A alma é um instante do querer
Ou melhor do desejar
A alma flutua no belo instante do desejo
Não na consumação da realidade
Nossa alma é moribunda de nascença
Não há Deus nem nada
Só este profundo vazio
Recheado de discursos vãos
O cético venceu meu camarada
Somos números
Somos nada
Um pequeno ponto na História do mundo
Que no fim
Acabará em silêncio
No profundo silêncio da morte
E boa viagem
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Carta do Ultimo Metafísico
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Alan Figueiredo
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quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Tecnodepressivo
Tudo funcionando
Cada ponto na exata cor da figura
Vida de silício solitária
Com uma necessidade de acontecer
Alem
Na tela
Uma imagem
Carrega uma imagem que não é minha
Um eu que não existo
Tropeço nas palavras
E no filete da vida
O grande mural vai passando
Na mesmice programada
Comentários de uma vida que não vivo
Uma depressão rasa
O sol vai passando
E minha vida vai escorrendo nas pontas dos dedos
Cada ponto na exata cor da figura
Vida de silício solitária
Com uma necessidade de acontecer
Alem
Na tela
Uma imagem
Um não lugar
Que carrega minha existênciaCarrega uma imagem que não é minha
Um eu que não existo
É sempre um quando
Uma necessidade momento do risoTropeço nas palavras
E no filete da vida
O grande mural vai passando
Na mesmice programada
Comentários de uma vida que não vivo
Uma depressão rasa
Ligeira tristeza
O suficiente para levantar da camaO sol vai passando
E minha vida vai escorrendo nas pontas dos dedos
Viva La vida
E o tecnodepressivo
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Alan Figueiredo
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sábado, 26 de outubro de 2013
A Tragédia
A tragédia é nó na costura da vida
Um nó tão bem dado
Que as bordadeiras do destino
Cortam a linha
E guardam este pequeno emaranhado
Um nó tão bem dado
Que as bordadeiras do destino
Cortam a linha
E guardam este pequeno emaranhado
É como o troféu roto da vida
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Alan Figueiredo
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013
O silencio audível
Mãos que falam
Gestos que abrem mundo
Caiu toda rotina desta manhã morna
Dois casais surdos gesticulam liberdades
Ah! Quanto entendimento
No balé dos olhos
Só eles enxergam de fato
Uma necessidade de ver
De ter na vista sua sobrevivência
Saber é um olhar angular
Nos olhos do fato da irrealidade
Gestos que abrem mundo
Caiu toda rotina desta manhã morna
Dois casais surdos gesticulam liberdades
E tudo acontece além
Num plano linguístico ignoradoAh! Quanto entendimento
No balé dos olhos
Só eles enxergam de fato
Todos somos zumbis nesta sala de espera
Meus olhos perdem a cor ante suas realidadesUma necessidade de ver
De ter na vista sua sobrevivência
Um imperturbável silencio os aflige
A demora é uma eternidadeSaber é um olhar angular
Nos olhos do fato da irrealidade
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Alan Figueiredo
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domingo, 22 de setembro de 2013
Espelho fosco
Não quero abstrações filosófica
Intangíveis
Aliterações demasiadas
Cacofonicas
Que foge quando
a quero
e me toma a mente dizendo:
tu és meu!
o falsear verídico do poema
metáforas que libertam o prisioneiro do real
por isso
cotidiano
simples
profundo
como um sentimento intransmissível
quase não sou poeta
é sempre um quase
no mais
viva La vida
e seus acasos
Intangíveis
Aliterações demasiadas
Cacofonicas
Já me basta a palavra
Esta travessaQue foge quando
a quero
quando menos espero
ela me salta aos olhose me toma a mente dizendo:
tu és meu!
sou aquele que busca a identidade
a união dos cacoso falsear verídico do poema
metáforas que libertam o prisioneiro do real
por isso
cotidiano
simples
profundo
como um sentimento intransmissível
quase não sou poeta
é sempre um quase
no mais
viva La vida
e seus acasos
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Alan Figueiredo
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quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Uma loja no shopping
As verdades descolam das paredes
E caíram
em meu colo
Enquanto olhava as pessoas
Em suas vidas diárias
As roupas
Todas querem olhar a vitrine
Todas querem ser
Vestidos de manequins
Boa tarde senhora
Fique a vontade
É tudo seu
Basta comprar
Eu quero um short
Uma blusa quem sabe?!
Entra senhora
Temos varias cores disponíveis
Não sei?!
Bota a mão no cabide
Experimenta
Desfila flutuando
Sua bolsa é nova
Toda vendedora põe reparo
Tubaroas da venda
E do varejo
Boa tarde
Um sorriso maquinal
Boa tarde
Posso ajudar o senhora?!
Sempre se pode ajudar
É tudo tão lindo
Mas este não caiu bem
Sinceridade carnívora
Experimenta este
Ah! este sim!
Mentira socialmente aceita
O sol lá fora queima
Aqui você está a salvo
É tudo sempre o mesmo
Um sorriso
É minha vez não vendeu
Perdeu
Roda a roleta do varejo
Esta eu passo
Mal vestida
Vou lá no estoque
Já volto querida
Eta má sorte
Quero ela de volta
De volta minha linda?!
O que a senhora deseja?
Nunca fui de fato
Vamos juntas
Tal como princesas sem reinos
Folhear felicidades de panos coloridos
Quanto é este?
O justo preço minha querida
Quanto vale sua vida?
E sua cresça nesta aparência abatida?
