quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Treapando com a linguagem



Quando você tira suas reticencias
Meu coração acelera
Meus olhos fixos me denunciam

Lentamente você se despe dos paroxítonos
Um arrepio corre na espinha
Olhos semicerrados a procuram

E você má linguagem que é
Déspota deste coração de poeta
Me atiça com estas mesóclises bem encaixadas

Tiro todos os acentos a dentada
E chupo essa metáfora
Como se fosse uma mera função de linguagem

Agora passa da poesia à prosa
Vejo você escorrer por infindáveis discrições
O realismo fantástico se torna ordinário

Seus discursos ganham tons sintéticos
Que analise alguma a de definir

Você se abre em paráfrases
Eu agarro suas preposições como um animal selvagem

Você ofegando em verbos
Solta um gemido filosófico
E derruba três gramáticos da estante

Berra uma quadra
Ahnnnnnnn
Neologismo

Levanto a cabeça de poeta
E nos lábios decassílabos

Me olhas com a fúria de uma exclamação
Te ataco com todos os meus versos e rimas
E nos amamos ...

Depois
Desta perversão poética

Dou por mim
E você já vestiu todos os hifens
Calça dois parágrafos bem alinhados

Faz um abstract curto e preciso
“just business man!”

Lhe pago três virgulas e um acento
E fico a fumar meu cigarro eletrônico

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Sonho perdido





A muito que não escrevo
Ficaram tristes as promessas
E longe os caminhos

Aquela nossa viagem
Nunca foi feita
Achei que poderia faze-lo sozinho
Treda ilusão

Ela entrou para rol das coisas irrealizáveis
Apenas isso
Um sonho perdido
Na gaveta junto a papeis velhos e alguns clipes

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Fala que é


Subo no palco de meus pés
Quero gritar para o mundo, mas ele é deserto
Não há ouvidos que me escutem
Nem bocas capazes de falar os altos tons universais

É tudo tão rude neste mundo de aparências
Que mal percebo a vastidão do mundo
A muito deixou de ter rimas
Mas continuamos procurando solução

Quando os sons saem pela boca
A fala se mistura com o poder
A tal ponto que confundem o poder com as palavras
As querências com os atos

Eu que não sei do mundo
Se não por este espelho torto
Eu ... amante das palavras
E sua música poderosa

Não posso arriscar um pronome se quer
Meu sujeito é verbo indefinido
Fora da gramatica ... sem rima
Preso no próprio discurso que evita

Amanhã ... quando a curva do tempo
Transformar esta língua em que falo
Em figuras nas cavernas da história
Alcançarei a inutilidade real

E nesta imagem vazia
Devaneio como um tolo
A buscar qual quer coisa que importe
Que importe

Insanidade do eterno ... cuspido pela curva do tempo
Fala que é
Não é
Tanto faz

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Sou poeta


Faz 10 anos que escrevo poemas
Será que já sou poeta?
Desde quando e até quando
Serei poeta?

Foi quando fiz meu primeiro verso ... primeira rima?!
Ou quando terminei o melhor de meus poemas?!
Não, já sei!
Foi quando percebi

Que ser e ser poeta é fingimento
Ou melhor é ser ator único
Estrelando uma peça só sua
E a plateia é mero acaso do mundo

Com o problema da gênese resolvido
Poeticamente é claro
Por que filosofo ou critico algum
Se daria ao trabalho

Voltemos a pergunta
E até quando serei poeta?
Pode se ser depois da morte?
Será este meu último poema?

Minha última cacofonia
Que balbucio sozinho
Nesta madrugada fria

Será este meu último poema?
E não farei mais versos
Porque são inúteis
Palavras que escapam da insônia de um mundo torto

Será este meu último poema?
Não porque morrerei amanhã
Mas porque não farei mais versos algum
Deixarei enfim o encanto e o desencanto de ser poeta

Sou poeta
Eu sei que não é muito
Mas é tão pouco que as palavras
Ficam com dó do ser poeta

É tão pouco
Que acabamos criando entidades morfológicas
Talvez para suprimir a solidão
Ou acabar com tédio de um mundo tão vazio

Sou poeta
Tenho em mim todos os sonhos do mundo
Não sou alegre não sou triste
Sou poeta

