sexta-feira, 5 de abril de 2013

O novo trono de pedro

Trocaram o trono de Pedro
Do ouro para madeira
Um Pedro mais simples
Linda a história dos franciscanos

Espera ai
Este Francisco é Jesuíta
Soldado de cristo
Disso eu tenho medo

O cerne do problema não vai ser mexido
Padre casar?!
Não!
Continuem reprimindo seus líbidos

Tomara que eu esteja errado

sexta-feira, 29 de março de 2013

O jacaré

Tinha um jacaré por entre os prédios
Gritos nesta manhã morna
Tem um jacaré ali
olha!

Ele parado imóvel
Alheio ao espanto praiano
Um jacaré
Com toda sua arrogância de dentes rastejantes

A mãe cata o menino na rua
Como se o mundo fosse acabar
Nesta manhã insólita
Um jacaré por entre os prédios

Agora montou-se o palco da desordem
Um grupo chama os bombeiros
Alguns conversam amenidades
Com os olhos no jacaré é claro

Ele continua lá
Imóvel neste rio que corta os prédios
Um jacaré por entre os prédios
Majestoso jacaré do esgoto

Num dos prédios
Maravilhoso zoológico sem regras
Meninos engaiolados
Atiram pedras no pobre coitado

Perdi o medo de todo
Olhei nos olhos majestosos
E vi que sua imobilidade não era arrogancia
A arrogância era minha em não perceber antes

Ele estava morrendo
A quatro dias não chove
A água está densa
Reclamando ao pó o sopro da vida

Chorei neste palco da desordem
As pedras são a ponta desta violência
Corri os olhos no rio
E lá estava a verdadeira pedra

Rolando rio a baixo
Estrume acumulado de dias sem chuva

O cheiro de lavanda fica em casa
É claro
O resto é na descarga meu filho
Doença não quero em casa

Disse a boa mãe limpa e asseada
Somos então sujos por dentro?
Perguntou o menino perguntão

Não meu filho você é limpinho
O problema são os outros
as moscas
bactérias e vírus que não vemos

Lave bem a mão viu
O almoço tá na mesa

Como pode ser violenta esta imagem?
Quem há de me condenar?

Cresci e percebi o absurdo da limpeza extrema
Hoje choro por um jacaré
Que veio mostrar o sangue em minhas mãos
Não adianta lavar que não sai

Amanhã quem sabe
Eu morra num hospital branquinho
Dogrado, limpo e com o lençol trocado
E tolhido de minhas utimas palavras

Ao pó retornaremos
Do jacaré ao menino
Uns vão mais cegos que outros
Cegos para vida

Mortos vivos
que não viveram

E volta o menino perguntão

Mãe o jacaré me disse
Não tem jeito
O que o jacaré te disse meu filho?
Que a água tá suja e não adianta lavar não

quarta-feira, 20 de março de 2013

Depresão

Se fosse outro
Outro que nem Pessoa tivesse sonhado
Talvez fosse feliz

Bem
Eu sou feliz

Mas as vezes caio pelas tabelas
E me perco em lagrimas
Nada poeticas

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O tempo e o amarelo

Na repartição publica
o amarelo vai impregnando nas paredes
nas cadeiras e nas mobílias

eis que chega a minha vez
um funcionário amarelo me atende
envolto em documentos amarelos

ele maquinalmente trabalha
carimbo, teclado e caneta
engrenagem da incrível maquina

E tudo fica assim amarelo
de um amarelo tão profundo
que vai grudando na gente

saio meio atordoado
o sol já vai se por
e um dia inteiro se foi assim amarelando

respiro fundo e percebo
que amarelo fiquei também
e amarelo foi o tempo a passar

domingo, 10 de fevereiro de 2013

A força do agora

O trabalho
A culpa
Ausencia estampada no rosto
Refletida no choro da criança

Quem há de curar o tempo?
Quem há de viver a vida?

