O muro acrilico da linha amarela
Tampa aquilo que deve ser visto
Gravuras translucidas
Escodem o decaso histórico
Esse meu rio de janeiro
Que a desigualdade está nas vias espressas
Nos morros e nas armas da opressão
Um dia ainda vou embora
E vou chorar
Lembrando de minha infancia suburbana
Anne Frank aprendeu viver
Mas o acaso não permitiu
Quantos vidas presas atraz do muro
Muro moderno menos trite e mais profundo
O muro de brincadeira
Dedo de criança que pinta
Gravuras que escondem os outros
Aqueles poucos da novela de Manoel
Muitos da navela da vida
Uma dor de cabeça profunda
O muro limpo
Separa a vista do visto
O justo da justiça
Não há mais sistemas e dicotomias
A separar como na guerra fria
É uma guerra suspensa no ar
Presa nas transmissões telefonicas
Muro algum há de separar esta guerra
Vitimas de um muro moderno
Decorado na escola do filho
Nos dedos dos grandes economistas
Pagamos e criamos um muro
Que esconde nossa casa
Nossa vida de morron e tijolos
O descaso que esconde de mim mesmo
O que sou na novela da vida
Papel que sobrou
Dinheiro pouco que não sustenta
O onibus me chegou
Vou pro trabalho
O muro fica para tras
Ainda não fecharam as portas
Mais um dia no centro da cidade
Menos um dia de vida
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
O muro acrilico da linha amarela
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Alan Figueiredo
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quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Atos de capital selvagen
Em um mundo onde literalmente tudo pode ser convertido em dinheiro
O sol bate
E fico assim pasmo
De quanta vida ainda há lá fora
Um passarinho que pula no asfalto
Enquanto o oleo da morte
Jorra pelos campos de aguas profundas
Um passarinho preto sisca inocente na calsada
O que fizemos?
Porque somos assim tão egoista?
Quem parará esta maquina edionda
Que destroi a si mesmo
Com requinte de crueldade?
Qual suicida mais nobre
Nos ensinará o caminho da morte ante o inevitavel
O ultimo ato
Antes do espetaculo final
Qual neoritico narcizista
Gritará em alto tom científico?
"Morram seus selvagens!"
E nos matará pateticamente limpo de si mesmo
O pior selvagem
É aquele que se intula civilizado na plateia
Tem ideais repleto de destrição oculta
Papel impresso e bits de satifação
O pior selvagem
Assiste indeferente a morte alheia
Em sua poltrona
Vê a morte nos olhos de Alice
O sol bate
E fico assim pasmo
De quanta vida ainda há lá fora
Um passarinho que pula no asfalto
Enquanto o oleo da morte
Jorra pelos campos de aguas profundas
Um passarinho preto sisca inocente na calsada
O que fizemos?
Porque somos assim tão egoista?
Quem parará esta maquina edionda
Que destroi a si mesmo
Com requinte de crueldade?
Qual suicida mais nobre
Nos ensinará o caminho da morte ante o inevitavel
O ultimo ato
Antes do espetaculo final
Qual neoritico narcizista
Gritará em alto tom científico?
"Morram seus selvagens!"
E nos matará pateticamente limpo de si mesmo
O pior selvagem
É aquele que se intula civilizado na plateia
Tem ideais repleto de destrição oculta
Papel impresso e bits de satifação
O pior selvagem
Assiste indeferente a morte alheia
Em sua poltrona
Vê a morte nos olhos de Alice
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Herói na minha cidade
Herói na minha cidade
não salva vidas de velhinhas
nem é herói a medida grega
herói no Rio de Janeiro
não é corrupto e faz o seu trabalho
e raramente aparece na TV
não salva vidas de velhinhas
nem é herói a medida grega
herói no Rio de Janeiro
não é corrupto e faz o seu trabalho
e raramente aparece na TV
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sábado, 12 de novembro de 2011
O malandro do café
Um café!
Coruja!