Posso parafrasear outros poetas
Sem medo de processos
Posso esticar os ouvidos dos puristas
E dizer assim solene aqui jaz um neologismo

Posso rir da cara dos críticos
Porque nunca ouvirei nada
Eles não nos entendem
E nem nós os entendemos

Sou poeta
Dentre tantas coisas no mundo nasci assim ... poeta
Pequeno de nascença,
Mas com o mundo inteiro a conquistar

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Ao Antônio





Para falar do Antônio
Precisaria falar do tempo
É como se sempre o conhecesse
E nunca o conhece de fato, tal como o tempo

Para falar do Antônio
Precisaria substituir as palavras pelo movimento do corpo
É como se não houvesse palavras
E tudo fosse traduzido no olhar e na vibração da alma

Antônio quando olha
Olha reto
E quando é forçado a arquear sua visão de momento
É só silencio ... e quando se menos espera ... eis Antônio reto outra vez

E quando Antônio quebra
Tudo quebra com ele
E ele transforma os cacos em uma nova viagem
Um caminho sincero para seus passos diretos

Antônio quando passa
Ele arrasta com sigo não uma massa histérica
E sim leais amigos
Amantes de sua retidão para com sigo mesmo

As ninfas do lago
Observam pasmada Antônio a apreciar as flores
E elas o alimentam sem receio dos deuses
Sereno ato de amar no silêncio

Antônio quando ama
Ama
De tal forma que cupido seu amigo mais intimo
Não gasta suas flechas da paixão em vão

Antônio tem a força da vida
Correndo nas veias
Sabe a força do tempo
E valor do momento e dos sorrisos a ladrilhar o cotidiano

Antônio ...

Hoje em plena quarta feira
Abri uma cerveja e brindei a ti meu amigo
Irmão querido de tantas viagens
E tantas a viajar

Fui eu o primeiro a te ver sentado naquele dia
Querendo levantar quando não podia
Ninguém pôs fé no sorriso desesperado
E no insólito que acompanha nossas vidas

Antônio supera
Com música e poesia
Hoje seus pés flutuam
E nas pedras aprendeu desde cedo que são partes do caminho

Antônio ... irmão ... amigo
Um brinde eterno a ti meu querido

terça-feira, 20 de março de 2018

A fala do passado





Ontem acontece hoje
Ecos na mata ainda reverberam hoje
Saímos de cavernas e desaprendemos a viver
O passando fala línguas que ignoro

Meu corpo fala e quase não escuto
O silencio da madrugada berra em meus ouvidos
Como um bêbado insone
Que sabe que nada importa de verdade

Tenho memorias de amanhã
Que não ouso falar
E tangencio a loucura
Na crença momentânea deste devaneio

Sim ... Me permito crer por instante
Que passado, presente e futuro
É tudo a mesma nenhuma coisa
E a fala não esbarra ela roça e vai me levando

A não sei o que de não sei aonde
Ah! E a madrugada vai passando
E vou costurando cadencias de um despertar sonambulo
É como se hoje estivesse tão empregando de ontem

Que ele não acontece
E fica o dia assim raiando embaçado
Meio sem cor meio sem jeito de estar
Um desajuste contemporâneo de querer ser tudo
Mas o passado fala línguas que ignoro

A fala do passado
É meu jeito de estar existindo
Ver nos atos sem estar vendo

domingo, 18 de fevereiro de 2018

A fala e a realidade


Os ouvidos doem
Quando a fala não representa
Aquilo que não queríamos
E a realidade corrobora

Mas quem fala ... fala
Parece obvio
Mas os ouvidos não escutam
O que há de verdade também

O silencio de um irmão dói
Mas a fala pode cura-la
Os gritos de uma mãe no desespero ... dói muito
O silencio ameniza, mas a fala cura

Quando falares
Saibas
Que falas com a realidade
A sua realidade

Quando falares
Reflita com a sabedoria do silêncio
E fale com a emoção de quem grita
Fale com sua boca e sua mente

Mais uma obviedade ignorada
Não importe quem fale
Escute
Mas não escute como quem quer falar

