio a ordem
Na gênese sem resposta do que existe
Não tem meios nem fins que caibam

Cada pó 
Que cuide de sua poeira
Cada vida
Que viva suas escolhas

Equações gerais sem respostas
Matemáticas de tolos sociais
Genialidades próprias de um sujeito
Em predicados momentos existências

Aquele dia que não foi
Mas devia ter sido
São momentos dessa massa carbônica
Cheia de lembranças e expectativas

Todos dormem este sono necessário
Servos de nossa liberdade
Culpados de um juízo subjetivo
Na eterna busca do objeto ... liberdade

Sigamos a trilha de nós mesmo
Como pombos ciscam na praça
Passamos retos e livres
Escravos de um agora inevitável

As musas se calaram
Bits desalmados policiam o perímetro
Devo ser no limite do possível
Apertar botões a esmo na espera do nada

O medo ainda é a mais poderosa arma
Não superamos Cezar nem czares
Apenas refinamos o veneno doce da palavra
Na tela desta realidade

O pano de fundo que tudo cobre
Fez-me sozinho diante do nada
Preso por mim mesmo
O mais assíduo dos carcereiros

Eu que não sou se não uma imagem
Um fantoche ditador do que devo ser
sou esta ignorância bem vivida
Neste mar de gente bem armada pra vida

Eles que sabem o fazem
Que são felizes na medida do possível
Vivem este nó cego
Sem muitos embaraços

Programados num projeto dos que sobrevivem
Engenharias pisco sociais da ética
Modelam o modelo que deveria ser
Escapam felizes desta fardo de se escolher sempre

O fardo de não se saber de fato
A sina da vida sem escolha
É uma foto que nunca foi real
Apenas ficou o amarelo sorriso mal dado

Que suspendam o tapete do agora
Porque a faxina

Já vai começar

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O teu silêncio



O teu silêncio  mostrou-me o limite
Medo de ser mais um humano
Nas genialidades rotas do cotidiano
Críticas derradeiras de uma poesia sem fim

Temperadas em palavras desmedidas
Em um mundo que não sabe ser gentil
Que olha para um espelho torto
E não sabe se é perola ou porco

Humildades necessárias
Neste mundo da desconstrução generalizada
Proteções para um eu lírico sensível
Sobreviver

Este vazio que reveste tudo
E o nó frágil que segura meus braços
Me faz escrever cada verso
Na tentativa de exprimir o inexprimível

É esperar de mais da poesia
E desta inutilidade de fazer versos
Se não para aquele que escreve
E o leitor é mero acaso

As vezes de uma inconveniência desmedida
Na busca profunda das palavras
O poeta está perdidos entre metáforas
E figuras de linguagem

Jogos perigosos
Para quem tem coração de versos
Jogos com palavras
Que não saciam a realidade

É sempre o lado outro que não disse
Mas teimou em bater cá dentro
No desencontro dos desencontrados
Sintonizam-se no entendimento do silêncio

Nesta lógica do não enquadramento
No medo do porvir
Escrevo a ti e a toda humanidade
Porque no fim escrevo se não para mim

Uma crueldade analítica
De meu eu lírico desmedido
No eco de nunca encontrar o Narciso
Nas repetições da vida

É sempre este querer já sendo
Nos tempos imperfeitos
Em versos verbais do não dizer
Por isto peço licença

Me perdoe a intromissão
Esperarei calado
Neste eterno silêncio

Esperarei o momento da fala
Para enfim talvez

Compreender

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Carta política


E agora?
Passamos pelas ruas
E agora?
As mesma caras vencendo a disputa

É meu amigo
No pais do homem cordial
Do malandro
E coisa tal

Nada muda
O que muda
É que aumenta a desesperança do pobre
A cachaça no esquecimento da vida

Muda também a cara de alívio do jornal
Acorde meu amigo
Não acordamos pra vida
Talvez suspiramos para um sono mais profundo

Dizem por ai que do pesadelo
Só se acorda com um susto
E alguns outros já ecoam a máxima pós-Marxista
Guerra civil ao capital!

Ah Índia
Ah Gandhi
Ah Gentileza de minhas ruas
Ensinai ao meu povo jovem

Que o vizinho come do mesmo prato

A cordialidade com os estrangeiros
Esconde nossa vergonha corrupta
Fechemos as feridas históricas
Lambemos então o sangue e sejamos um

Brasileiro
Longe da bola
Longe
Do circo fervente do bem virá

Qual radical há de ser o pivô brasileiro?
O modelo platônico de uma realidade oca?
Ah Gentileza
Tu fostes a rua e pregaste um cristo

Que não sabemos praticar
A cara
A face
Qual aforismo louco ainda não lemos

Não sabemos ser cordiais
De fato
Impressões a parte
Sejamos gentis com os vizinho

Afinal o prato é o mesmo
Mesmo ato
Mesma face
Mesmo tapa

Que abram todas portas do agora
Num fenda alucinante para este momento
E que o sorriso desta criança ao meu lado
Não cai morto em um guerra que não resolve nada