terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O jornal de cada dia

Caiam gigantes mundos
o mar entra pelas frestas
e eu surdo e imundo
dos jornais do agora

seja o que for dito
não é mais presente
ausência do dialogo
sim morte instantaneamente

como se fosse um bebado
sujo das quinas dos muros
completo alienado mundo
das verdades dos fluxos

e seja como for
aquilo que se disse antes
não passa de um pedaço
amassado do instante

que não foi
que não é
jamais representado

e os sinos dobram
lembrando-me do momento
e de fazer-nos a ultima prece
porque a morte não tarda

Rezemos

informação que há por vir
santificado seja vosso nome
criaremos o vosso reino
e que assim seja nossa vontade

tanto na terra
quanto no ceu

o jornal de cada dia me traz hoje
contemplais vossas ofensas
assim como contemplo
os meus ofendidos

não nos deixais sentir a informação
e livrai-nos do mal
amem

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O suicídio cristão

Em pé no morro
sofre as dores do tempo
o sangue que corre nas veias
e no coração, artérias de borracha

Asfalto borracha e um tiro
que corre as ruas da cidade
os becos e avenidas
um podre coagulado

veias que entopem
no coração que pulsa parado
veias de um sangue que jorra
conta gota no capital diário

e lá está ele parado no morro
prestes a despencar
a tombar sobre as cabeças desatentas
e os bolsos que tudo pagam

e tombar é inevitável
quando se está decidido a pular
é o destino de quem sobe
de quem sofre

os pés começam a rachar
de a muito estar descalço
na dureza da borracha cinza
caminhando sempre parado

e devagar com uma leveza adiada
tomba ponta a cabeça
e no último suspiro fundo de esperança
eis que abre verdadeiramente os braços

pedaços
de cacos
metal
borracha
espatifam no chão

pulaste do último andar carioca
atrapalhando o transito
e as cabeças desavisadas

Agora o rio de riquezas ocas
encontra um vazio no céu da tarde
um morro e um pé rachado

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Aos críticos do camarote do abismo

Poema dedicado a Afonso Romanos de sant'ana
que com seus palavrismos críticos
esburacou o véu que cobre a ratoeira


Não vale um poema
escrever ao critico
sobre a copia do criador
nem criaturas copiadas

vale mais viver a vida
olhar pelas janelas do transito
os balanços quebrados
e os cabos que seguram tudo

é um quadrado sem lados
uma beira sem abismo
uma corda sem nó
não vale apena responder nada

fico com o sorriso da criança
com o velho na calçada
formigas que comem migalhas
deliciosas migalhas pelo chão

palavrosos e palavrismos
ficam ocultos numa ânsia de poder
não vale apena dar com os ouvidos as palavras
e esquecer o barulho do chinelo

um vizinho que passa
o som que se arrasta cá dentro
eis que o vento passa
e fico a observar o dia

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A vida na bagagem

Fiz a mala hoje devagar
com um desejo de ir misturado
a uma saudade antecipada

sempre faço as malas
volto porque não fui de fato
é um instante entre o ir e vir
que me encontro desencontrado

desencontrando caminhos
pessoas e lugares
passos atoas na minha solidão viajante
próximos passos ainda não dados

voltar não posso mais
meu caminho é longo
que com passos curtos
vou trilhando assim devagar

minha vida é um mala sempre pronta
prestes a tencionar a alça
inclinando na direção do mar

mais um destino certo
uma rota e vários caminhos
o nó da retinida que sustenta a mala
pendura minha vida nas bordas do navio

mais um dia de trabalho
na esperança do viajante
fica a mala pendurada
e a certeza que irá voltar

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A difícil tarefa

É difícil não ser político
e abraçar uma escola
de uma escola que não existe
que está pulverizada em gotículas universais

é difícil não ser político
quando mentiras abertas
de um poder que não existe
fala o tempo todo

é difícil não ser político
quando a fala se reduz a escrita
e olhares não passam de telas brilhantes
sedentos por um naco de nada diário

é difícil não ser político
quando estômagos roncam nas esquinas
onde pessoas correm a lugar algum

é difícil não ser político
quando os nomes são maiores que as coisas
e as estrelas somem do céu
e luzes cegam os corações sombrios

é difícil não ser político
quando querem superar a morte
plantando mortos-vivos
cheios de esperança e solidão

é difícil não ser político
quando o frio da noite penetra a carne
quando o primeiro é maior que o segundo
e heróis são palhaços do entretenimento

é difícil não ser político
e não ficar calado
mas calado ficarei
se a muitos falar o quão difícil é ser político

e hoje foi assim
solitariamente político
amanhã não sei
quem sabe me encante com o mar

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Condenação poética

Sou refém daquilo que escrevo
sou a escrita o som e a pagina
não consigo ignorar-me
muito menos olhar não olhando

“e do poeta se esperam versos
palavras em cima de palavras
estrume em cima de estrume”
quando isso escrevi não sabia o que dizia

Foi um assassinato poético
um licença artística
ou artivística quem sabe
pouco importa sou culpado