Escute como se você fosse ele
A tal ponto e de tal forma
Que falar se torne difícil
E você se pegue retorcendo no silencio

Para quem sabe mudar a realidade
Quando se muda a sua realidade
Muda-se também a de quem ouve de verdade
Caminhos tortos daquele que fala

Para se falar deve-se estar disposto a mudar
Arte difícil a da fala
Para mudar o Brasil por exemplo
Deve-se mudar o brasileiro

Não com esta ignorância gentia
De nos pré desqualificar
E sim com que há de bom em tudo isso
Façamos piadas de nos mesmos

Porque esta é nossa marca criativa
E da piada tiraremos o que há de sério também
Aos poucos a fala vai encorpando
Passo a passo ... Dor a dor

Porque real é assim
Nos exige muito
Para falarmos pouco
Mas o pouco é o necessário para mudar

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Quando se deve falar



Aquele que fala
Só pode ouvir no silencio
Seus gritos foram abafados na multidão
E os versos estão cada dia mais distante

Aquele que fala
Fala pela boca do tempo
Esta ordem de se usar as palavras
E ser por ela usado

Quando acordar amanhã
E ontem for esta necessidade
De acontecer como devia
Um passado imemoriável

Ele jura que viveu
Como quem vive assim
Despretensiosamente
Simples como uma borboleta

O que resta é este estar vivo
As expectativas e os sonhos
São só palavras no dia a dia
Seus sentidos são tortos

As palavras são tortas
Quando o mundo fala
Calemos e observemos o silencio
Que desprende deste coro desafinado

Um gato falou ... que se foda
Bom dia no meio do dia
Acordaram para dar os seus bons dias
Antes mesmo do café

Ninguém põe reparo no seu bom dia
A maquina urge urra e sussurra
Tudo ao mesmo tempo agora
Como se amanhã não fossemos

Um vídeo engraçado está carregando
E parou assim no meio
Nem foi tão engraçado assim
Mais um piscou na tela ... mais um numero que temos

Não ... não temos nada

Ah! mas tem o grupo da família
Grupos do churrasco daquele dia
E não acabou até hoje
Grupos dos amigos

Grupos de poesia que mal abro
Poeta adora copiar um bom dia
Apago tudo antes mesmo de ler a memória está cheia
Estou cheio de tudo e repleto de nada

Estão todos aqui comigo
Mas não vejo ninguém
Só a solidão de uma sala de espera
O voo atrasou

Mas que se foda-se
Não foi isso que gato falou?!
Perdoe o poeta sua licença
De estrupa o português sozinho

Ahn um vídeo do Charles Chaplin
É ele aparafusando a maquina
Enquanto aparafuso minha vida
Ele não sonhava, mas sabia

Uma corrente de deus
Uma piada não lida
Um meme para alegrar a vida
Filosofias instantâneas de como vive-la

Desligo esta tela ... e vou viver
Abro um bom livro
E vou compartilhar a solidão

Comigo mesmo

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

A fala por traz dos olhos


Você vai tomar conta de minhas poesias?
Não sei
A paixão tem destas coisas inenarráveis
Espiral louco e necessário

Quando o tema sobrepujará a forma
Mais uma vez?
Não acredito que problema estético da arte
Envesou em meu poema de amor

Fez desta fala diária
Um soar mais leve e ordinário
Como se Pirro
Tivesse perdido a guerra

E perder ou não é tão irrelevante
Como as primeiras pinceladas do quadro
Aquele que fica escondido por traz de cores fortes
Do cotidiano ... irreparáveis

Ah! Mas o reparo que escorre do hiper-real
Neste realismo oculto
É só um filtro qualquer
De um aplicativo moderníssimo

Arte instantânea
Que mistura o velho do novo
Faz Paul Gauguin ser civilizado
E não fugir pra selva

Amor liquido tem destas cores
Que Van Gogh não ousaria pintar
E a Impressão fosse mero acaso nas bordas
Das cores pastéis de fotos inexprimíveis

Chega!!!

