terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Eu caminho do silencio




Eu que não tenho certeza alguma
Que nasci ontem
E não trago a verdade no bolso
Nem uma língua afiada pela pedras e Pedros

Eu ... Não
Não pode ser eu
És tu
Que invade este futuro pela porta da frente

És tu ... leitor
De todas as cartas
Todas as palavras

Tu que me viste na esquina
E foste embora desapontado

Quando eu falo ...
O me parecer é necessário sempre
Quando tu falas ... não
Falas pelas bocas das palavras

Muito alem do superfalo e do necessário
É o que é pelos olhos dos outros

Eu que caminho nas sombras
Eu que não sei falar
Balbucio ignorâncias
Eu ... Pronome que não define nada

Gramaticalmente errado
Perdido nesta solidão
Neste lugar que tu não visitas
Eu ... Sujeito sem substancia

Objeto direto desta ignorância para com tudo
Eu que busquei ecos
Mirei alvos com uma eterna flecha parada
E vi Aquiles cair de joelho morto

E parece infinito esta força juvenil
Parece ... Este saber nato
De uma técnica que voa
Para não sei onde

Ontem estávamos contando cavalos
Sim cavalos
Cavalinhos e cavalões
Hoje nossos cavalos estão orbitando em marte

Mas ainda somos os mesmos
Eus ... indivisíveis entidades temporais
Alienados pela querência
Sedentos de uma liberdade que não existe

Eu que vi o mundo televisionado
Eu que vi as flores sem cheiros
As aves voarem na contramão
Em uma rua direita que dá em uma casa sem porta

Eu que sou aquele das qualidades
Mas não nasceu para isso
Eu que fui ontem o meu porem
E bati com os olhos na porta

Saltei no abismo como quem voa
Estiquei cada metro de uma linguagem imprecisa
Precipitações temporais deste pronome
Eu ... que vos falo deste silêncio

Não falo
Estico-me como que voa
Por entre um espaço-tempo
Que físico algum há de calcular

Porque Eu
Fui
Eu
Sou

Eu

Nexo imperfeito de minha existência

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Até quando Maria?




Maria
É um novo dia
O dia chega a vida vai
 E você ... Maria

Até quando Maria?
Não escreverei mais versos
E você
Maria

Maria boa
Maria de todos nós
Maria
Até quando?

Você ... simplifica
Maria
Tão cheia de vida
Maria

Mas até quando?
Vá me diga
Se você falasse
Se você catasse

Mas você não fala
Samba Maria
Pisa nesse peito de poeta
Mas até quando?

Vai Maria
Sexta é carnaval
E você pode ... você deve
Afinal ... Maria

Até quando Maria?
Vá não me amole ... me diga
Maria boa
Maria de todos os poetas

Maria
Vem alegra esse dia
Como é suave a voz desse bom dia
E você ... Maria

Não adianta falar muito
Você é verbo, substantivo e os melhores adjetivos
Ou melhor
Você ... Maria

sábado, 2 de janeiro de 2016

O silêncio e o poder

 

Queria escrever estes versos
Que ando curtindo faz tempo
Mas não posso escreve-los
Não sei escreve-los

Queria poder entender o silencio
Vive-lo como quem passeia nas ruas
Mas não posso
O poder tem destas vacuidades necessárias

E o silencio é de uma ignorância absoluta
Mas o que faço ante este estes versos
Em caio?!
Tenciono as cordas da linguagem

Hum ... e solto uma a uma
Quase me escapo por entre os dedos
Mãos que tateiam antes de possuir
E não possuem

Mera ilusão deste vazio solitário
Poço sem fundo
Cavernas de uma vontade vã
Controles incontroláveis

Não pode
Estás no limite
De um sonho que nunca foi real
Mas é tão presente que posso sonha-lo

Não pode
Na costura do destino
És o nó de um só ponto
Bordados a revelia de uma deusa pagã em tudo

Não pode
E ai daquele que tenta decifra-los
Cessem o necessário
Suspendam o superfulo

E não há vida que caiba
Esta é a nossa sorte
Do poder estar sempre aprisionado no silencio
Ou no momento presente

Depois
Silêncios
Inevitáveis
Contingências da realidade
Não
Não pode
Mais uma vez espirou
Por entre os versos e as metáforas

Mais uma vez
Falhou
Em por ordem
Nas palavras

Nas palavras?!

