domingo, 10 de fevereiro de 2013

A força do agora

O trabalho
A culpa
Ausencia estampada no rosto
Refletida no choro da criança

Quem há de curar o tempo?
Quem há de viver a vida?

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A voz e a flor

Poema dedicado a minha querida amiga
Priscila Kroupa

Ela é forte
a força primitiva da natureza
rocha inundada de sentimento
força de uma voz decidida

e a vastidão objetiva nos engole
o desencontro bate na porta
mas não entra nem entrará
porque ela acredita na vida

cultiva flores neste mundo de metal
sim ...
o mundo está florido
e sempre estará meus amigos

quando a porta se fecha
é hora de visitar a memória
redescobrir o já conhecido
cultivar o amor esquecido

parado no tempo
aquele que transbordou do copo
e ficou lá esperando
querendo sair qual quer hora

É tudo tão simples
que as vezes assusta
fica naquele tempo etéreo
de se enxergar tudo

e um nada saber de manhã

mas sabemos cá dentro
é isso que importa
não tem água para essa rocha
ela tem água na liga dos grãos

o eterno fica miúdo
diante da justeza de sua voz
e das flores que cultiva
como aquele coração de amor profundo

pequenas letras de amor
tão simples
que poeta algum há de alcançar
são flores nesta cidade cinza

e no fim minha amiga
perdoa estes olhos
esta vontade de exprimir o inexprimível
essa loucura demasiadamente sóbria

você sabe o caminho
força, paz e bem
minha querida amiga

domingo, 6 de janeiro de 2013

Ideias

Quero fazer um poema
Com a mais alta temática
A mais humana dentre todos
a mais filosófica das verdades

Quero fazer um poema e não ser mais um
Mais um numero dentre tantos no mundo
humanos mundos de mim mesmo

As ideias mudam o Mundo!

todos sabem do velho ditado
Mas quem assiste de camarote?
Quem dá fé as irrealidades
pregando na vida essa desumanidade?

Não há respostas unas
meu caro leitor
somos este aninhamento de palavras
de símbolos teimosos

significantes avariados
demasiadas distancias incomunicáveis
ironia de nosso tempo caro leitor
pavor e medo no limite de nossas portas

tranquem-se
construam prisões para seus corpos
suas ideias não podem voar
devem estar presa neste cotidiano roto

Olhem pela janela de sua sala de estar
lá está todas as possibilidades
toda a vida pulsando na mata
nas origens de nossas vontades

E nada acontece
nem um pouco de grama invade o asfalto
continuamos a emborrachar a terra
o medo é a flecha da desgraça

não há história da humanidade
só você caro leitor
o resto são crenças e palavras
duvide da verdade do mais alto cientista

não há tolices em duvidar
temer pelo erro
buscar sua verdade
tolice é aceitação máxima dos graus da academia

somos todos nós de uma mesma corda

O nó que segura esta irrealidade
que nos faz balbuciar qualquer coisa
nesta alienação voluntaria
um sentir sem palavras

caro leitor vos agradeço
a paciência e o julgamento
porque as ideias
não morrem jamais

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Maria

Maria, o que você quer?
É chocolate, Maria?
Maria adora chocolate

é como você disse, né?!
“Adoçar a vida meu minino”

Maria, o que você quer?
Um CD de pagode?
Ah! pagode par vida
vida da Maria e do chocolate

Pagode para alma de Maria

Maria, o que você quer?
Aproveita Maria
pedir não é todo dia
O que você quer, Maria?

Maria não quer seda
Nem barco
nem muito dinheiro

Maria quer viver a vida
Trabalho pão e moradia
vida rica de Maria
não precisa muito

Maria

Não tem folha de estanho
nem muita metafísica
só um bocado de parcela da alma
alma simples de Maria

Mas Maria sonha
sonha com distâncias infinitas
na prisão de seu sofá
vão Marias e suas irmãs
                                       sonhar

Irmãs doces de Maria

Viver a vida e ir sonhando
grande sina de Maria
Maria boa
Maria mãe de todos nós

Adeus Maria
Até qualquer dia

domingo, 16 de dezembro de 2012

Quase poema

Queria fazer um poema
que foi um poema de ontem
uma ideia de ontem
eu quase fiz este poema


mas hoje não dá mais

sábado, 1 de dezembro de 2012

O caminho do asfalto

Uma pipa presa no poste
uma linha solta no ar
um menino
um trabalho

O menino larga o peso
do isopor pesado da vida
corre por entre os carros parados
pula vai pegar a pipa

a linha resiste
o poste resiste
um sorriso como o por do sol
ninguém põe reparo na felicidade

Ele não desiste
a pequena pipa sacode
se enrosca desenrosca
freneticamente balança

eis que ela se dá por vencida
tomba no asfalto
como pedra quer cair
deve cair nas mão da felicidade

Cair … é o destino supremo
negar é a loucura dos justos
o menino volta as ruas e aos carros
a seriedade volta mais branda

mas volta

afinal a vida vence
a pipa é o troféu dos anônimos
heróis de uma infância roubada
e a criança sempre há de vencer

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O capital e o mercado

Deposito no silencio
toda esta espera
cheia de contemplação
para com tudo que vejo

revejo no silencio
aquele ponto mal disfarçado
que vai desfiando a mascara que uso
este teatro de fantoches comerciais

Quem há de desfiar meu fantoche
meu engodo carregado de desespero
esta ânsia de vontade conciliadora
este eu no palco das efemeridades profundas

tenho forças para tal empreitada?