Com este eu lírico louco de erudição desmedida
Tu não fotografas o que há de simples no amor também
Rafael se orgulharia destas formas abauladas e etéreas
Linda paixão escorrendo pelos lisos vermelhos de seu cabelo

Falar com os olhos é como estar louco
Perceber os passos antes de caminhar
É saber do agradável para além do outro
Como se deus menino abandonasse Alberto Caeiro

E não fosse ele o defensor de todos os muros
Falar com os olhos é não saber sabendo
É como fazer um poema de amor
E o tema não fosse este

Aquele que fala com os olhos
Fala de dentro debruçado na janela
Não fecha o poema com chave de ouro
Porque representa a infinidade do instante

E como todos os versos acabados ou não tem seu fim
Falar dos olhos é volta ao esbranquiçado do quadro

Um Silencio na contemplação do amante

sábado, 30 de dezembro de 2017

Entre o Encanto e o Desencanto



Não interpreto mais o silencio
A fala já grudou em minha boca
E nossa costura ficou assim suspensa
Entre os desejos alterados por um sorriso mal dado

Mal interpretado

Se eu pudesse fugir dos clichês
Como uma presa foge de suas escolhas
Talvez pudesse ser sublime, mas não posso
Minha fala é reta e meus caminhos tortos

Ontem quando nos beijamos
Foi ontem ... eu sei
A possibilidade do encanto
Nos fez encontrar mais uma vez no desencanto

A expectativa faz dessas coisas
A borboleta não sabe onde vai pousar
Porque só voa pelas linhas do acaso
E nós olhamos assim desconfiado

Teimamos em querer nossos quereres
O ultimo o beijo é como a última fala
Ando na loucura
Porque meus pés caminham pela sanidade

É no desencontro que se vê na fresta do entendimento
Sua música para mim ainda é mistério
Não posso querer mais que isso
No abismo onde o vazio existe é onde quero pular

E pular não resolve nada como deveria ser

Poderia no ato final deste poema
Pedir perdão por esta carta não endereçada
Por estas inferências absurdamente reais
Mas a vida é nossa e de todo o mundo

E todo perdão é em vão

Se não tem o que perdoar  

sábado, 16 de dezembro de 2017

A alma do falar

 

Olhando bem funda na alma
Vasculhando o vazio e suas falas
Nasci assim entre o sonho e a necessidade
Falo baixo porque minha voz é muito

Voz rouca temperada na loucura
Esconde meus braços de pegar o mundo
E não saber usa-lo
Sou um tronco na cidade bolha

Apenas uma metáfora da fala e do não saber
Ignoro um sorriso ontem porque hoje não sei de nada
Meus pés caminham por estradas que não conheço
E toda tentativa de ser assim é uma desnecessidade de alma

Porque ser é desprovido do querer ser

As musas se foram e me deixaram com a solidão e a fala
Descobri que os pássaros acordam com a luz branca
E os espectros encarnado do sol nascendo
É o despertar do dia no fogo de Hórus

Mas isso também não importa
Quando a fala cai no ouvido da gente
Ela tem a força da natureza
Tal como Marco Polo não falava trivialidades

Conversar com os pássaros é um privilégio da loucura
Assustadoramente encantador
Terrivelmente belo
Beleza apreciada por poucos e almejado no dia a dia

Estou escolhendo meu caminhar
Porque meu Norte é todos os pontos cardeais
E a liberdade dos pássaros me ensina a voar
Ensina a acordar para luz do sol

Eu que entendo as coisas envesadas
Contorço minhas palavras na tentativa
De dar cabo ao sonho e sua loucura amena
De ir vivendo este cotidiano

E predicado alguma de falar deste sujeito ordinário
Porque o cotidiano é filho do Cronos
Neto de gaia com sua beleza simples
Ele é cinza encarnado de todas as cores

É o bêbado que se levanta na esquina
E cruza com a senhora que volta do sacolão
São as folhas no quintal de uma velha
E ela só limpa a passagem

O cotidiano é assim
Extraordinariamente belo para quem tem olhos
Encantador para quem tem ouvidos
Sublime para quem vive o agora

Para quem vive no amanhã ou no ontem
Ele é cinza ... uma passagem para não vida
Desperdício terrível de se estar querendo viver
e não vive
Mas falar dele é perde-lo
Tal como areia não mão
Quanto mais se quer falar
Menos se sabe

A fala nasceu para endireita-lo
E ele é o que é
Por isso na alma da fala

Há o desejo dos que ouvem de verdade

domingo, 12 de novembro de 2017

A fala e o nascimento da poesia





Ontem quando disse ser poeta
Me perguntaram assim despretensiosamente
O que é a poesia?
O que faz do poeta assim tão especial?