Não
Não posso impor minha arrogância
No seio de um entendimento
Que não é meu

Nuca fostes tu de fato
Nem eu ... nem nada

Apenas um dialogo interno
Absolutamente arbitrário de minhas querências
Para com as coisas do mundo
Reais ... absurdamente reais

No fundo
Eu quis fazer uns versos

Mas não pude

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Carta aos portugueses



Olha quem vem lá!
Na contramão das utilidades contemporâneas
Desponta a saudade nas pompas de um futuro prometido
Que definhe o ego nacional

Sonhar em demasia
Viver para com o passado
Não resolve nada
É porque nos olhos da memória ressoam ecos

Sons de um passado triunfante
Ecos conservadores curtidos em sangue colonial
Olhos embaçados de uma saudade torta
Olhos engolidos pelo mar da ganância

O velho mar não perdoa
Seus filhos habitam terras alheias
E vocês andam a chorar saudades sem fim
Acordem oh Portugal adormecido

Acordem meu irmão mais velho
Minha mãe zangada
Meu pai bonachão e repleto de mansidão
Para ... tudo

Acordem
E percebam a nova colonização
Colonos sem pátrias
Colônias sem fronteiras

Ou como disse o poeta moçambicano
Recolonialismo
Não nos falta gente e palavras
Falta-nos entendimento e coragem

Falta-nos união
Deixemos a entonação para os puristas
As palavras ainda são de nossa mãe
Colemos o ouvido no entendimento

Se esta carta chegar ao velho continente
O que duvido
Perdoe-me o estilo
Mas mande um abraço na tia

E um beijo na velha sombra da saudade

domingo, 29 de novembro de 2015

A guerra 2




Mais uma guerra na conta
Mortes a La carte
Bombas que não escolhem terroristas
Não escolhem fronteiras

Jogadas a esmo
Na esperança falsa de matar as ideias
Lideres fracos e oprimidos por
Uma opinião publica

Distorcida do que devemos querer
Eu que sei não nada
E que não quero saber
Debruço-me sobre as palavras

Observo a história como
Aquele que não deve nada
Não prova nada
Mas vejo toda a realidade se repetindo

Erros das violências justificadas
O que nos diferencia?
Quando aceitamos bombardeios
O que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Alguns exaltados diriam
É guerra
E na guerra os limites humanos se embaçam

Já ouvimos este argumento antes
É sempre o justo que mede
A medida dos que sobrevivem
Que usa da borracha do esquecimento

O que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Continuamos presos na caverna
Planejando
O próximo alvo
The next village

O que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Podemos construir nossas cavernas
Construir maquinas extensoras de minhas querencias
Maquinas de satisfação pessoal
Mundos perfeitamente inexistentes

Mas o que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Seremos um ponto na história
Sempre uma transição para algo
Que ainda não é
Uma passar eterno do acontecer alem

Uma ignorância necessária do discurso
Não nos iludamos com os ídolos da historia
Eles passaram
São transitórios como todo o momento o é

O que nos diferencia meu caro leitor?

Nada

Podemos tomar café nas alturas
Observar profundas grutas oceânicas
Ou mesmo enviar mensagens de marte

Mas no fundo
O que nos diferencia meu caro leitor?
Somos completamente diferentes
Perfeitamente iguais

Somos os responsáveis
Por cada bomba jogada
Por cada ódio alimentado

E não me venha com esta
De conclusões de nossos tempos
Somos responsáveis
Cada inocente morto em combate

Cada criança que não aparece nos noticiários
Somos responsáveis

Quando a morte me exigir o pagamento da vida
E na ultima consciência eu me perguntar
O que deixaste pra vida meu caro amigo?

Sem pressa
Responderei a mim mesmo
Deixei meus filhos

E uma esperança de paz em seus corações

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Poema estudo sobre o silêncio



(3 Segundos)
Poema estudo sobre o silêncio

... (1.5 Segundo)

Existe o silêncio que inicia a fala
Silêncio ... Principio
Justa medida para dar espaço
Para abrir a porta na sucessão dos sons

... (1 Segundo)

As vezes o silêncio traz um retorno necessário
Um eco substancia
Estilos e tempos internos
Daquele que vos fala

...(0,5 segundo)

O silencio fica curto
Quando queremos aproximar as ideias
Chamar a atenção para uma quebra
                                                                              ... (0,5 segundo)
Ou um desenrolar dos versos e das metáforas

...(2 segundos)

No fundo o silencio controla a vida
Nos sucessivos respirar dos que falam
Alinham as inspirações
Harmonizam a ventilação dos que comungam do mesmo silêncio

