segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A dureza do real

Há um cinza tão real
que brota nas flores
nas grades das casas
um cimento duro que a tudo engole

não há teto nas ruas da cidade
mas moradores povoam suas ruas
um pingo de chuva
no pé sujo na calçada imunda

um corpo levanta
a sujeira fica nas quinas dos muros
cambaleando
é mais um dia que vai acordar amanhã

e um coração imundo
não vai mais levantar
este corpo morreu ali
entre a rua e a calçada

procurou a morte a todo custo
encontrou a vida das ruas
a cachaça diária
engolida para não viver

Aqui jaz mais um mendigo
um corpo em frente ao caixa eletrônico
o sol nasceu na segunda
e um velho morreu na calçada

entre a rua e o vidro
um cliente apressado
olhou a dureza da morte
e esgueirou-se para dentro do caixa

domingo, 29 de julho de 2012

A cidade e a pipa

A cidade de Deus
Entre o céu e a terra
Todas as cores
E vidas brotam de suas calçadas

Três meninos atravessam a pista
Carros desumanizados buzinam a ermo
Um deles vê uma pipa
Todos correm

Param a beira da calçada
Buzinas soam no ar da cidade
E agora o que fazer?
A pipa cai lentamente na pista

O ônibus lotado de gente e velocidade
Atropela a pipa sem dono
Seis olhinhos velam os gravetos quebrados

Parou de passar os carros

Um deles atravessa
Pega os cacos que voava
Traz para calçada

Arrancam a rabiola depenam a coitada
Os restos depositam no chão da cidade
Voltam felizes com a rabiola
E um bocado de linha

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A pergunta

O Tempo passa
ou passamos por ele?
de tal forma
que todos dizem:

“Como passou rápido
já tá grande esse menino
o tempo passou e eu nem vi”

Como pode?
Onde estava vivendo?
No trabalho?
Na TV? Cade sua vida?

O que é viver?

Que respondam todas as perguntas!

mas quem há de responder essa?
Qual ciência há de passar a linha
Se arriscar diante do indizível
Qual metafísico achará a grande verdade?

Me polpem dos papeis impressos
Das pompas modernas
Recheadas de uma limpeza imunda
De um falar para tolos

Aproveitar a vida?!
Viver com os cofres cheios?!
Rodeado de coisas e pessoas?!
Será isso a vida?!

Ou essa é a vida que devo desejar?

“Deseja-me
Mas deseja-me com força
Vai que aconteço”

Assim vão desejando
mal sabendo que o desejo faz parte da vida
Mas desejando vão vivendo
sorrindo chorando mas vivendo

Cada passo
cada tempo e segundo
vai passando
e passamos pela vida

Como é bom viver!

O que eu quero é Vida
viver para ver o que se passa
o que fica
ou que acho que fica

Viver para buscar a vida
Um sonho desperto que não me acordo
O nó na gargantas dos sábios
Dos que sabem mas não falam

Quero passar
e viver A minha vida

nada mais que isso
Porque se tiver estraga

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O mundo vai acabar

O mundo vai acabar!
será?
Sempre dizem

O mundo vai acabar!

Vai acabar
Os céticos que se segurem
O planeta vai rugir

Não sei
amanhã
ou hoje ainda?!

Se o mundo acabar em dezembro
tomará que seja num domingo
que eu vou assistir de camarote

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Sala de espera

A mesma pressa
ignorante pressa de não chegar
lugares que não são
pessoas vazias a vagar

espaço aéreo lotado
maquinas de bom salário
eu que sou sujo de mais
transbordo deste não lugar

que minha loucura seja perdoada
ando devagar
meu voo está atrasado
e sempre estará

domingo, 17 de junho de 2012

Sobre Anarquia pratica

Enquanto houver fome e desabrigados
Não haverá liberdade civil
Enquanto houver crianças mortas por balas
Minha liberdade fica capenga

Quero ser livre!

Não há liberdade para poucos
A violência deve acabar
Até lá vamos sonhando
Vamos fazendo

sábado, 12 de maio de 2012

A arte

Objetos de arte
São utensílios dos Deuses
Ou utensílios inúteis
Que manifesta a liberdade criadora do ser

O artista traz do abstrato
O oculto e o extremo da existência
Faz de seu tempo todos os tempos
O múltiplo que se torna uno de todas as formas

A arte finaliza o discurso
Nadifica a coisa e o artista
Arte não tem predicado
Está sempre no limite das palavras

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ao Narciso

O narciaso moderno
Não morre afogado no lago
No maximo quebra o nariz


terça-feira, 1 de maio de 2012

Ao suicida

Versos delirantes
saber a qualquer custo
que sabe que sabe
Aquela tênue linha da loucura

O momento é uma agora esticado
Um nó de quatro pontas
tal como os sapatos
flutuam nos pés dos suicida

O nó na garganta
e aquele momento
passa num instante
um pendulo de um relógio abstrato

relógio de uma irrealidade
desmedido de tempo
último movimento
ultimo ato

depois

silêncio

Absurdos silêncios
escondem a tensão da corda
a força que faz flutuar os sapatos

Os que foram querendo
fitaram com os olhos atentos
a mente delirante do primeiro Fausto

terça-feira, 24 de abril de 2012

aquele indigente
caido na existência
por ora caído ao mar
iguala-se a toda gente
ou nada para a vida
ou debate-se para nada


é um poeta disponível
por acaso alí também nas aguas semeado
quem primeiro recolhe à alma
a aflição daquele sempre aflito
porque para qualquer realidade
haverá sempre

um poeta de plantão

como ajudar aquele náufrago contumaz
um poema,talvez?
ou seu jovém braço?
mas que seja rápido
pois é obrigatório aos poetas
 ludibriarem à morte

petas são hábeis neste ofício
porque vivem náufragos em sentimentos

decide-se por seu jovém braço
ainda crédulo nas virtudes humanas

a mão estendida à generosidade
a alma à absolvição social
para depois o poema!
porque o físico suporta melhor ao físico

feito!
alívio, júbilo, comunhão.

agora,
cada qual que siga fiél
o seu traçado histórico

porém
quem irá salvar o poeta,
o que lhe oferecer,
quando as emoções encobrirem-lhe a alma?

sempre, ninguém!
sempre, nada!
um poema, talvez?
                                cz
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Agradecedio Cezar!