Mas não pensem que é fácil
ser réu de si mesmo ou próprio carrasco
não não é fácil
aqueles que fazem fácil esta tarefa coitados

agora escrevo a sentença
entre lagrimas e dor
condeno a mim a ser poeta
e o compromisso com a palavra

E eu como poeta
juro proteger as palavras
e gargantas que as produzem
juro proteger os papeis e as tintas

juro proteger tudo que é frágil
e morrer em prol da liberdade da fala
juro proteger a poética
de vendedores de shampoo e cosméticos

juro proteger as crianças no pátio
os velhos na calçada
juro proteger a liberdade do diferente
e a amizade que tanto amo

Juro proteger o bom e o belo
e que a verdade seja sempre dita
juro proteger todas as rimas
todas métricas mesmo que diferentes

juro que serei poeta
e enquanto me coração pulsar
continuarei jurando
para sempre poetar

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Os versos dos meus dias

De novo um poema
versos que aprecem
a cada linha
cada letra disposta

até quando versos?
o verso que me acabo ao meio
cortado sem jeito
sim sem jeito

reparo não carece
escrevo uma vez só
como versos que me cabe
no momento presente

ando como os versos andam
passo a passo
cabendo na linha de um compasso
marcando um coração de poeta

sou poeta assim sendo
crendo orando e vivendo
crio os versos que me engana
os versos da verdade

os versos da minha mentira
porem...
mais verdadeiro
que qualquer jornal

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quando tudo começou 5

A epopeia de janela
deste mundo em que me encaixo


E do nado fez-se a luz
como que do tempo
fez-se a musica

O tempo dançando com a musica
e o vento com a chuva
Arvores que bailam a valsa do vento

Quando o tempo ainda era jovem
o amor reinava entre os vivos
e Orfeu andava livre sem razão
sem bolso do tempo perdido no sono

os vivos descendentes de Arão e Cesta
envelheceram a face do tempo nos olhos dos vivos
e o tempo passou cada vez mais rápido
cada vez mais solitário

Orfeu escravo do tempo moderno
não envelhece tão facilmente
passa a mão em nossas cabeças
como quem diz um dia passa

Orfeu não senti dor
nem dó
nem pena de si mesmo

Orfeu é deus do sono
dos sonhos
dos olhos que se abrem do real
no avesso das retinas fatigadas

servo do tempo
tempo de maquinas e precisão
tempo lobo do homem
espelho concavo de si

o que fizemos com O tempo?
Os relógios que sol algum acompanha
que luz não penetra
nem sombra de Platão teremos

e Orfeu canta sozinho
nos bosques onde borboletas amarelas
voam o belo voo
das borboletas solitárias

velhos moinhos
livros e quixote na estante
bainhas de armas vazias
e nó na garganta

gerras de um mundo sem perdão
gerras de minha própria pátria
pátria amada
entre os mundos um só mundo

minha pátria terrena
pátria mundo
cidadão do mundo
e guardião das coisa terrenas

o que fizemos com O tempo?
o que fizemos com nós mesmos?
No mundo em que me acho
em encaixo com peça usada

olhos de um tempo sem perdão
tempo de meus olhos que endurecerem
e perdão não mais carecer
e fiquei cego perdido e solitário

agora sou escravo do tempo
meu nome é Orfeu
senhor do sono e do acaso
filho da borboleta com esperança

cria de um mundo só
das asas faço voar a cabeça
das patas encravo na terra
com a certeza de que vai melhorar

sim
acredite criança
vai melhorar

Quando tudo começou 4

E do nada fez a musica
como que das cores a visão

No principio era o nada
do caos fez-se a luz
da luz a visão

No principio era tudo
do caos fez-se escuro
do escuro o contraste

não há luz sem escuridão
não se supera os extremos

na luz vive o caos
no escuro vive caos

meias partes
do início de tudo

Um raio X da TV no Brasil

O carro do ano
com travas e direção
para guiar-nos contente e seguro
por entre o transito engarrafado

O irã eixo do mal
lá tinha petrodólares
queremos nosso dólares de volta
abaixe a cabeça pra bomba nucelar

Não gaste tanta luz
desligue o ar condicionado
os ventiladores se preciso
mas nunca a TV meu camarada

Somos felizes na terra de Alice
onde coelho não tem cartola
e magico vive no senado
sorria você esta sendo manipulado

A cerca não lhe agrada?
pintemos as coisas de verde e amarelo
botemos uma bola no centro
tá ai felicidade patriótica

Óticas pra gado
não esqueça de pagar a prazo
compre agora
que a hora do coelho passa e como passa

Aqui tem preço baixo?
Tem
aqui tem roubalheira?
Tem

mas não saia de sua cerca
rode a bola da felicidade
consuma seu ultimo centavo
que no futuro será milhonario

ola manipulados de plantão
conheçam meu ultimo CD
besterias musicadas 59
esqueça do mundo venha se divertir com a gente

CHEGA....AR
não aguento mais
desligue a TV
e olhe pela janela