O lado obscuro do ser e ser poeta
Quando se explica não sabe
Quando se sabe não aprendeu direito
Nasce-se assim com as palavras meio envesadas

Ando há procurar razões ... Onde  razões não há
Faço versos inúteis porque não há utilidade na poesia
Nem caminhos necessários
Se aqueles versos te serviram não foi a intenção ultima

Se eles mudaram sua vida
Foi mera casualidade
Não culpe o poeta de buscar a poesia
São só palavras e pessoas

Ontem quando sai do silencio
E arrisquei meus primeiros passos na direção da fala
Não sabia quando nem onde
É o improviso da vida a falar por nossas bocas

Um eu a costurar expectativas no outro
Sempre a ponderar e depois agir
Mesmo que por impulsividade
O silencio é anterior a fala

E a poesia é meio onde isso tudo acontece
Um defronte do outro
Um a não entender o outro
Por ser ... Outro sua natureza

E quando me recolhi ao silencio
Ele me disse solene e utilitarista:
- Então envergas o discurso para não o enxergar
Ou envergas para muda-lo não se pode fugir desta dualidade

Não ... não posso
Mas posso falar do nascimento da poesia
Posso olhar o abismo e tirar do nada todas as possibilidades
Posso mergulhar em uma palavra e vive-la cotidianamente

Porque é entre o silencio e fala

Que nasceu a poesia

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Alma Linda




Um beijo querida Bianca
Que você continue sendo esta alma linda

Quando nos conhecemos
Ela me fez chaveirinho
E fui eu pendurado na vida
A não entender nada e buscando porquês

 Alma linda

Pés que sambam ... flutuam
Seus olhos têm qualquer coisa de mistério
Agitados olhos de quem busca
E sabe o que quer

Alma linda

Quando a pressão sobe
E não se esconde no rosto os desejos e desejosos
Incrível capacidade do mundo de não se curvar ante nossas querências
Ela olha para cima e faz do momento poesia

Convoca a todos os presentes
E nos explica sem palavras que o melhor da vida
É ser feliz para além do mundo e suas circunstancias
É ter ciência da perenidade da vida.

Alma Linda

Tu que faz do ato chorar
Um sorriso
Ou uma cara ... carão de mulher indomável
Nem viste meus olhos marejados de respeito e admiração

Alam Linda

Eu disse que lhe faria um poema
Se representou bem ou não aquela poesia que fizeste na vida
Não sei
Mas saibas que ganhou um amigo

E em chaveirinho poético

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Apenas um feriado





Ontem teve de tudo
Alegrias e tristezas escorreram pelo cotidiano
Ontem teve de tudo
A voz que foi morrendo e uma cantora emoldurando a noite fria

Ontem foram três dias
O tempo que foi passando
A vida vai correndo
Sempre ontem sempre poesia

Eu que nasci ontem
E sou tão velho quanto o universo
Eu que não sei nada
E tenho uma ansiedade de saber tudo

Barroco ... moderníssimo
Vazio de alma e repleto de soluções pra vida
Ontem reencontrei muito do que havia perdido
E vi que renascer não é tão difícil

Mas foi ontem que toda autoajuda morreu
Formulas tortas de vencer na vida
Minha história não pode ser a sua
Que cada pó cuide de sua poeira

Ontem vi olhos que riem para dentro
Uma raridade neste cotiando cinza
De almas vazias
Ontem me julgarão certo e sem poesia

Não há erros em pensar no futuro de ontem
Porque ontem foi e continuará sendo
Ontem vi a força e a vontade de viver
Discutindo trivialidades

Ontem ... quando dei por min
O feriado acabou
E fiquei reflexivo

A remoer coisas de ontem

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Poesia do Cotidiano


Preleção
Minha comemoração poética para entrada no olimpo virtual
Vulgo Facebook


  
Corro a vista na vida
E a poesia escorre do cotidiano
Cada esquina é um verso dobrando as ruas
Uma sujeira no pátio é um mundo a desabar em nossas cabeças