Desafiar a maquina de fantoches
e seus deuses caídos de um helenismo podre
deuses do enterimento patético
com uma humanidade para com todo não-humano

deuses do rir a toa e dos números da querencia
pregam as pessoas com martelos virtuais
ativam metralhadoras com o apertar de dedos
e sorrisos de uma sutileza cruel

negociam vidas e espaços no tempo

negócios e créditos inexistentes
a crença é sua mais alta moeda
dos crédulos fervorosos do capital
com uma ignorância profunda para a vida

medem a vida com moedas ocas
recheada desta ignorância pregada no jornal
de um falar para tolos
rir é o remédio desta depressão cronica

subam no palco e compartilhe sua depressão
com a mais cruel das gargalhadas
insultem a plateia e seus farfalhar tolo
seu remexer na realidade torta

e cantem nas esquinas e nos bares

salve o pão e a morada
a cerveja e a ignorância
e porque não os milionários

sábado, 27 de outubro de 2012

Fla X Flu

Nelsinho disse
que nasceu 40 minutos antes do nada
mas para mim
é nada contra coisa nenhuma

Ah sim é claro
é circo
é um cala a boca diário e sutil
nos corações agoniados

domingo, 14 de outubro de 2012

O hotel

Entro no quarto como se fosse meu
o velho hotel perdido no espaço
vou jogado a mala com uma intimidade
de cheiros e abrir gavetas

arrumo meus pertences
passageiros pertences
no velho quarto que é meu
e de todos que aqui passaram

e passo assim despreocupado
que eu volto eu sempre volto
quantos verso não fiz nesta mesinha?
mesa velha e carcomida

quantas pessoas não vi passar
nestas janelas da vida?
lá estava um poeta
a espiar o dia

ah! esta cama arrumada
escondendo no branco lençol
vida e mais vidas passadas
dormidas ou sonhadas

e me sinto em casa
uma casa minha e de todos
a casa velha que não tive
os degraus de uma antiga escada

não troco este quarto por nada
nem hotel de cinco estrelas novinho

não tem cheiro de vidas passadas
nem identidades manchadas na parede
não é quarto
muito menos morada

estar em hotéis velhos
é quase estar em casa
sempre há vida pulsando
nos corredores e nos carpetes

pego o telefone
disco o numero da recepção
como quem liga para um velho amigo
uma voz rouca e conhecida

poi não?!
E eu translocado e contente
digo:

Ei amigo
 
linda esta vista lateral da janela
uma rua quieta e escura
iluminada pela luz da lua
a luz branca nas faces das pessoas que passam
me faz sentir a vida
não achas?

O senhor quer mudar de quarto?

Não jamais!

O senhor deseja mais alguma coisa?

Calei e percebi o absurdo
o absurdo de se estar sozinho
de amar a intimidade das coisas
perceber as pequenas coisas deslocando da vida

e lá no fundo
 
senhor

senhor

desliguei o telefone
tomei um belo gole de água
desarrumei a cama
e comecei a ler um bom livro

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A borboleta e o transito

parem o transito
olhem ali voando
uma borboleta
dessas que voam felizes
tão cheia de sonhos
mas como é
metal
cinza
e duro
essa cidade
A borboleta coitada
deusa do acaso e do improvável
vai ser esmagada
no cinza metálico
do transito que passa
dou alguns passos
na minha solidão
de pedestre
e lá está ela
a borboleta sonhadora
voando por entre os carros
nesse dia semi-engarrafado
o sinal abriu
abriu também no ar
o som de uma buzina apressada
e a borboleta ali voando
por entre os motores ligados
Ai que agonia!
Fecho os olhos pro pior
aperto o passo cabisbaixo
triste fim da borboleta
e por um instante
desses que o coração
não se aguenta
olho pro lado
vejo a borboleta no alto
e acima dos carros e do chão
voando ao acaso
maestra da desarmonia
do cimento
borracha
e metal
Ai ! De novo uma agonia
um caminhão se aproxima
paro esperançoso na calçada
- levante voo minha amiga
e no instante do acontecimento
no limite do agora
pro que ainda vem
um para-brisa chapado
levou minha frágil deusa do acaso
Ah! se já não bastasse a morte
da borboleta solitária
seu assassino era um caminhão de flores
que ironia!
A cidade que compra flores mortas
não esquece de matar
borboletas vivas
sujando o vidro transparente
com matéria morta
que não vale
nada