Porque não fazer uma fé
35 no duro
e 44 32!
ei tá faltando 15 centavos
ah! deixa que a banca paga
Assim foi o malandro
a fé no bolso
e sem um centavo a mais
Coruja!
Porque não fazer uma fé
35 no duro
e 44 32!
ei tá faltando 15 centavos
ah! deixa que a banca paga
Assim foi o malandro
a fé no bolso
e sem um centavo a mais
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Alan Figueiredo
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sábado, 5 de novembro de 2011
O louco poeta das ruas
A folha em branco
não há segunda chance
as palavras vão fluindo
e vou com elas a ser um eu
fluido e perdido
um eu que jamais fui e jamais serei
um eu perplexo preso neste instante
neste nada
revestido de todas as verdades
vou meio que no meio
vivendo vidas de um inteiro
eis que o verbo poder
assalta-me a mente
possibilidades que não foram
de um lado oposto e mesmo
a vida que pulsa e empurra meus braços
minhas pernas que vão andando
e vou me perdendo nas quinas dos muros
limpando a limpeza de prédios altos
sou o que teve só qualidades
o que não deu sorte na vida
escrevo para quem?
Se não para praguejar todo este esquema
um esquema a muito já sabido
praticado com os fracos
cheios de força e pulmão
tolerados no limite do silêncio
camuflados de sujeira e pó
cobertores por todos os cantos
vou cantando a vida
e louvando a grandeza deste universo
faço minha reza enfrente ao bar
esquinas da minha solidão
eis que um policial se aproxima
fujo como se não tivesse ali
ainda posso sentir
o gosto da cachaça na boca
paro em outra esquina
e agora vou louvar o sol que já vai
não há segunda chance
as palavras vão fluindo
e vou com elas a ser um eu
fluido e perdido
um eu que jamais fui e jamais serei
um eu perplexo preso neste instante
neste nada
revestido de todas as verdades
vou meio que no meio
vivendo vidas de um inteiro
eis que o verbo poder
assalta-me a mente
possibilidades que não foram
de um lado oposto e mesmo
a vida que pulsa e empurra meus braços
minhas pernas que vão andando
e vou me perdendo nas quinas dos muros
limpando a limpeza de prédios altos
sou o que teve só qualidades
o que não deu sorte na vida
escrevo para quem?
Se não para praguejar todo este esquema
um esquema a muito já sabido
praticado com os fracos
cheios de força e pulmão
tolerados no limite do silêncio
camuflados de sujeira e pó
cobertores por todos os cantos
vou cantando a vida
e louvando a grandeza deste universo
faço minha reza enfrente ao bar
esquinas da minha solidão
eis que um policial se aproxima
fujo como se não tivesse ali
ainda posso sentir
o gosto da cachaça na boca
paro em outra esquina
e agora vou louvar o sol que já vai
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Poema
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Na minha terra passa um trem
Batidas ritmadas
musica matinal
toc toc te téc
toc toc te téc
pessoas vão e vem
no embalo do trêm
toc toc te téc
toc toc te téc
um pastor lê a biblia
e nada mais faz sentido
toc toc te téc
toc toc te téc
A tristeza aparente
esconde um sorriso embutido
toc toc te téc
toc toc te téc
trabalhadores levantam antes do sol
e trabalham num só ritmo
toc toc te téc
toc toc te téc
É barulho que regula a vida
no consumo que não é findo
toc toc te téc
toc toc te téc
e a noite o som vai embora
na espera de mais um dia
ficou o som na cabeça
que este passageiro sentia
hoje, ando de ônibus
sonhando que sabe um dia
voltar para a terra minha
do toc toc e agonia
musica matinal
toc toc te téc
toc toc te téc
pessoas vão e vem
no embalo do trêm
toc toc te téc
toc toc te téc
um pastor lê a biblia
e nada mais faz sentido
toc toc te téc
toc toc te téc
A tristeza aparente
esconde um sorriso embutido
toc toc te téc
toc toc te téc
trabalhadores levantam antes do sol
e trabalham num só ritmo
toc toc te téc
toc toc te téc
É barulho que regula a vida
no consumo que não é findo
toc toc te téc
toc toc te téc
e a noite o som vai embora
na espera de mais um dia
ficou o som na cabeça
que este passageiro sentia
hoje, ando de ônibus
sonhando que sabe um dia
voltar para a terra minha
do toc toc e agonia
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
O rio pacificado
Uma Juiza morreu assasinada
Um Deputado pede anistia internacional
O rio tá uma maravilha
O flamengo não ganhou ontem?!