Eu que ando nas ruas como quem navega
Vejo olhos e rostos desatentos para o presente
Saudades eternas de um futuro desejado
Um agora vazio de almas

São só corpos do cotidiano
Como vos amo assim automáticos
Tal peça ... tal gente que sonha e vive
E se acha neste virtual engano de ser

Assim vai minha poesia do cotidiano
Solitário eu rodeado de gente
Ontem quando desci da janela de casa
Eu queria encontrar algo

Mas não sabia o que buscava
Meus olhos erravam de objetos
Eu não sabia ...
Que a busca em si era o que eu deveria querer

O resto morreu na memoria
Como aquele papo que tivemos ontem
Tão nosso que não pude desviar-me
E hoje não lembro de mais nada

É como se tivesse impresso em mim
Meus desejos e sua solidão
É como se você fosse eu ao avesso
Um exótico encontro virtual

Assim vai minha poesia do cotidiano
Tão cheio de mim mesmo
Que me perco no outro
Com a certeza de que ele sou eu

Ontem quando acordei poeta
E me disseram:
“Vai! ... Assim é que você não vai vencer na vida”
Nem sabia o que era vida ... E como poderei vencer então?

Corri ao dicionário
E só palavras escapavam dos verbetes
Como se soubessem tudo
Pelo sinônimo ... pelo Antônimo ... enfim sabiam o que era vida

E eu ... não

Procurei ... procurei e ainda procuro
Sei que ela não foi dicionarizada
Ela fica no muro que separa meus olhos
Dos teus

Ela fica nestas metáforas que amo
Costurar nas cestas de meu cotidiano
Ela fica entre meu querer e seus atos
Um pequeno desajuste ordinário do dia a dia

Assim vai minha poesia do cotidiano
Tão minha
Tão nossa

Tão de todo mundo

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Crise


Quando o silencio fala mais que as palavras
E a dor se transforma num alivio terrível
O mundo se torna cinza
E as pessoas descartáveis

Não nesta ordem é claro
Nem da mesma forma
Cada olho que cuide de seu cisco
Porque o silencio é a certeza da solidão eterna

E somos fogo tal como Heráclito dizia
Passageiro ... intenso
Breve momento no abismo do nada
E o universo tem mais vazio que matéria

Tem mais silêncios
Eu que nasci ontem
E sou tão velho quanto o universo inteiro
Sou um oceano de silencio com pequenas ilhas vulgares

Ah! Quanta preguiça
Minhas escolhas trasmudas em metáforas
Não!

Na verdade, meu amigo, se há verdade!
Estou onde não disse e meu silencio gritou
Desejo aquilo que não conheço
Pelo simples fato de não ser eu


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Elegia a Sócrates




Sentado no caminho ele pensava
Queria por em versos
Mas não sabia nada
Sua mão o desobedecia

O nó que o impedia
Esta nas almas dos homens
Incertezas que dói para alem dos justos
E os versos e as rimas nunca foram solução

São relicários de um tiro no peito
No centro de seu próximo passo
E ele fala de si como se fosse do outro
Porque assim lhe parece mais puro

Utopias de um pé que caminha
Porque não sabe caminhar
E atire o primeiro olhar
Aquele que sabe onde pisa

Mestre ... tu que era o homem
Mais sábio da Grécia
Não sabia

No fim
São só palavras diante da vida
ou um querer viver
ou morrer quem sabe

Não sei
Teu silencio nos guia
Assim como as cordas
Que seguram tudo onde deveriam estar

E ele se levantou mais pesado
Mais velho
O caminho não era o mesmo
A vida não era a mesma

O certos estão felizes
Enquanto certos
As esquinas ainda dobram
E não estar certo ... talvez

Seja a única certeza

sexta-feira, 31 de março de 2017

A morte do Zé ninguém



Muitos estão chocados
Morreu o Zé ninguém

Ele que não podia ter ideias geniais
Ele que estava preso a propaganda
De refrigerantes enlatado de sua consciência
Ele que repetia opiniões porque não podia tê-las.