Tudo isso
Já basta minha senhora
Volte sempre
Estaremos aqui
No templo da futilidade
Prontas para encurtar o seu sonho
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terça-feira, 23 de julho de 2013
Manifestações da minha solidão
Protesto contra minha autoridade
Contra este eu supremo do ego
Quem há de entender este ditador?
Protesto contra a solidão programada
Anúncios de praticidades alguma
Quem há de viver assim tão só?
Protesto contra as maquinas auto suficientes
Mentiras coloridas pela inocênciaQuem há de ver todas as fotos?
Protesto aos que não sabem protestar
O grito não resolve tudoQuem há de me condenar?
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quinta-feira, 11 de julho de 2013
O tempo de Secchin
Poemas
dedicado a Antônio Carlos Secchin
O
seu dizer e redizer
é
uma aventura para o portal do tempo e do
ser
A criança a espiar a janela
a ver o tempo amarelar tudo
por dentro das molduras
outros mundos
outras pulgas
No tempo de vovó
não tinha esta saudade a corroero feijão era bom
como nunca voltará a ser
nesta evolução de lugar algum
Eis que ficou a criançaa espiar tudo por de traz dos óculos
Dentro da criança
todos os mundostodas as pulgas
E o mundo ficou a espiar a janela
vendo a criança amarelar tudodentro de vovó
ficou só a saudade do feijão
no mesmo mundo
nas mesmas pulgas
e tudo sempre foi sério
menos as pulgas
que eram tudo
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quarta-feira, 19 de junho de 2013
O Gigante acordou
O gigante acordou
Ainda meio sonolento
espreguiçamos assim
numa preguiça de duas décadas
estamos com fome, sede
e uma puta vontade de mijar
de gerações passadas
não morremos ainda
porque se não
de nada valeu acordar
será?
EsperoAinda meio sonolento
espreguiçamos assim
numa preguiça de duas décadas
meio atordoado
acordamosestamos com fome, sede
e uma puta vontade de mijar
de botar para fora
toda uma porcaria
de gerações passadas
não morremos ainda
estamos vivos
Acordados
e que fiquemos assim
por um bom tempo
porque se não
de nada valeu acordar
viva la vida
e a mudança política
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terça-feira, 4 de junho de 2013
A passarela
Mas um dia de trabalho
Uma passarela quase tombando
de tão velha
que ficou esquecida no tempo
vão ao trabalho engarrafados
coitados destes sofredores
Superemos
Equalizemos no álcool esta agressão
dia do vamos sonhar curto
Do consuma porque o tempo te consome
mas o sol está nascendo
lindo sol no alto desta passarela
raios de sol penetram na poeira da manhã
cruzes aparecem sombreando o infinito
muro do esquecimento diário
vou parar meu coração não se aguenta
as ultimas mensagens para humanidade
não consigo vê-las da passarela
meus olhos choram por parentes que não perdi
choro pelo pequeno grupo botando flores nas pedras
na tentativa de desatar o nó na garganta
um abraço para o alem da vida
Flores mortas para o morto
O que é de Pedro dê a Pedro
Na busca da justeza desmedida da vida
vamos rindo e as vezes chorando
...
mas minha metafisica é real demais para isso
servo dos olhos e senhor de meus pés
como se houvesse ir e vir naquele instante
respiro fundo
alheias demais para os meus sentimentos
os meus pêsames ficaram em alguns olhares desconfiados
Uma passarela quase tombando
de tão velha
que ficou esquecida no tempo
Atravesso a grande
avenida
corações apressadosvão ao trabalho engarrafados
coitados destes sofredores
A liberdade que vos
cerca
é sua mais luxuosa
prisãoSuperemos
Equalizemos no álcool esta agressão
Afinal hoje é sesta
feira
dia da pseudo-liberdadedia do vamos sonhar curto
Do consuma porque o tempo te consome
A passarela está
acabando
eis que as coisas
sempre estão acabandomas o sol está nascendo
lindo sol no alto desta passarela
e começo a descer a
passarela
um ar pesado invade meu
coraçãoraios de sol penetram na poeira da manhã
cruzes aparecem sombreando o infinito
na tentativa vã de ser
eterno
há um cemitério no
fim da passarela
vastidão de lapides
cercada num muro altomuro do esquecimento diário
vou parar meu coração não se aguenta
paro no ultimo ponto de
meu horizonte
contemplo as pedras de
Pedroas ultimas mensagens para humanidade
não consigo vê-las da passarela
mas estão lá
neste lugar que ninguém
quer ver
estão as mais belas
mensagens pra vidameus olhos choram por parentes que não perdi
choro pelo pequeno grupo botando flores nas pedras
Havia muito amor
naquele gesto
um arquear a cabeçana tentativa de desatar o nó na garganta
um abraço para o alem da vida
Flores mortas para o morto
O que é de Pedro dê a Pedro
Na busca da justeza desmedida da vida
vamos rindo e as vezes chorando
Mas sempre buscando
os lados de uma mesma
passarela...
E o poema podia acabar
aqui
numa suspensa
contemplação metafóricamas minha metafisica é real demais para isso
servo dos olhos e senhor de meus pés
viro como se fosse
voltar
como se voltar fosse a
solução ultimacomo se houvesse ir e vir naquele instante
respiro fundo
vejo as pessoas
apressadas
correndo contra
relógios invisíveisalheias demais para os meus sentimentos
os meus pêsames ficaram em alguns olhares desconfiados
Curiosos olhares
aqueles
A maquina não para
e os olhos passam pelo
meu horizonte
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Alan Figueiredo
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