terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O muro acrilico da linha amarela

O muro acrilico da linha amarela
Tampa aquilo que deve ser visto
Gravuras translucidas
Escodem o decaso histórico

Esse meu rio de janeiro
Que a desigualdade está nas vias espressas
Nos morros e nas armas da opressão
Um dia ainda vou embora

E vou chorar
Lembrando de minha infancia suburbana
Anne Frank aprendeu viver
Mas o acaso não permitiu

Quantos vidas presas atraz do muro
Muro moderno menos trite e mais profundo
O muro de brincadeira
Dedo de criança que pinta

Gravuras que escondem os outros
Aqueles poucos da novela de Manoel
Muitos da navela da vida
Uma dor de cabeça profunda

O muro limpo
Separa a vista do visto
O justo da justiça

Não há mais sistemas e dicotomias
A separar como na guerra fria
É uma guerra suspensa no ar
Presa nas transmissões telefonicas

Muro algum há de separar esta guerra
Vitimas de um muro moderno
Decorado na escola do filho
Nos dedos dos grandes economistas

Pagamos e criamos um muro
Que esconde nossa casa
Nossa vida de morron e tijolos
O descaso que esconde de mim mesmo

O que sou na novela da vida
Papel que sobrou
Dinheiro pouco que não sustenta

O onibus me chegou
Vou pro trabalho
O muro fica para tras

Ainda não fecharam as portas
Mais um dia no centro da cidade
Menos um dia de vida

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Atos de capital selvagen

Em um mundo onde literalmente tudo pode ser convertido em dinheiro

O sol bate
E fico assim pasmo
De quanta vida ainda há lá fora
Um passarinho que pula no asfalto

Enquanto o oleo da morte
Jorra pelos campos de aguas profundas
Um passarinho preto sisca inocente na calsada
O que fizemos?

Porque somos assim tão egoista?
Quem parará esta maquina edionda
Que destroi a si mesmo
Com requinte de crueldade?

Qual suicida mais nobre
Nos ensinará o caminho da morte ante o inevitavel
O ultimo ato
Antes do espetaculo final

Qual neoritico narcizista
Gritará em alto tom científico?
"Morram seus selvagens!"
E nos matará pateticamente limpo de si mesmo

O pior selvagem
É aquele que se intula civilizado na plateia
Tem ideais repleto de destrição oculta
Papel impresso e bits de satifação

O pior selvagem
Assiste indeferente a morte alheia
Em sua poltrona
Vê a morte nos olhos de Alice

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Herói na minha cidade

Herói na minha cidade
não salva vidas de velhinhas
nem é herói a medida grega

herói no Rio de Janeiro
não é corrupto e faz o seu trabalho
e raramente aparece na TV

sábado, 12 de novembro de 2011

O malandro do café

Um café!
Coruja!
Porque não fazer uma fé
35 no duro
e 44 32!

ei tá faltando 15 centavos
ah! deixa que a banca paga

Assim foi o malandro
a fé no bolso
e sem um centavo a mais

sábado, 5 de novembro de 2011

O louco poeta das ruas

A folha em branco
não há segunda chance
as palavras vão fluindo

e vou com elas a ser um eu
fluido e perdido
um eu que jamais fui e jamais serei
um eu perplexo preso neste instante

neste nada
revestido de todas as verdades
vou meio que no meio
vivendo vidas de um inteiro

eis que o verbo poder
assalta-me a mente
possibilidades que não foram
de um lado oposto e mesmo

a vida que pulsa e empurra meus braços
minhas pernas que vão andando
e vou me perdendo nas quinas dos muros
limpando a limpeza de prédios altos

sou o que teve só qualidades
o que não deu sorte na vida
escrevo para quem?
Se não para praguejar todo este esquema

um esquema a muito já sabido
praticado com os fracos
cheios de força e pulmão
tolerados no limite do silêncio

camuflados de sujeira e pó
cobertores por todos os cantos
vou cantando a vida
e louvando a grandeza deste universo

faço minha reza enfrente ao bar
esquinas da minha solidão
eis que um policial se aproxima
fujo como se não tivesse ali

ainda posso sentir
o gosto da cachaça na boca
paro em outra esquina
e agora vou louvar o sol que já vai

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Na minha terra passa um trem

Batidas ritmadas
musica matinal

toc toc te téc
toc toc te téc

pessoas vão e vem
no embalo do trêm

toc toc te téc
toc toc te téc

um pastor lê a biblia
e nada mais faz sentido

toc toc te téc
toc toc te téc

A tristeza aparente
esconde um sorriso embutido

toc toc te téc
toc toc te téc

trabalhadores levantam antes do sol
e trabalham num só ritmo

toc toc te téc
toc toc te téc

É barulho que regula a vida
no consumo que não é findo

toc toc te téc
toc toc te téc

e a noite o som vai embora
na espera de mais um dia

ficou o som na cabeça
que este passageiro sentia

hoje, ando de ônibus
sonhando que sabe um dia
voltar para a terra minha
do toc toc e agonia

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O rio pacificado

Uma Juiza morreu assasinada
Um Deputado pede anistia internacional
O rio tá uma maravilha
O flamengo não ganhou ontem?!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Naquela manhã

O sol nasce levando a noite
Eis que estou sempre a assistir
este teatro de luz e sombra
Mas nem toda manhã é como esta
regada a sangue, oleo e asfalto

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Foi um mal entendido

Sim palavras e suas forças
Fui traido por minhas proprias palavras
Meu proprio sangue
Traido pela visão

Pela força daquillo
Que não se vê
Perdão a tudo
E a todos
errei tentando acertar

Acertos de contas
Que nunca
Eu sei
Não há cura pra curar
Apenas uma cicatriz profunda

Não há contas a pagar
O erro gera o mal entendido
Mal sabia que errava
E errava por principio
Nas escolhas das palavras

Alguns dizem que nunca é tarde
O perdão é sempre uma possibilidade
De recomeço de um esclarecimento profundo
O erro é o inicio do acerto
É o acidental descolando da verdade

Escrevo esta carta em forma de poema
Porque não sei escrever cartas
Peço perdão a ti e a todos
E não posso esquecer de pedir perdão
A todos que se foram e hoje corre em minhas veias

Perdão

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A Arte da hipocrisia moderna

O cheiro podre do esgoto
misturado ao gaz carbônico dos carros
com pitadas de suor mendicantes
crack que não joga futebol aos domingos

faz do retrato a arte sega

O sujo exposto em lindíssimas bordas
vamos contemplar a sujeira
dentro de bolhas temperadas
22 graus celsos perfeitos para a imagem

Uma janela para a realidade
olhos comovidos de idiotas engravatados
sujos High tech de corações hipócritas
queixos caídos de dentes manerios

Tem alguns que se salvam é claro
mas no mundo da arte moderna
arte sega que não quer ver
só um coração favelado sabe onde o calo aperta