Ignorava porque aprendeu assim
Ontem é mais do que hoje
E você não tem o tipo
O tino para estrelar sua própria vida

Sigamos então
Coma
Beba
Compre

Ele que só é humano quando morre
Faça-me o favor de deixar
Herdeiros com sobrenome
Para lhe enterrar os ossos

Zé ninguém perdeu os sapatos
És um pouco menos do que tinha sido
Menos um
Menos dois

Menos ... mais um morto
Celebramos ao Zé ninguém
De lugar algum

E todos se espantaram com sua morte
Não pelo fato objetivo ou empatia é claro
É porque viram no espelho sua própria sorte
Zé ninguém morreu afetando os estômagos fracos

De roupa maneira
Zé ninguém mostrou para os que assistiam
Que ninguém é mais do que isso
Finalmente ele se igualou a todos

Zé ninguém!
Faça-me o favor de morrer sem muito alardes
Se possível ir ao caixão sem dar trabalho
Não suje a lindíssima avenida

Zé Ninguém!?

Todos que acreditam na vida
Não olham o coitado do Zé
Eles se olham espantados
Com a ânsia do vomito engasgado

Zé Ninguém morreu deixando um espanto geral
É porque eles acreditam que a base da vida é a diferença
É ser alguém

Mas eles não sabem Zé ... que somos todos Zé ninguém

quinta-feira, 23 de março de 2017

Sentido da vida

<



A vida favorece o encobrimento
O desvelar é uma instancia prazerosa
Maria foi a feira
E voltou cheia de novidade

Enfim tinha

As fofocas para toda semana

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O Mar e as Palavras




A cada onda que passa
Cada verso que fica
Poderia rasgar o peito
Rasgar as palavras

Mas no fim não faria diferença alguma
Todo verso é inútil
Toda poesia é inútil
Mas também não faz diferença alguma

Poderia usar todos os pronomes
Tempos verbais que não definem nada
Palavras em cima de palavras
Tal como as ondas tem esta força intima

Ir já vindo
Ser já sendo
Dicotomias que Heráclito
Não poderia obscurecer com seu desvelamento

As serias cantam pra quem tem ouvidos
Perigo ignorado pelo viajantes sempre
Viajar é preciso
Mesmo carregando barris de petróleo nas tanques

O mar é vazio como a morte
Para quem caminha ele se faz liquido
Tal como os olhos moderníssimos
Quem navega sente a dureza de suas ondas

O impacto de seus cantos
Sempre a nos causar espanto
No breu profundo da noite
Que nos acalenta o peito

Deve ser assim … morrer

Não sei
Não ultrapasse a linha do indizível
Meu caro poeta
Tu só tem as metáforas ... nem tão afiadas assim

Então se segure como pode
As palavras não tem culpa
Nem sós culpado de usá-la
Mas faça-me o favor de não ultrapassar a linha

Porque?! Ah! caro poeta
A fronteira do belo e desejável
Não é como as linhas do estado
Ou melhor

Ela não existe
É apenas horizonte nos olhos dos que veem
Desejo na voz do que fala
Dança imperfeita dos sons e das palavras

Estão tentando superar o insuperável
Sonhar para depois da alvorada
A noite no mar tem qualquer coisa
Da morte a espreitar a vida

Insondáveis espaços vazios
Para baixo,d’água não sei
Para cima uma brisa afaga o rosto
Cansado deste marítimo

A vida não passa de uma só palavra
Talvez o mar tenha a resposta que procuramos
Talvez não há respostas a procurar
São só perguntas

E tudo isso não deveria me afetar
Ou melhor não me afeta
Se eu pudesse ver a afetação
Seria brisa no furacão do cotidiano

Vendamos então nossa própria morte
Em parcelas fixas de se viver a vida
Talvez ali esta brisa soe mas útil
Como uma canção de amor mal feita

Um desajuste de um sistema torto
Que deve funcionar
Tem que funcionar!

Quando o mar exigir seu preço
Eis que ei de perceber
Que sempre estive diante da morte
A enganar o estômago

Diante da vida sem vive-la
Mas vivi
Juro que vivi

Não importa
Nada importa
São só ondas

A bater no costado