...(4 segundos)

O silencio pode ser desconfortável e constrangedor
Sugerir finais intermináveis
Suspender os ares e toda expectativa
De serem boas as palavras ou demasiadamente pesadas

...(2 segundos)

O silencio traz alivio
Um entendimento epifanco por entre os versos
Sentimentos eternizados nas diástoles do coração do ouvinte
Curvas orgasmicas do amar a realidade

...(1,5 segundo)

O silencio projeta as sombras de nossas palavras
Reflete por entre os sons
A incompreensão necessária dos que falam
Ruído eterno da vida

...(2,5 segundos)

Ah ... O silêncio

...(2 segundos)

Sustentação dos que vivem
Simbolismo absoluto dos que morrem
Substancia ... primeira da saudade
Objetivo ... ultimo da linguagem

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O silêncio que precede o caos



No fim do jogo, o rei e o peão voltam para mesma caixa
Provérbio Italiano


Abram-se as janelas
Deixemos a realidade entrar em nossos retinas
Imagem desbotada de uma janela voltada para outra
Um não vista para lugar algum

Um caixa que se chama apartamento
Fresta de nome janela
Carros que parecem não haver pessoas
Portas que se trancam como grades

Eis que o servo moderno é seu melhor carcereiro

Trancam-se na instituição do medo
Sentem eternas melancolias de uma realidade perdida
Uma saudade que nunca se esgota
Que escorre pelos azulejos da cozinha

Ah servos modernos
Livra-voz deste acordo invisível
Que vos cega do mais ordinário dos acontecimentos

Olhem ali ... Bem adiante

Uma flor amarela
Nasce na quina do muro
Recolhe o pouco de sol
Nas sombras de uma cidade suja

Quanta beleza filtrada nos olhos do cotidiano
Obediências camufladas nos costumes
Artificialidades naturais do dia a dia

Olhem ali ... Servos modernos
O silencio
Denuncia

Sua mais profunda solidão

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Tempos estranhos




O sons corroem o silêncio
Retiram do nado sua existência
Perene existência sonora
Vibrações de minhas cordas internas

Se harmonizam com o que devo desejar
Ou devo ser
No fundo o que devo
é prosseguir vibrando vivendo

Mas Gerundiar os verbos
Não resolve nada
Os sons continuam latejando cá dentro
Ecos muito alem de minha querência

Ecos de uma realidade
Que não concordo não controlo
E se esfarelam no vento de minhas retinas
Se escondem no fundo de minhas palavras

Não vou lutar esta luta vã
Não vou me embrenhar neste radicalismo torto
Mas os ecos teimam em ecoar
Mantenho-me ereto e alerta

Me Reservo ao espaço do silencio
Agarro-me a História
E me convenço
Isso vai passar

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Aos poetas


O poeta é aquele que caminha nas sombras das palavras
Degusta cada verso
Cada estrofe
Cada metáfora

O poeta destila do silêncio sua própria música
Música interna das palavras
Nas rimas ele é flui desinteressado
Como o pulsar da vida

Os nossos poetas tem o silêncio é a saudade
Uma solidão fundada pela História
Feridas profundas
Lavadas nas águas de um oceano Atlântico

Nossos poetas são amazônicos
Andinistas, pantaneiros, sertânicos ...
E toda adjetivancia
Que não se substantivou

Nossos poetas são poetas
Comum, regulares geniais
Poetas do lado de cá do Atlântico
No avesso da história

Ainda poetas

Inúteis e indispensáveis

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Correndo pra vida


Corre que o ônibus já vem
Corre para sentar no lugar que te serve
Corre os apressados em vencer na vida
Corre corre dia a dia

Na primazia do um
O dois é secundário por natureza
O três coitado nem se fala
Se perdeu nas quinas da realidade

E continuam correndo
Como se o correr endireitasse o tempo
Ajuste de uma engrenagem fina
Eles querem a sua vida

Apenas em horário comercial
O resto que sobra
Que corram pelas ruas e avenidas
Se escondam nos becos e nos subúrbios

Mas segunda feira
Dia útil
O relógio não perdoa
Então corra que o tempo é curto

A vida é curta

Ah! Um dia ainda hão de acordar deste pesadelo
E quando este dia chegar
E as pernas pararem de correr nas ruas e avenidas

Irão perceber
Que quem corre não caminha
Quem olha não enxerga

Quem ouve não escuta