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A voz e a flor

Poema dedicado a minha querida amiga
Priscila Kroupa

Ela é forte
a força primitiva da natureza
rocha inundada de sentimento
força de uma voz decidida

e a vastidão objetiva nos engole
o desencontro bate na porta
mas não entra nem entrará
porque ela acredita na vida

cultiva flores neste mundo de metal
sim ...
o mundo está florido
e sempre estará meus amigos

quando a porta se fecha
é hora de visitar a memória
redescobrir o já conhecido
cultivar o amor esquecido

parado no tempo
aquele que transbordou do copo
e ficou lá esperando
querendo sair qual quer hora

É tudo tão simples
que as vezes assusta
fica naquele tempo etéreo
de se enxergar tudo

e um nada saber de manhã

mas sabemos cá dentro
é isso que importa
não tem água para essa rocha
ela tem água na liga dos grãos

o eterno fica miúdo
diante da justeza de sua voz
e das flores que cultiva
como aquele coração de amor profundo

pequenas letras de amor
tão simples
que poeta algum há de alcançar
são flores nesta cidade cinza

e no fim minha amiga
perdoa estes olhos
esta vontade de exprimir o inexprimível
essa loucura demasiadamente sóbria

você sabe o caminho
força, paz e bem
minha querida amiga

domingo, 6 de janeiro de 2013

Ideias

Quero fazer um poema
Com a mais alta temática
A mais humana dentre todos
a mais filosófica das verdades

Quero fazer um poema e não ser mais um
Mais um numero dentre tantos no mundo
humanos mundos de mim mesmo

As ideias mudam o Mundo!

todos sabem do velho ditado
Mas quem assiste de camarote?
Quem dá fé as irrealidades
pregando na vida essa desumanidade?

Não há respostas unas
meu caro leitor
somos este aninhamento de palavras
de símbolos teimosos

significantes avariados
demasiadas distancias incomunicáveis
ironia de nosso tempo caro leitor
pavor e medo no limite de nossas portas

tranquem-se
construam prisões para seus corpos
suas ideias não podem voar
devem estar presa neste cotidiano roto

Olhem pela janela de sua sala de estar
lá está todas as possibilidades
toda a vida pulsando na mata
nas origens de nossas vontades

E nada acontece
nem um pouco de grama invade o asfalto
continuamos a emborrachar a terra
o medo é a flecha da desgraça

não há história da humanidade
só você caro leitor
o resto são crenças e palavras
duvide da verdade do mais alto cientista

não há tolices em duvidar
temer pelo erro
buscar sua verdade
tolice é aceitação máxima dos graus da academia

somos todos nós de uma mesma corda

O nó que segura esta irrealidade
que nos faz balbuciar qualquer coisa
nesta alienação voluntaria
um sentir sem palavras

caro leitor vos agradeço
a paciência e o julgamento
porque as ideias
não morrem jamais

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Maria

Maria, o que você quer?
É chocolate, Maria?
Maria adora chocolate

é como você disse, né?!
“Adoçar a vida meu minino”

Maria, o que você quer?
Um CD de pagode?
Ah! pagode par vida
vida da Maria e do chocolate

Pagode para alma de Maria

Maria, o que você quer?
Aproveita Maria
pedir não é todo dia
O que você quer, Maria?

Maria não quer seda
Nem barco
nem muito dinheiro

Maria quer viver a vida
Trabalho pão e moradia
vida rica de Maria
não precisa muito

Maria

Não tem folha de estanho
nem muita metafísica
só um bocado de parcela da alma
alma simples de Maria

Mas Maria sonha
sonha com distâncias infinitas
na prisão de seu sofá
vão Marias e suas irmãs
                                       sonhar

Irmãs doces de Maria

Viver a vida e ir sonhando
grande sina de Maria
Maria boa
Maria mãe de todos nós

Adeus Maria
Até qualquer dia

domingo, 16 de dezembro de 2012

Quase poema

Queria fazer um poema
que foi um poema de ontem
uma ideia de ontem
eu quase fiz este poema


mas hoje não dá mais

sábado, 1 de dezembro de 2012

O caminho do asfalto

Uma pipa presa no poste
uma linha solta no ar
um menino
um trabalho

O menino larga o peso
do isopor pesado da vida
corre por entre os carros parados
pula vai pegar a pipa

a linha resiste
o poste resiste
um sorriso como o por do sol
ninguém põe reparo na felicidade

Ele não desiste
a pequena pipa sacode
se enrosca desenrosca
freneticamente balança

eis que ela se dá por vencida
tomba no asfalto
como pedra quer cair
deve cair nas mão da felicidade

Cair … é o destino supremo
negar é a loucura dos justos
o menino volta as ruas e aos carros
a seriedade volta mais branda

mas volta

afinal a vida vence
a pipa é o troféu dos anônimos
heróis de uma infância roubada
e a criança sempre há de vencer