Um Deputado pede anistia internacional
O rio tá uma maravilha
O flamengo não ganhou ontem?!
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Naquela manhã
O sol nasce levando a noite
Eis que estou sempre a assistir
este teatro de luz e sombra
Mas nem toda manhã é como esta
regada a sangue, oleo e asfalto
Eis que estou sempre a assistir
este teatro de luz e sombra
Mas nem toda manhã é como esta
regada a sangue, oleo e asfalto
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Alan Figueiredo
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
Foi um mal entendido
Sim palavras e suas forças
Fui traido por minhas proprias palavras
Meu proprio sangue
Traido pela visão
Pela força daquillo
Que não se vê
Perdão a tudo
E a todos
errei tentando acertar
Acertos de contas
Que nunca
Eu sei
Não há cura pra curar
Apenas uma cicatriz profunda
Não há contas a pagar
O erro gera o mal entendido
Mal sabia que errava
E errava por principio
Nas escolhas das palavras
Alguns dizem que nunca é tarde
O perdão é sempre uma possibilidade
De recomeço de um esclarecimento profundo
O erro é o inicio do acerto
É o acidental descolando da verdade
Escrevo esta carta em forma de poema
Porque não sei escrever cartas
Peço perdão a ti e a todos
E não posso esquecer de pedir perdão
A todos que se foram e hoje corre em minhas veias
Perdão
Fui traido por minhas proprias palavras
Meu proprio sangue
Traido pela visão
Pela força daquillo
Que não se vê
Perdão a tudo
E a todos
errei tentando acertar
Acertos de contas
Que nunca
Eu sei
Não há cura pra curar
Apenas uma cicatriz profunda
Não há contas a pagar
O erro gera o mal entendido
Mal sabia que errava
E errava por principio
Nas escolhas das palavras
Alguns dizem que nunca é tarde
O perdão é sempre uma possibilidade
De recomeço de um esclarecimento profundo
O erro é o inicio do acerto
É o acidental descolando da verdade
Escrevo esta carta em forma de poema
Porque não sei escrever cartas
Peço perdão a ti e a todos
E não posso esquecer de pedir perdão
A todos que se foram e hoje corre em minhas veias
Perdão
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sexta-feira, 21 de outubro de 2011
A Arte da hipocrisia moderna
O cheiro podre do esgoto
misturado ao gaz carbônico dos carros
com pitadas de suor mendicantes
crack que não joga futebol aos domingos
faz do retrato a arte sega
O sujo exposto em lindíssimas bordas
vamos contemplar a sujeira
dentro de bolhas temperadas
22 graus celsos perfeitos para a imagem
Uma janela para a realidade
olhos comovidos de idiotas engravatados
sujos High tech de corações hipócritas
queixos caídos de dentes manerios
Tem alguns que se salvam é claro
mas no mundo da arte moderna
arte sega que não quer ver
só um coração favelado sabe onde o calo aperta
misturado ao gaz carbônico dos carros
com pitadas de suor mendicantes
crack que não joga futebol aos domingos
faz do retrato a arte sega
O sujo exposto em lindíssimas bordas
vamos contemplar a sujeira
dentro de bolhas temperadas
22 graus celsos perfeitos para a imagem
Uma janela para a realidade
olhos comovidos de idiotas engravatados
sujos High tech de corações hipócritas
queixos caídos de dentes manerios
Tem alguns que se salvam é claro
mas no mundo da arte moderna
arte sega que não quer ver
só um coração favelado sabe onde o calo aperta
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